Editorial

«É na luta organizada dos trabalhadores que está o caminho da mudança»

NOVE DÉCADAS DE LUTA

Por todo o País, as organizações e militantes do PCP levam por diante um vasto conjunto de iniciativas com as quais assinalam os aniversários do Avante! e do Partido, e de que o grande comício de sexta-feira, na Aula Magna, e o mega-almoço de domingo, no Seixal, constituíram exemplos marcantes. Iniciativas que prosseguirão até final do ano, sempre combinando e articulando a afirmação e a projecção da história ímpar do Partido, dos seus valores, dos seus ideais, do seu projecto – fontes de força essenciais de nove décadas de vida e de luta – com a intensa e decisiva actividade do presente.

Em centenas de comícios, sessões, debates, convívios, almoços e jantares de confraternização já realizados, milhares de camaradas e amigos evocam a história gloriosa do Partido e do seu jornal.

Fazem-no não numa perspectiva passadista, como acusam alguns que – ou porque não têm passado ou porque o passado que têm não lhes dá motivo para dele se orgulharem – não suportam ouvir falar de um Partido com um passado heróico e com um presente à altura desse passado.

Fazem-no com os pés bem assentes no presente e olhando confiadamente para o futuro, afirmando de pé a sua existência, condenando ao ridículo os sucessivos anúncios da morte e do funeral do PCP proclamados pelos cangalheiros de serviço.

Fazem-no com a consciência de que o exemplo de décadas de luta, travada independentemente das circunstâncias existentes em cada momento, constitui, para além de um motivo de orgulho de que os comunistas portugueses jamais abdicarão, um poderoso estímulo aos necessários combates dos tempos actuais – combates que continuarão a ter no PCP o seu protagonista mais destacado.

 

É justo realçar e louvar o empenhamento das organizações e dos militantes do Partido nas acções de venda do Avante!, muito em especial dos dois números dedicados aos dois aniversários que estamos a assinalar. Centenas de militantes comunistas – e alguns simpatizantes – vieram para as ruas, para as praças, para os mercados, para as portas de empresas e locais de trabalho, vender o Avante!.

E o êxito alcançado com essas acções – em alguns casos não vendendo mais porque mais exemplares não levavam e sempre vendendo o dobro ou o triplo do habitual – é bem exemplificativo das enormes potencialidades de difusão do nosso jornal e da aceitação que ele tem junto dos trabalhadores e das populações.

A confirmar que é esse o caminho que conduz ao cumprimento dos objectivos de aumento da difusão e da leitura do Avante! – questão essencial para fazer frente à ofensiva ideológica com a qual os média propriedade dos grandes grupos económicos e financeiros tentam desmobilizar os trabalhadores para a luta.

Porque é fazendo da venda organizada do Avante! uma tarefa de todas as semanas que faremos chegar a mais e mais trabalhadores a informação que nenhum outro órgão de comunicação social lhes proporciona, a informação e a opinião que correspondem, de facto, à defesa dos seus interesses.

Além de que o aumento da difusão do Avante!, porque faz chegar mais longe a análise e as orientações dos comunistas, constitui também uma forma de dar combate à falsa imagem do Partido difundida por esses média dominantes, contrapondo-lhe a imagem real de um Partido que tem razões como nenhum outro para se orgulhar do seu passado e do seu presente.

 

Comemorar o aniversário do Partido é reforçá-lo, torná-lo mais interventivo e mais actuante, dar mais força à luta em que ele está empenhado.

Uma luta que, no momento actual, tem como alvo primeiro a política de direita que conduziu Portugal ao estado dramático em que se encontra – caracterizado por uma contínua degradação da situação económica, social e política; pelo acentuar das desigualdades e injustiças sociais; pelo escandaloso aumento dos lucros dos grandes grupos económicos e financeiros enquanto a imensa maioria dos portugueses vive em condições cada vez mais difíceis, com a pobreza, a miséria e a fome a alastrarem; pela crescente entrega da independência e da soberania nacionais; pelo constante empobrecimento do conteúdo democrático do regime.

E esta situação não tem fim à vista sem uma ruptura com a política que, executada ao longo de 35 anos pelo PS e o PSD, de vez em quando com o CDS/PP, é a única causadora do estado actual.

E é na luta que está o caminho da mudança – na luta organizada dos trabalhadores, luta consciente, persistente, para durar o tempo que for necessário e de que a grande manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para o dia 19 de Março – que pode e deve ser a maior acção de massas depois da Greve Geral de 24 de Novembro – é o exemplo mais próximo.

Como acentuou o Secretário-geral do PCP, camarada Jerónimo de Sousa, no comício da Aula Magna, vivemos «tempos que exigem um Partido cada vez mais preparado, mais forte, mais activo, mais interventivo, ainda mais ligado aos problemas, aos trabalhadores, às grandes massas, capaz de dinamizar e dar um novo ímpeto à luta. Tempos em que os comunistas são chamados a redobrar o trabalho para cumprir o seu insubstituível papel ao lado dos trabalhadores e do povo, combatendo a exploração, as injustiças, as desigualdades, mas também a resignação, dinamizando a resistência e a luta da classe operária, dos trabalhadores e das populações, contra a política de direita, pela resolução dos problemas do País, pela ruptura e a mudança, por uma alternativa de esquerda» – enfim, tempos aos quais o colectivo partidário comunista responderá com a determinação e a confiança de sempre.

 


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