Editorial

«O programa do Governo é a continuação agravada da política de desastre nacional»

TEMPO DE RESISTIR E DE LUTAR

A política de direita, ao longo dos seus longos trinta e cinco anos de vida,  tem recorrido a múltiplos malabarismos para fingir que não é o que é: uma política de classe, ao serviço dos interesses do grande capital, praticada por sucessivos governos do PS e do PSD - sozinhos, de braço dado ou com o CDS/PP atrelado.

O malabarismo actual consiste em, cavalgando o justo descontentamento generalizado do povo face ao governo PS/Sócrates, situar a origem e as causas do estado a que o País chegou, exclusivamente nos seis anos desse governo. Com isso o que pretendem, de facto, é absolver a política de direita e os seus reais executantes e criar condições para a prosseguir nas actuais circunstâncias, de acordo com o tradicional mais do mesmo para pior.

Ouvindo ou lendo o que dizem quer os actuais governantes quer os analistas de serviço, dir-se-ia que, antes desse governo, tudo estava bem, que Portugal era uma espécie de paraíso e que só passou a ser o inferno que é, durante e após os seis anos de governação PS/Sócrates.

Ora, se é verdade que, como já aqui foi sublinhado, o Governo PS/Sócrates, cumprindo diligentemente a tarefa de que o grande capital o encarregou, levou mais longe do que qualquer outro o afundamento de Portugal, a verdade completa manda que se diga que o estado a que o País chegou decorre de três décadas e meia de governos compostos, nos mais diversos arranjos, pelos três partidos da política de direita.

Por isso é preciso lembrar todos os dias que são esses partidos – eles e só eles com a política por todos levada à prática – os culpados da situação dramática em que se encontra o País. E que há uma alternativa a essa política sempre igual e a esses governos sempre iguais.

Esta clarificação é tanto mais necessária quanto ela é indispensável para dar à luta contra a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda a dimensão e a força que a situação exige.

 

Que os tempos que aí vêm serão difíceis disse-o o Comité Central do PCP e sabemo-lo mesmo antes de ver este Governo a executar o seu programa.

Não são necessárias especiais capacidades de previsão para saber o que é o programa do Governo que hoje e amanhã será discutido na Assembleia da República. Sobre ele diz-se tudo dizendo que se trata do cumprimento cego e subserviente do pacto de submissão e agressão assinado pela troika nacional de joelhos perante a troika ocupante e com o apoio explícito e empenhado do Presidente da República. Ou seja: este programa que o Governo, em colaboração com o PS, se prepara para aplicar não só não é solução para os problemas nacionais, como conduzirá ao dramático agravamento de todos os problemas existentes.

O que aí vem é a continuação agravada, muito agravada, da política que tem vindo a afundar Portugal e a flagelar brutalmente os interesses e direitos dos trabalhadores e do povo; é o agravamento da situação económica e social; é o agravamento das condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses - é toda uma situação para a qual a resposta das massas trabalhadoras e populares só pode ser uma: continuar, alargar e intensificar a luta.

São muitos e muito graves os problemas concretos que afligem os trabalhadores e as populações  - e serão mais e mais graves ainda os que a aplicação do pacto das troikas provocará.

E é em torno desses problemas concretos que devem centrar-se as prioridades da luta no momento actual – levando-a por diante quer nos locais de trabalho e de residência, quer em acções de maior dimensão, inclusive de carácter geral e nacional.

Nessa luta o colectivo partidário comunista, como lhe compete, ocupará a primeira fila. E o PCP, como lhe compete, desenvolverá todos os esforços para o seu reforço e o seu êxito.

 

Nos últimos dias, a influência social do PCP tem sido muito falada e enaltecida por executantes e propagandistas do pacto das troikas – coisa que só não surpreende porque, como sempre acontece nestas circunstâncias, traz água no bico...

Rui Machete, ex-ministro da política de direita – e, portanto, um dos responsáveis pela situação do País – invocando essa influência social, fez mesmo um apelo ao «sentido de responsabilidade do PCP», expressão que traduzida significa conter a luta de massas, servir de tampão à expressão do justo descontentamento popular, enfim dar uma ajuda à política de direita.

Como se vê é grande o equívoco patente nesse apelo.

O sentido de responsabilidade do PCP, hoje como ao longo dos seus noventa anos de vida, radica no cumprimento do compromisso de luta assumido com a classe operária, os trabalhadores e o povo.

O PCP é o único partido que, com coerência e determinação, tem combatido a política de direita desde que ela foi iniciada pelo Governo PS/Mário Soares – num combate complementado pelos alertas, sempre confirmados pela realidade, sobre as consequências de tal política para o povo e para o País e pela apresentação de propostas concretas visando atenuar o peso gravoso dessas consequências sobre os trabalhadores e o povo; complementado, também, com a demonstração fundamentada de que há uma alternativa: a substituição da política de desastre nacional por uma política patriótica e de esquerda; complementado, sempre, com a afirmação convicta de que essa alternativa só é concretizável através da luta organizada dos trabalhadores.

Essa luta para o reforço, a intensificação e o êxito da qual o PCP se empenhará com todas as suas forças – e com toda a sua influência social.

É esse o sentido de responsabilidade dos comunistas portugueses.


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