Editorial

«A CDU é a força portadora da verdadeira alternativa: um projecto patriótico e de esquerda»

AS TAREFAS DO MOMENTO

É muito o trabalho que temos à nossa frente nos meses que aí vêm. É muito o que, uma vez mais, é exigido aos militantes comunistas e às organizações do Partido, em termos de esforço, de dedicação, de entrega às muitas e complexas tarefas do momento.

Não que isso constitua novidade: com efeito, olhando para os noventa anos de vida e de luta do PCP, que este ano assinalamos, é fácil constatar que essa exigência de envolvimento intenso dos militantes comunistas nas batalhas de cada momento tem constituído uma constante na nossa história colectiva – condição natural em quem tem como objectivo supremo da sua luta, a construção de uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração. E é fácil constatar, igualmente, que sempre, em todas as circunstâncias, o nosso grande colectivo partidário soube estar à altura das suas responsabilidades. Como mais uma vez acontecerá.

O Comunicado aprovado pelo Comité Central do Partido no decorrer da sua reunião de domingo passado sublinha a necessidade e a importância crucial de um grande envolvimento do colectivo partidário nas batalhas que a actual situação política exige. E destaca algumas das mais relevantes dessas tarefas.

Assim, acentuar a iniciativa política, nomeadamente dando seguimento à campanha «Portugal a Produzir»; intensificar a actividade partidária, visando a dinamização e o desenvolvimento da luta de massas em resposta à política de direita; prosseguir a acção de reforço do Partido, através da concretização da campanha de recrutamento em curso nas empresas e locais de trabalho – estas, entre outras, constituem linhas de trabalho fundamentais.

A que há que acrescentar, agora, a intervenção na batalha eleitoral que culminará com a realização das eleições no dia 5 de Junho.

 

Trata-se de uma batalha difícil e exigente, no decorrer da qual defrontaremos muitos e complexos problemas que passam, desde logo, pela necessidade de dar resposta e desmontar a intensa ofensiva ideológica levada a cabo pelos média propriedade do grande capital, e que tem como objectivo essencial criar condições favoráveis à continuação da política de direita.

Uma ofensiva que, por isso mesmo, como sublinha o Comunicado do Comité Central, tem como preocupações maiores, por um lado, procurar desvalorizar e silenciar a intervenção, a proposta e o projecto do PCP e o seu papel determinante, nas instituições e fora delas, na oposição e no combate à política de direita e na exigência da ruptura e da mudança; e, por outro lado, procurar afastar das opções dos eleitores o voto no PCP e na CDU, ou seja, naquela que é, de facto, a sua verdadeira opção, a única opção à situação criada por trinta e cinco anos de política praticada sempre pelos mesmos três partidos.

Tudo isto nos exige uma intensa e ampla acção assente no contacto directo com os trabalhadores e as populações, na informação, no esclarecimento e na mobilização para uma ruptura e uma mudança na vida política nacional – uma grande campanha política de massas, criativa, dinâmica, chegando junto do maior número possível de portugueses e portuguesas; uma grande campanha política de massas que contribua para o alargamento da expressão eleitoral da CDU e para a sua afirmação inequívoca como a única força cujo reforço eleitoral e político pode abrir o caminho para pôr fim à alternância e para a construção de uma alternativa política; uma grande campanha política de massas que dê mais força à luta das massas trabalhadoras e populares, caminho essencial para dar a volta a isto.

Porque, como a realidade nos mostra todos os dias, é no PCP e na luta dos trabalhadores e das populações que se situam as raízes da força necessária para impor uma mudança de rumo na política nacional.

Por isso a batalha eleitoral que agora vamos iniciar é parte integrante da luta de massas e como tal deve ser vista pelas organizações e militantes do PCP.

E foi na base das preocupações e dos objectivos acima enunciados que o Comité Central decidiu lançar uma grande acção nacional de contacto directo com os trabalhadores e o povo, a levar por diante pelos militantes comunistas e pelos restantes activistas da CDU, sob o lema «um milhão de contactos por uma política patriótica e de esquerda».

 

Como acentua o Comité Central do PCP, a concretização da política necessária à resolução dos problemas nacionais gerados pela política de direita exige a formação de um governo patriótico e de esquerda que inicie uma nova fase da vida do País assente no desenvolvimento, na justiça e no progresso social, no respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País – um governo cuja viabilidade e apoio político e institucional está agora nas mãos do povo português com a sua luta e o seu voto; um governo cuja concretização passa inevitavelmente pelo reforço da influência do PCP e dos seus aliados na CDU.

Na verdade, é nas forças que constituem a CDU – o PCP e os seus aliados: o PEV, a ID e milhares e milhares de cidadãos independentes – que está a garantia da defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, da coerência e da verdade, da coragem para enfrentar os poderosos, do compromisso na defesa dos interesses nacionais, da honestidade e da garantia de determinação no combate à corrupção e ao nepotismo.

Na verdade, na situação actual, a CDU é a força portadora da alternativa, da afirmação da democracia e da independência e da soberania nacionais, do projecto patriótico e de esquerda vinculado aos valores de Abril, tendo no horizonte a democracia avançada e o socialismo.


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