Um ano depois da entrada do FMI tudo está pior na Grécia
Greve geral paralisa Grécia
Contra o novo assalto

Quando se anuncia um novo memorando com a troika FMI/BCE/UE, que impõe novos sacrifícios ao povo, o clima social na Grécia torna-se cada vez mais explosivo à medida que o país se vai afundando na depressão.

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Após um ano de duras medidas de austeridade, que já retiraram um terço do poder de compra a amplas camadas de trabalhadores, muitos são aqueles que se interrogam: para onde foi o dinheiro? O descrédito dos partidos burgueses cresce à razão do agravamento dos problemas do país: o desemprego, que duplicou em menos de dois anos, atinge 15,1 por cento; as contas públicas degradam-se; o Estado resvala perigosamente para a bancarrota e volta a estender a mão à «ajuda» externa.

Sem outra cura que não provoque a morte do paciente, o poder burguês esforça-se para conter as convulsões das massas, manobra com mais promessas, abafa protestos com repressão, mas sente que a situação ameaça fugir ao seu controlo.

Na última semana, marcada pela grande greve geral de dia 11, que paralisou a generalidade dos sectores de actividade, os cordões policiais foram reforçados com novos contingentes, especialmente junto ao parlamento, local a que afluíram milhares de manifestantes.

A maior manifestação em Atenas, organizada pela PAME, a central sindical de classe grega, chegou ao fim sem incidentes. Porém, o desfile das centrais reformistas GSEE e ADEDY, no qual se infiltraram elementos provocadores, terminou em violentos confrontos com a polícia. Os agentes dispararam granadas de gás lacrimogéneo e atacaram brutalmente os manifestantes a pontapé e à bastonada. Uma das muitas vítimas foi levada para o hospital entre a vida e a morte.

No dia seguinte, uma nova manifestação de grupos anarquistas voltou a ser dispersa violentamente pela polícia. Em Dezembro de 2008, o assassinato do jovem Alexis pela polícia desencadeou uma vaga de protestos e motins urbanos que durou várias semanas.

Hoje, alguns políticos já não escondem que a explosão está iminente: «Se não conseguirmos recuperar a economia do país, eles agarram-nos», declarou um ministro citado pelo correspondente do L´Humanité (13.05) na capital grega.

 

Uma poderosa greve

 

O anúncio de um novo pacote de austeridade pelo governo de Papandreu foi a contrapartida exigida pela troika FMI/BCE/UE para conceder à Grécia mais um balão de oxigénio e assim impedir o colapso das finanças. A imprensa fala num novo empréstimo de 50 a 60 mil milhões de euros, que se irão somar aos 110 mil milhões de euros contraídos em Maio de 2010, totalizando cerca de dois terços do Produto Interno Bruto.

Todavia, se os grandes bancos franceses e alemães, detentores de uma grande parte da dívida grega, podem esfregar as mãos, seguros de que continuarão a receber juros usurários, a esmagadora maioria do povo helénico está confrontada com uma deterioração sem precedentes das suas condições de vida.

As medidas preconizadas pelo governo visam mais cortes nos salários dos trabalhadores da administração pública e das antigas empresas públicas, nas prestações sociais, na Saúde, Educação, protecção e Segurança Social, a desregulamentação laboral e o aumento de impostos sobre o consumo.

No dia em que, pela segunda vez este ano, tudo estava parado na Grécia, não havia comboios nem barcos, jornais ou noticiários, a secretária-geral do Partido Comunista da Grécia, Aleka Papariga, presente na manifestação da PAME, acusou o governo de estar a conduzir o país para uma «bancarrota organizada e controlada» e sublinhou que ao povo trabalhador cabe «escrever em letras grandes a sua página na história deste país. A sua raiva precisa de se transformar em força para que possam passar ao contra-ataque. Não há outro caminho.»



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