Breves
Crise na floresta

A Direcção da Federação Nacional dos Baldios (BALADI) responsabilizou os responsáveis das indústrias de celulose, representantes de câmaras municipais e membros do Governo que têm aparecido na comunicação social a tomar posições sobre o sector florestal, pela «degradação e imagem da floresta portuguesa e em particular dos baldios».

Neste sentido, a BALADI exigiu que os mesmos «expliquem o fracasso e os ineficientes resultados a que se chegou quanto às avultadas verbas inscritas nos vários Quadros Comunitários de Apoio», assim como o «decréscimo acentuado da área florestal no Norte e Centro do País», a «redução drástica de pinheiro bravo em cerca de 300 mil hectares» e o «défice anual de povoamentos florestais de aproximadamente 63 mil hectares».


Melhor ambiente

A Câmara do Barreiro aprovou, por unanimidade, a sua adesão ao Pacto dos Autarcas, que visa melhorar o seu desempenho ambiental e energético. Em declarações à Lusa, Nuno Banza, vereador do Ambiente, recordou que já existem acções no terreno com o objectivo de conseguir melhorar as condições ambientais e implementar energias renováveis. «O objectivo é analisar as situações dos municípios e elaborar um plano com um conjunto de acções de modo a conseguir os objectivos. Por exemplo, no caso da biblioteca municipal vamos investir cerca de 20 mil euros na área energética, que nos vai permitir recuperar o investimento em um ano e poupar cerca de 10 mil euros anuais», explicou.


Estudantes em luta

As associações académicas e de estudantes da Universidade de Lisboa vão realizar, hoje, quinta-feira, várias acções de protesto na Cidade Universitária, contra o processo de atribuição de bolsas de estudo, exigindo a revisão do regime legal existente. Na semana passada, teve lugar uma concentração de estudantes nos Serviços da Acção Social da Universidade de Lisboa, que protestaram contra o sub-financiamento do ensino superior e em defesa de uma Acção Social Escolar efectiva que sirva os interesses e necessidades dos estudantes.


Potenciar o desconhecimento

Por ocasião dos Censos 2011, que se estão a realizar no nosso País, a Confederação Nacional dos Organismos Deficientes (CNOD) alertou para a necessidade de realizar acções censionárias que permitam caracterizar com exactidão a população com deficiência em aspectos fundamentais como: «Quantos somos?», «onde estamos ou vivemos?», «Qual o nosso tipo de deficiência?» e «qual o nosso nível de inserção social?».

«Estamos, mais uma vez, a ser confrontados com a realização duma operação censionária na qual os organismos representativos das pessoas com deficiência não tiveram qualquer participação; estão já a circular matrizes que irão potenciar o continuar de um desconhecimento sobre a realidade social e demográfica das pessoas com deficiência, a exemplo e de acordo com os inquéritos que vão ser utilizados, não permitindo identificar certo tipo de deficiências», acusa, em nota de imprensa, a CNOD.


Ministro «incompetente»

Em conferência de imprensa, realizada no dia 16, em Braga, o presidente da Associação Nacional de Produtores de Leite e Carne, José Lobato, classificou de «incompetente» o ministro da Agricultura, exigiu um preço mínimo para o leite na produção e anunciou a realização de uma manifestação no dia 31 de Março. «Queremos apenas o preço justo, que dê ao menos para pagar os custos de produção», defendeu, reclamando, de igual forma, a intervenção das entidades reguladoras e apoios directos à produção.


«Embuste social»

Os comunistas de Gaia acusaram, na semana passada, o executivo camarário de «embuste» nos critérios de atribuição do tarifário social de água e saneamento. Em comunicado, foi dado a conhecer que o PCP apresentou um requerimento à autarquia no qual dizem que «os critérios de atribuição do tarifário social são miserabilistas, ou seja, apenas são aplicáveis a famílias em que o titular do contrato, cumulativamente, não tenha qualquer apoio social, esteja em situação de desemprego de longa duração e tenha um rendimento anual inferior a 728 euros».

