O pessoal dos empreiteiros está ainda pior
Menos direitos, mais precariedade e acidentes
Casos graves na <i>SN Seixal</i>

Três acidentes de trabalho, em dois dias da mesma semana, vieram evidenciar os efeitos da retirada de direitos, da elevada precariedade e da limitação da liberdade na SN Seixal.

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A SN Seixal, que resultou do desmembramento e da privatização da Siderurgia Nacional, está agora em paragem técnica, para operações de manutenção. A maioria dos trabalhadores está de férias e não se nota ali a azáfama dos meses normais.

Não fora o alerta dado pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras e Actividades do Ambiente (SITE Sul, da Fiequimetal/CGTP-IN), e talvez tivesse passado despercebida, fora dos muros da grande unidade industrial de Paio Pires, no concelho do Seixal, a sucessão de acidentes de trabalho com que fechou a primeira semana deste Agosto: no dia 4, no sector de laminagem, um trabalhador da Teixeira Duarte caiu do telhado, durante a montagem de um exaustor, e partiu uma perna; nessa mesma quinta-feira, na aciaria, um trabalhador da Sotecnogaio partiu um braço, também devido a uma queda; no dia 6, sábado, um trabalhador da Climex foi atingido por um bilete, que lhe provocou um grave golpe numa perna.

«Acidentes de trabalho como estes, e até piores, há muito tempo que são normais na SN Seixal, dada a dureza do trabalho de fabricação e transformação do aço e a ausência de liberdade para a exigência de melhores condições», referia-se no comunicado que o sindicato divulgou no dia 10.

Nesse documento, mais uma vez, o SITE Sul voltou a chamar a atenção para outro facto: «Se é assim para os trabalhadores da SN Seixal, para os trabalhadores das empresas que ali prestam serviço foi sempre muito pior, já que as suas condições de segurança e de trabalho são imensamente inferiores». Ao pessoal dos empreiteiros «raramente são aplicados direitos contratuais e legais, tendo apenas o direito a trabalhar durante as horas que as suas entidades patronais querem», e «a reclamação de condições de trabalho é, por norma, proibida».

O sindicato voltou a comunicar as ocorrências à Autoridade para as Condições do Trabalho, recordando que esta conhece a situação mas «tem normalmente uma intervenção muito insuficiente» em casos deste género. A ACT já reagiu à comunicação e deu nota de pretender cumprir a sua obrigação legal. Mas é compreensível o cepticismo com que o resultado é esperado pelos representantes dos trabalhadores, que insistem na importância da unidade e da acção colectiva, para a resolução mais eficaz dos problemas.

«Nós já por várias vezes propusemos, por exemplo, que durante as paragens técnicas não podem continuar a mandar embora todos os trabalhadores, é preciso que fiquem cá pontistas, porque quem vem apenas uns dias para trabalhos de manutenção precisa deles para manobrar com mais segurança as pontes e os empilhadores» contou-nos Manuel Cambado, este sábado, afirmando a determinação de insistir na proposta ignorada.

Dirigente sindical e coordenador da Comissão de Trabalhadores, organizado na célula do PCP na empresa, mostrou-nos o mais recente comunicado do SITE Sul, datado de dia 2. Em defesa do direito a 25 dias de férias (e contra a decisão da administração de contar como férias de 2011 dias de não laboração em 2010), pela correcta classificação profissional, contra a discriminação salarial, pela efectividade do vínculo de trabalhadores em cujo contrato foi colocada uma justificação ilegal para a contratação a prazo, contra as mais recentes medidas do Governo, «temos condições para resistir e vencer», reafirma o sindicato.

As batalhas serão retomadas já no início de Setembro.



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