Editorial

«Lutar pela ruptura com a política de direita é lutar por Abril»

ABRIL É FUTURO

O fim de semana que passou ficou marcado pelas comemorações populares do 25 de Abril, no decorrer das quais milhares e milhares de portugueses, por todo o País, relembraram o Dia da Liberdade.

E relembraram-no não numa perspectiva passadista, mas tomando-o como referência primordial dos objectivos da luta actual, pela ruptura com a política de direita e por um novo rumo para Portugal. Um rumo de mais justiça social, de mais respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País, de mais liberdade: o rumo de Abril que a nossa Revolução mostrou ser possível.

No dia 25 de Abril de 1974, os militares do Movimento das Forças Armadas (MFA), culminando décadas de resistência e de luta popular contra o fascismo, derrubaram o governo de Marcelo Caetano, pondo termo a quase meio século de ditadura fascista.

Nos dias, semanas e meses seguintes, o movimento operário e popular e o MFA, aliados, derrubaram o regime fascista e iniciaram a construção de uma democracia como nunca antes existira no nosso País: uma democracia política, económica, social e cultural; amplamente participada; sustentada numa inequívoca afirmação da independência e da soberania nacionais; aberta à paz e à amizade com todos os países e povos do mundo.

Pela primeira vez – e única até agora – os trabalhadores portugueses viram os seus direitos essenciais respeitados por parte dos governos (provisórios). Pela primeira vez – e única até agora – Portugal teve como primeiro-ministro uma pessoa totalmente identificada com os direitos e os interesses dos trabalhadores, do povo e do País: o Companheiro Vasco.

Consagrada na Constituição da República Portuguesa aprovada em 1976, a democracia de Abril constituiu o momento mais avançado, mais progressista, mais luminoso, de maior modernidade da história de Portugal.

E foi isso que milhares e milhares de portugueses relembraram. A pensar no presente. A pensar no futuro.

 

A pensar, também e inevitavelmente, no processo contra-revolucionário que, iniciado em 1976 pelo primeiro governo PS/Mário Soares e prosseguido por sucessivos governos envolvendo o PS, o PSD e o CDS – todos agindo em frontal desrespeito pela Constituição da República – constituiu uma autêntica declaração de guerra a tudo o que de mais avançado e progressista existia na democracia de Abril.

Tal como o PCP previu e preveniu na altura, a destruição das grandes conquistas da Revolução – reforma agrária, nacionalizações, controlo operário – e a reconstituição do capitalismo monopolista de Estado, vieram acompanhadas de um brutal agravamento da exploração, de graves ataques e limitações às liberdades, direitos e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos, da entrega da independência e da soberania nacionais nas garras do imperialismo norte-americano e da sua sucursal na Europa.

Tal como o PCP previu e preveniu, a entrada de Portugal na CEE/UE constituiu um momento decisivo na ofensiva contra a democracia de Abril – e lendo os textos do PCP desde essa altura, lá encontramos a denúncia dos objectivos dos que cozinharam essa integração; lá encontramos, anunciadas bem à distância, as consequências trágicas dessa integração para Portugal e para os portugueses; lá encontramos, pré-anunciada, a actual invasão e ocupação de Portugal por parte da troika representante do grande capital internacional.

Olhando para a prática dos sucessivos governos da contra-revolução – desde o já referido PS/Mário Soares até ao actual PS/Sócrates, passando pelos presididos por Cavaco Silva, Guterres, Barroso/Santana/Portas... – neles encontramos, como traço comum, a aplicação da mesma política de direita; essa política contra Abril os seus valores e os seus princípios, antidemocrática, antipatriótica, antipopular – essa política que, ao longo de trinta e cinco anos, tem vindo a afundar Portugal e a fazer da vida da imensa maioria dos portugueses um autêntico inferno. Essa política contra a qual se manifestaram milhares e milhares de portugueses, no dia 25, comemorando Abril.

 

No lado oposto das comemorações populares estiveram as outras... as de iniciativa presidencial, longe de Abril e do povo, com convidados cirurgicamente escolhidos, com oradores seleccionados a dedo, ligados à contra-revolução, à destruição das conquistas e da democracia de Abril, à entrega do poder ao grande capital. Entre os oradores, estiveram os dois principais protagonistas da política de direita e, portanto, os dois principais responsáveis pela situação em que Portugal está hoje: Mário Soares e Cavaco Silva.

Ali, não foi Abril que se comemorou. Ali comemorou-se a contra-revolução.

Tratou-se, acima de tudo, de uma despudorada operação de auto-branqueamento de responsabilidades, de um desavergonhado apelo a consensos para a continuação da política de direita que afundou o País.

Tudo isto a confirmar a necessidade do prosseguimento e da intensificação da luta de massas, caminho indispensável para a mudança. Luta que é de todos os dias, que se trava nas empresas e locais de trabalho e nas ruas, em todo o lado onde os efeitos da política de direita se fazem sentir. Luta que estará presente na importante campanha eleitoral que aí vem. Luta que terá expressão significativa no próximo 1.º de Maio, dia do Trabalhador, dia grande de luta e dia de carregar baterias para as lutas que se lhe seguirão.

Todas elas, lutas para travar com a consciência de que lutar pela ruptura com a política de direita é lutar por Abril.


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