 


Situação de emergência

A Câmara de Almada recebeu, desde Janeiro, 700 novos pedidos de habitação social, cem deles «situações emergentes». Em declarações à Lusa, Rui Jorge Martins, vereador na autarquia, informou que, na totalidade, existem pedidos de habitação social por parte de cerca de cinco mil agregados familiares, o que ilustra a crise em que se vive: «Chegam-nos aqui muitas pessoas pela primeira vez. Situações de famílias que deixaram de conseguir pagar a prestação ao banco, que lhes ficou com a casa, outras com casas arrendadas e deixaram de ter condições para pagar e foram postas na rua.»

Esta gente, acrescentou, vem «afectada por uma deterioração forte da situação financeira das suas famílias, decorrente de situações de desemprego, emprego ocasional e muita precariedade».


Novos aumentos

A Federação das Associações de Reformados do Distrito de Lisboa alertou, há dias, para o efeito «trágico» que terá o recuo do Governo de não reduzir o preço dos medicamentos, lembrando que deverão agravar-se os casos de pessoas que «seleccionam» os remédios na farmácia. Para os reformados este é apenas «mais um aumento em cima dos outros aumentos anunciados».

Também o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) condenou o recuo do Governo, uma vez que «foram criadas expectativas», quando «as pessoas já sentem enormes dificuldades para adquirirem os medicamentos, principalmente desde que foi reduzida a sua comparticipação e aumentou o custo em outros».

«O Governo – certamente cedendo a interesses da indústria farmacêutica – deu o dito por não dito. Lamentamos e condenamos a decisão que, mais uma vez, prejudica os utentes em benefício das empresas», afirmou Carlos Braga, do MUSP.


População em luta

Mais de centena e meia de utentes concentraram-se, na semana passada, em frente à Extensão de Saúde da Lamarosa para reivindicar a colocação de mais médicos naquela unidade de saúde, informou a Comissão de Utentes do Médio Tejo (CUSMT). O presidente da Junta de Freguesia local informou, na ocasião, que a luta começa a dar resultados, pois até ao final do mês começará a trabalhar mais um médico na referida unidade.

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Distrito de Viseu dá conta de que em Penalva do Castelo, localidade com mais de nove mil habitantes, mais de 30 por cento da população «está sem médico de família», sendo que os actuais médicos se recusam a fazer horas extraordinárias. Os problemas acentuam-se com a redução do horário de atendimento do Centro de Saúde e com o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP), «sendo os doentes urgentes encaminhados para o Hospital de Viseu», o que implica «deslocações de, no mínimo, 30 quilómetros».


Reforma administrativa

Os comunistas eleitos na Assembleia Municipal de Lisboa defenderam, na passada semana, a «existência das actuais 53 freguesias», e consideraram ser necessário acrescentar as de Telheiras, Oriente, Marvila-Norte e «mais uma freguesia no actual território dos Olivais». A reforma administrativa de Lisboa esteve em discussão pública até terça-feira, voltando depois aos órgãos autárquicos para ser enviada à Assembleia da República.


Trabalho inclusivo

No dia 11 de Março, sindicatos e organizações de pessoas com deficiência reuniram-se em Bruxelas para uma conferência, enquanto decorria o Conselho de Competitividade.

Para evitar que as questões sociais sejam sacrificadas relativamente aos imperativos da economia, as organizações salientaram a necessidade de desenvolver uma «forte reação», uma vez que para cumprir a meta de 75 por cento de emprego em 2010 é necessário ter em conta as pessoas com deficiência, que representam 15 por cento da população activa da União Europeia. Manifestaram-se ainda contra a redução dos orçamentos sociais, a insegurança laboral e a subida do desemprego, agravada pela crise económica e financeira que afecta os mais vulneráveis, nomeadamente as pessoas com deficiência.