Editorial

«A troika ocupante conta com a troika colaboracionista para consumar a ocupação do País»

DAR MAIS FORÇA A QUEM A MERECE

A troika FMI/BCE/UE – representante dos interesses do grande capital financeiro – ocupou Portugal. A confirmá-lo aí está o «acordo» anteontem anunciado pelo primeiro-ministro – um «acordo» de extrema gravidade para os portugueses e cujo verdadeiro significado José Sócrates fugiu a abordar; um «acordo» que constitui um verdadeiro pacto de abdicação e de afundamento de Portugal, situando-se nos antípodas dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Enquanto isto, no plano interno uma outra troika – esta partidária, representando os mesmos interesses e composta pelos três partidos que ao longo de trinta e cinco anos têm levado por diante a política de direita que afundou Portugal – prepara-se para executar com fidelidade invertebrada os ditames do ocupante.

Tudo isto, como o PCP tem sublinhado com insistência e pertinência, num quadro de profunda ilegitimidade e de absoluto desprezo pela Constituição da República Portuguesa.

Com o habitual desrespeito pela inteligência, pela sensibilidade, pelos direitos dos portugueses; com o tradicional desprezo pela independência e a soberania nacionais; com a hipocrisia habitual, fruto de mais de três décadas de experiência na matéria, os três partidos que compõem esta troika nacional fingem estar a preparar programas eleitorais próprios, assim prosseguindo a tentativa de manter a farsa da alternância disfarçada de alternativa com a qual têm vindo a iludir segmentos significativos do eleitorado ano após ano.

Como se não soubéssemos todos – nós e eles – que PS, PSD e CDS-PP têm um programa comum e que esse programa é o que a troika ocupante decidir. Como se não soubéssemos todos – nós e eles – que a troika ocupante conta com a troika colaboracionista como instrumento essencial para consumar a ocupação do País.

E é um facto incontestável que, para esta postura de subserviência e submissão, antipatriótica e de direita, só há uma alternativa: a que o PCP apresenta: de resistência, de luta, patriótica e de esquerda.

 

Face a esta situação, a luta de massas continua a apresentar-se como o caminho essencial para dar a volta a isto, havendo que registar o balanço positivo das acções realizadas, particularmente as mais recentes, nas comemorações do 25 de Abril e do 1.º de Maio.

As manifestações do Dia do Trabalhador, convocadas pela CGTP-IN e levadas a cabo em cerca de meia centena de localidades, constituíram uma importante resposta das massas à situação actual, no decorrer das quais os trabalhadores expressaram o seu repúdio face à ofensiva em curso, fizeram ecoar de norte a sul de Portugal a consigna «Não queremos aqui o FMI!» e assumiram a clara determinação de prosseguir, intensificar e alargar a luta de massas.

E novas lutas se anunciam, ainda para este mês de Maio, designadamente – para além das lutas em curso em múltiplas empresas e locais de trabalho - a greve da Função Pública, marcada para amanhã, dia em que também os agricultores se deslocarão a Lisboa a dizer das suas razões, e a concentração de pescadores junto à residência do primeiro-ministro, no próximo dia 10. Deste conjunto de lutas emergem, como momentos de particular significado e importância, as concentrações anunciadas nos comícios do 1º de Maio para o dia 19, em Lisboa e no Porto.

Trata-se de duas acções de massas cuja preparação por parte de dirigentes e activistas sindicais importa acompanhar em pormenor de forma a garantir o seu êxito: esclarecendo, mobilizando, combatendo a acção nefasta da ofensiva ideológica e a sua acção desmobilizadora, atraindo à participação na luta segmentos mais recuados das massas trabalhadoras, alertando para o que, de facto, está em jogo – e sublinhando que só a luta das massas trabalhadoras pode travar o rumo de declínio nacional em curso e impor um outro caminho para Portugal e para os portugueses.

Trata-se de acções que, como habitualmente, merecem não apenas o apoio do PCP, mas, mais do que isso, a garantia do envolvimento do colectivo partidário comunista em todo o esforço de preparação das concentrações.

 

Neste contexto, a batalha eleitoral que se avizinha – ela própria uma componente da luta de massas, na perspectiva dos comunistas – reveste-se de importância relevante a exigir o correspondente envolvimento de todos os activistas da CDU – militantes do PCP, membros do PEV e da ID, e milhares de cidadãos independentes. Com efeito, é na intervenção determinada e confiante desses activistas – uma intervenção fundada no valor das propostas que apresentamos e das soluções que propomos e na possibilidade real de mudança que delas decorre - que reside a fonte de força essencial de que dispomos nesta batalha eleitoral.

No panorama eleitoral, a CDU constitui, como é sabido, o mais amplo, plural e democrático espaço existente. Nela se congregam, igualmente, as forças políticas inequivocamente empenhadas na luta contra a política de direita e contra a sujeição ao FMI; inequivocamente empenhadas na luta por um novo rumo para Portugal inspirado nos valores e nos ideais de Abril.

Como, a propósito, acentuou o secretário-geral do PCP, nesta campanha eleitoral «é preciso chegar a todo o lado, falar dos problemas e sustentar com convicção as nossas propostas para uma nova política patriótica e de esquerda e insistir, insistir sempre na suprema utilidade do voto na CDU».

Uma utilidade singular, na medida em que o voto na CDU é o único caminho seguro e certo para dar mais força à luta de massas  e às forças que se batem por essa política patriótica e de esquerda.

Para dar mais força a quem a merece.


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