Falecimento de Luís de Azevedo
Um percurso de luta pela liberdade

Faleceu no dia domingo, 26, aos 86 anos, Luís de Azevedo, fundador e Presidente da Assembleia Geral (desde a sua criação há 24 anos) da Associação Intervenção Democrática.

Prestigiado advogado e antifascista de sempre, que apoiou e participou nas acções do povo contra a ditadura fascista, tendo sido ainda um corajoso defensor dos presos políticos nos tribunais plenários, o seu funeral realizou-se segunda-feira, para o cemitério do Alto de S. João, onde o corpo foi cremado.

E foram muitos os que na hora da despedida quiseram dizer um último adeus a esta destacada personalidade que se distinguiu pelas suas qualidade humanas e políticas, pelas sua coerência e intransigente defesa dos valores de Abril, pela sua capacidade técnica no plano da advocacia.

No funeral, esta segunda-feira, onde esteve presente uma delegação do PCP constituída pelo seu Secretário-geral, Jerónimo de Sousa, por Jorge Cordeiro, da Comissão Política, e José Neto, do CC, foi esse perfil de opositor férreo às políticas de direita e ao neoliberalismo, de «democrata na verdadeira acepção do termo», de «homem de paz e pela paz» que João Corregedor da Fonseca traçou numa comovida intervenção de homenagem.

«Homem solidário. Homem de carácter, nunca tergiversou, nunca vacilou na defesa intransigente dos princípios por que sempre norteou a sua vida. Afável, bem disposto, era de uma firmeza ideológica sem limites», sublinhou Corregedor da Fonseca, seu companheiro na direcção da ID, que lembrou ainda que «como homem verdadeiramente de esquerda via com consternação (…) os caminhos que obrigaram Portugal a percorrer, numa perversa lógica capitalista que afundou o País lançando milhões de portugueses no desespero».

Recordado foi igualmente o facto de o seu escritório, que partilhava com José Lopes de Almeida e Levy Baptista, ter sido antes do 25 de Abril ponto de encontro de antifascistas e de nele ter nascido a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.

Ainda sobre Luís de Azevedo e o seu percurso pessoal e político, Corregedor da Fonseca considerou não ser esta uma «tarefa difícil», porquanto, destacou, «era uma personalidade límpida, transparente, nunca dando guarida ao sofisma, à mentira, à habilidade tortuosa (…), truques estes provenientes principalmente dos meandros do poder».

Lembrado foi também o facto de ser um homem que «não sabia recusar causas positivas». E por isso, frisou, «empenhou-se com entusiasmo na constituição de uma Fundação Cultural – a Fundação Internacional Racionalista (FIR) – uma ideia do engenheiro Barreiros Marques, à qual aderiram, além do próprio Corregedor da Fonseca, o engenheiro Blasco Hugo Fernandes, bem como os professores Dulce Rebelo, Borges Coelho, José Croca, Rui Moreira e Hernâni Resende, entre outros.

João Corregedor da Fonseca realçou ainda o facto de Luís de Azevedo, «que sempre defendeu a CDU», não hesitar em «expor com clareza o seu pensamento, as suas opiniões, mesmo as mais críticas, sempre com a ideia de que era, e é, necessário manter uma luta constante contra as políticas de direita, contra o reaccionarismo, contra as medidas capitalistas, contra o neoliberalismo, contra a corrupção».

Como nota final, dirigida à família, aos filhos e em especial à mulher de Luís de Azevedo, Amanda, Corregedor da Fonseca, em nome da ID, deixou ainda uma garantia: «[a de que] tentaremos seguir o exemplo deste homem bom, deste homem de imenso carácter.»

O Secretariado do CC do PCP, em mensagem enviada à Comissão Directiva da Intervenção Democrática, associou-se igualmente ao pesar pela perda de Luís de Azevedo, vendo nele um «advogado de reconhecidos méritos» e uma «destacada personalidade democrática com um longo percurso de luta pela liberdade e os valores de Abril, companheiro de muitas e importantes lutas comuns por um Portugal melhor, mais solidário e mais justo».

 



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