Editorial

«A Festa é uma componente da luta das massas trabalhadoras e populares»

A LUTA E A FESTA

Alertou o PCP, na devida altura, para a questão essencial: que nenhuma das medidas do «programa da troika» – do qual, recorde-se, o PS foi o primeiro subscritor, logo seguido pelo PSD e pelo CDS/PP – resolveria um só dos muitos e graves problemas existentes, e que todas elas agravariam brutalmente todos esses problemas.

Assim está a acontecer, para mal dos trabalhadores, do povo e do País: acentua-se a recessão; sucedem-se as falências e encerramentos de empresas e de estabelecimentos; o desemprego aumenta; cresce o número de trabalhadores com salários em atraso; crescem e agravam-se perigosamente os problemas da juventude e das novas gerações; crescem e alastram as injustiças sociais; agrava-se a situação da imensa maioria dos portugueses – e melhora todos os dias, e de que maneira!, a situação da imensa minoria composta pelos chefes dos grandes grupos económicos e financeiros.

E assim continuará a acontecer, enquanto não se der ao dito «programa» o destino que merece e não for posto termo a esta política de declínio e afundamento nacional. Tanto mais que, como o PCP previu – e como publicamente reconhecem a troika ocupante e o Governo que é seu criado – «o pior ainda está para vir».

Setembro será um mês negro para os trabalhadores e para o povo: é o mês da acentuação da aplicação das sinistras medidas da troika, visando matérias que vão desde as alterações à legislação laboral, com o objectivo de liquidar direitos fundamentais dos trabalhadores, até às privatizações, com a entrega ao grande capital do que resta de empresas do Estado que dão lucro. É, ainda, o mês do aumento das taxas moderadoras e dos medicamentos, do ataque às rendas de casa, do ataque (mais um) ao Poder Local – a par de medidas já decididas e que, no princípio desse mês, entram em vigor, como é o caso do brutal aumento da electricidade e do gás.

 

Por tudo isso, é bom relembrar que esta troika que, às ordens do grande capital financeiro internacional (FMI, EU, BCE) ocupou Portugal, fê-lo perante a submissão de uma troika local colaboracionista, para a qual a defesa dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros constitui exclusiva preocupação – como comprova a sua prática em sucessivos governos ao longo de trinta e cinco anos.

E é necessário demonstrar, tantas vezes quantas as necessárias, que nem essa política de direita nem o «programa da troika», são «inevitabilidades».

Porque, ao contrário do que dizem os propagandistas desse programa e dessa política, há uma alternativa a esta situação: uma alternativa que passa, em primeiro lugar, pela rejeição patriótica do pacto de agressão e de submissão – rejeição essa que, nas actuais circunstâncias, deverá constituir o objectivo maior, não apenas dos comunistas, mas de todos os democratas e patriotas e do povo português. E porque, em segundo lugar, a concretização da alternativa passa pela implementação da política patriótica e de esquerda propugnada pelo PCP – proposta de difícil concretização, sem dúvida, mas, também sem dúvida, possível de alcançar se os trabalhadores e o povo a tomarem nas mãos, a fizerem sua e por ela se baterem.

É na luta de massas que está o caminho para a saída da grave situação a que a política de direita fez chegar Portugal e é a luta de massas – a luta dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens, das populações, dos pequenos e médios empresários, de todos os que são vítimas desta política contrária aos interesses dos trabalhadores, do povo e do País – que construirá a alternativa que dará início à resolução dos muitos e graves problemas existentes.

 

Nessa luta, o colectivo partidário comunista, consciente da situação que se vive e do papel do Partido na procura de um rumo diferente para Portugal, desempenha um papel primordial.

Para todas as organizações partidárias, a preocupação prioritária deve ser a de criar condições para o desenvolvimento da luta em todo o lado onde as consequências nefastas da política de direita se fazem sentir: nas empresas e locais de trabalho, nas localidades, nos campos, nas escolas – e também na Festa do Avante!

Sabemos que a Festa constitui, no momento presente, a tarefa principal para o nosso grande colectivo partidário – e sabemos igualmente que quanto maior e mais participada ela for, mais forte e mais participada será a luta nas semanas e meses a seguir.

Com efeito, a Festa é ela própria uma componente da luta das massas trabalhadoras e populares – porque, sendo produto da entrega, da dedicação, da inteligência, da imaginação criadora, da perspectiva transformadora e revolucionária, do trabalho de milhares e milhares de homens, mulheres e jovens, militantes e amigos do Partido, nela estão presentes os anseios e aspirações das massas trabalhadoras e nela está presente a importância decisiva da luta que conduzirá à concretização desses anseios e dessas aspirações.

Acresce que a Festa do Avante!, quer no seu processo de construção, quer nos três dias da sua duração, é também um momento e um espaço para acumular energias, para o necessário carregar de baterias para as lutas do futuro imediato.

Daí a necessidade de, nestas duas semanas que ainda temos à nossa frente, dedicarmos à sua construção toda a nossa atenção e todas as nossas energias – designadamente participando nas jornadas de trabalho e procedendo à ampla divulgação da Festa e à indispensável venda das EP’s – fonte de financiamento fundamental desta realização partidária que, talvez como nenhuma outra, exemplifica a nossa identidade comunista e evidencia a singularidade do PCP no quadro partidário nacional.


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