«Em Tripoli começam a faltar bens de primeira necessidade»
Agressão imperialista à Líbia
Barbárie não conhece limites

Depois de tentar assassinar o mais alto responsável de um Estado-Membro das Nações Unidas e do anúncio do uso de fundos soberanos para sustentar os rebeldes líbios, os imperialistas são agora acusados de terem deixado morrer dezenas de imigrantes que fugiram do país na sequência da guerra.

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De acordo com o The Guardian, os pedidos de ajuda de dezenas de imigrantes que seguiam à deriva no Mediterrâneo foram ignorados pela NATO. 61 pessoas acabaram por morrer ao fim de 16 dias de agonia ao largo da ilha italiana de Lampedusa, versão confirmada por alguns dos sobreviventes. Dois destes acabaram, no entanto, por sucumbir após o resgate.

A Aliança Atlântica já anunciou a abertura de um inquérito sobre o sucedido no final de Março, e a confirmar-se que pelo menos um dos vasos de guerra do bloco político-militar imperialista não atendeu ao pedido de ajuda da embarcação que transportava 72 civis (supostamente terá sido o porta-aviões francês de Gaulle), tal representa uma infracção grave ao direito marítimo internacional e um crime que merece repúdio e exige punição.

O jornal inglês sustenta ainda que, só no último mês, cerca de 800 imigrantes de várias nacionalidades já morreram enquanto escapavam à guerra, e que, no total, desde o início da agressão imperialista contra a Líbia, mais de 30 mil pessoas já foram obrigadas a empreender êxodo rumo à Europa.

A negação de socorro a civis e a imensa massa humana obrigada a fugir do conflito são episódios que ilustram que a barbárie imperialista na Líbia não conhece limites, prática que vai continuar com mais bombardeamentos da NATO, como confirmou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, para quem o regime de Muammar Kahdafi «não tem futuro».

Rasmussen proferiu estas palavras uma semana depois de a Aliança Atlântica ter atacado a residência do chefe de Estado líbio, matando um dos seus filhos e três dos seus netos, e no mesmo dia em que relatos divulgados pelos órgãos de comunicação social dão conta de que na capital fustigada pelas bombas imperialistas, Tripoli, começam a faltar bens de primeira necessidade.

O cenário não é muito diferente em cidades como Misrata, na qual alguns grupos rebeldes se terão rendido às tropas regulares, mas onde permanece o impasse militar, razão pela qual o governo líbio aceitou a proposta do enviado das Nações Unidas, Abdel Khatib, permitindo não apenas a entrada de ajuda de emergência para as populações, como acedendo a autorizar a saída do país a todos os que a solicitarem.

 

Vale tudo

 

Entretanto, o chamado Grupo de Contacto com a cúpula rebelde decidiu usar os fundos soberanos da Líbia para apoiar o auto intitulado Conselho Nacional de Transição, medida prontamente qualificada pelo governo líbio como ilegal, já que, defende o executivo do regime de Kahdafi, quem decidiu carece de instrumento legais para distribuir os cerca de 30 mil milhões de dólares em causa.

Acresce a entrada em cena do Tribunal Penal Internacional, que através do magistrado Luís Moreno-Ocampo revelou deter provas de que as forças regulares leais a Kahdafi mataram milhares de civis.

A divulgação das provas tarda, e o próprio Ocampo admitiu que serão difíceis de estabelecer, embora tenha garantido deter relatos, vídeos e fotos, debilidades que, paradoxalmente, não impedem o TPI de preparar já três mandados de captura. Os alvos são, até informações em contrário, igualmente desconhecidos.

Na guerra mediática para conformar uma realidade que justifique a barbárie, dois outros elementos se destacam. Os EUA bloquearam, a semana passada, os activos da emissora estatal líbia e proibiram os cidadãos norte-americanos de negociar com ela. A emissora é das poucas que relata os ataques contra alvos civis empreendidos pela NATO.

No mesmo sentido, o enviado da Telesur a Tripoli, Rolando Segura, ouviu jornalistas locais que se manifestam indignados por terem visto os seus trabalhos deturpados. Testemunhos de líbios contra a intervenção da NATO e em defesa de Kahdafi e da unidade do país foram substituídos por voz-off onde se apresentavam os mesmos relatos como de vítimas do regime, asseguraram ao repórter da emissora latino-americana.



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