A sua liderança não implicava qualquer tipo de autoritarismo
Romagem assinala sexto aniversário da morte do General Vasco Gonçalves
Para sempre na memória e no coração<br>dos homens e mulheres de Abril

Mais de uma centena de pessoas participaram, sábado, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, numa romagem de homenagem ao General Vasco Gonçalves, por ocasião do sexto aniversário da sua morte.  

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Com esta iniciativa, promovida pela Associação Conquistas da Revolução, pretendeu-se recordar a memória do «Companheiro Vasco», figura maior da história da nosso País, para sempre ligado à Revolução de Abril e ao processo revolucionário que lhe sucedeu, que se traduziu em importantes e significativos avanços económicos, políticos, sociais, culturais, civilizacionais.

«Irradiava do General Vasco Gonçalves um dom pouco vulgar que se designa por carisma, que, através da palavra e do gesto, da entoação e da postura, actua de tal modo sobre as pessoas que as faz crer, ganhar confiança e força, encarnando algo por que ansiavam e acreditaram poder alcançar através dele», afirmou, na ocasião, o Comandante Manuel Begonha, frisando: «Apenas com a palavra foi capaz de derrubar as cortinas do desespero, fazendo surgir a luz da esperança».

Na sua intervenção, escutada depois de um minuto de silêncio, foi ainda valorizada a condição de Vasco Gonçalves de «engenheiro, amante da música, da matemática e da literatura, competente técnico e militar exigente, respeitador da disciplina e da ordem». Tudo isto, «num vendaval de opiniões, iniciativas, desencantos e decepções próprias de um período revolucionário».

«Para ele a política, a moral e a ética eram inseparáveis, sem que tal implicasse fraqueza ou ingenuidade», recordou, citando-o, num discurso em Almada: «O socialismo que queremos consiste também na possibilidade de cada cidadão ser um homem de lisura, um homem limpo, um homem íntegro, um homem transparente».

Palavras que espelham a personalidade de Vasco Gonçalves. «A sua liderança não implicava qualquer tipo de autoritarismo, sendo antes através do exemplo que transmitia as suas directivas, como um líder no topo que nunca esquecia a base», afirmou Manuel Begonha, continuando: «Respeitava as outras pessoas pelas suas opiniões, mesmo que não concordasse com elas, ou se quisermos, era capaz de discordar respeitando ao mesmo tempo a pessoa».

Entretanto, a Revolução ia consolidando as suas conquistas, criando novos rumos que Vasco Gonçalves impulsionou e que se revelaram de importância nacional e internacional, pois apontavam os caminhos do futuro.

«Estas conquistas e a sua consequente diluição [com a contra-revolução] muito custaram ao General, pois foram muitas vezes ameaçadas pelas armas, quando este pensava "que as armas que protegiam a Revolução não a tornavam invencível, porque quem pegar em armas irá padecer perante as armas"», salientou o Comandante, recordando que o General «não tinha ambições de poder», mostrando a sua firmeza ao dizer: «Ninguém está agarrado ao lugar, mas todos estamos ligados à Revolução. Uma revolução que não queremos ver recuar e muito menos perder» e, noutra situação, «O MFA só fixa um objectivo: lançar os fundamentos para que o povo português possa escolher livremente as instituições para que se quer reger. Depois recolheremos aos quartéis para defender as conquistas democráticas.»

 

Defender as conquistas de Abril

 

«Passados todos estes anos e face à implacável ofensiva, que se tem agravado, para destruir as conquistas da Revolução e a democracia de Abril, o pensamento e a obra do General Vasco Gonçalves, que não se podem aprisionar, continuarão a ser estudados, visto ser um poderoso instrumento de transformação social», salientou Manuel Begonha, da Associação Conquistas da Revolução, frisando: «Não tenho dúvidas de que Portugal no futuro chegará à conclusão de que este homem estava certo, sendo aqueles que o derrubaram quem deveriam ter sido julgados como verdadeiros criminosos».

Neste sentido, continuou, «devemos ser dignos de Vasco Gonçalves, que perseguiu sempre o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivam em comunidade, pacificamente e com igualdade de oportunidades». «Nós temos que ser a geração dos homens que se sacrificaram», disse, um dia, Vasco Gonçalves.

Em nome do General Vasco Gonçalves, o Comandante leu uma frase de Brecht: «Não necessito de pedra tumular, mas se necessitarem de uma para mim, gostaria que nela estivesse: Ele fez sugestões, nós as aceitámos. Por tal inscrição, estaríamos todos honrados».

Este momento, onde os cravos de Abril marcaram presença, contou com a participação, entre muitos outros, do Comandante Costa Santos, Manuel Sá Marques, Coronel Duran Clemente, Sargento Joaquim Ponte, Coronel José Emílio da Silva, Filipe Diniz, Capitão de Mar e Guerra Henrique de Mendonça, Cabo Vítor Lambert, Comandante Rodrigues Soares, Modesto Navarro, Capitão de Mar e Guerra Vieira Nunes, José Sucena, Beatriz Nunes, José Capucho, Nuno Lopes, Coronel Santos Silva, Coronel Bilstein Sequeira, Comandante Sequeira Alves, Vítor Neves, Coronel Andrade Silva, Comandante Loureiro Barbosa, Rita Magrinho, Margarida Aboim Inglês, Luísa Ramos, Martins Nabais, Sargento Manuel Custódio, Vítor Agostinho, José Casanova, Glória Marreiros, Valdemar Santos, João Paiva e Capitão de Mar e Guerra Armando Nabais.

 

Associação Conquistas da Revolução

 

A Associação Conquistas da Revolução, com mais de 500 associados, terá a sua primeira Assembleia-Geral  no dia 18 de Junho, na Casa do Alentejo, em Lisboa, onde serão discutidos os objectivos e os estatutos da associação, assim como eleita a Comissão Instaladora, para, em Outubro, ser feita a eleição dos órgãos dirigentes. «Queremos e vamos continuar a honrar o General Vasco Gonçalves, revolucionário do 25 de Abril e de Portugal», salientou, na ocasião, Modesto Navarro, lembrando: «Com a situação que hoje atravessamos, há todas as razões para defender as conquistas de Abril. Nós não as traímos, retomamo-las e queremos que elas se desenvolvam em Portugal».



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