- Edição Nº1969  -  25-8-2011

Nota do PCP
Sobre os acontecimentos<br> de 19 de Agosto de 1991 na URSS

Em nota publicada pelo PCP no sítio da Internet, que abaixo reproduzimos na íntegra, o Partido faz uma apreciação sobre os acontecimentos de 19 de Agosto de 1991 na URSS, que cumpriram, sexta-feira, 20 anos.

«Os acontecimentos de 19 de Agosto de 1991 na URSS, que os apologistas do capitalismo estão a assinalar com uma clássica operação de diversão ideológica, constituíram uma tentativa desesperada e fracassada de altos dirigentes do Partido e do Estado soviéticos para impedir a desagregação da URSS, num episódio mais da aguda luta que então se travava na União Soviética pelos destinos deste poderoso país multinacional e do seu sistema socialista. Tratou-se de um acontecimento que serviu então de pretexto para uma violentíssima campanha internacional anticomunista, campanha que além de visar o enfraquecimento, divisão e degenerescência dos partidos comunistas, pretendia sobretudo justificar a brutal ingerência do imperialismo nos assuntos internos do Estado Soviético e dar cobertura política e ideológica às forças contra-revolucionárias que, rasgando a Constituição soviética, preparavam já o assalto ao poder. Assalto que veio a consumar-se pouco tempo depois com a dissolução e proibição do PCUS, e, ulteriormente, com todo um conjunto de actos violentos e criminosos, de que o bombardeamento do Soviete Supremo é exemplo particularmente significativo.

«Historicamente o que é relevante não são os acontecimentos de 19 de Agosto mas a veloz escalada contra-revolucionária encabeçada por Ieltsin que, contra a expressa vontade do povo soviético – no referendo de 17 de Março desse ano, e apesar da confusão já então instalada na sociedade, 76 por cento dos soviéticos votaram pela continuação da URSS – conduziu ao desmantelamento da URSS e à destruição do seu sistema sócio-económico socialista. Sistema que, apesar de atrasos, erros e deformações que se tornara necessário superar, revelara bem a sua superioridade em relação ao capitalismo, trouxera ao povo soviético grandes conquistas e realizações, dera a mais heróica e decisiva contribuição para a derrota do nazi-fascismo e exercera uma influência determinante nos grandes avanços transformadores e revolucionários do século XX. A sua destruição não podia deixar de representar, como representou de facto, grandes perdas e imensos sacrifícios para os trabalhadores e para os povos da URSS e para os povos de todo o mundo.

«Com o desaparecimento do poderoso contra-peso que a URSS e o sistema socialista representavam em relação ao imperialismo e à sua política exploradora e agressiva, e a brutal alteração da correlação de forças daí resultante, o mundo tornou-se mais injusto, mais perigoso, mais desumano.

«Vinte anos depois, revela-se com toda a nitidez a falsidade e hipocrisia dos argumentos “democráticos” e “humanos” que presidiram à campanha anti-soviética e anticomunista em torno dos acontecimentos de 19 de Agosto de 1991, falsidade e cinismo que o PCP desde logo denunciou, enfrentando com firmeza as operações de falsificação e calúnia que visavam, em Portugal, desprestigiar, enfraquecer e dividir o colectivo partidário, confirmando e afirmando os seus princípios e identidade revolucionária e expressando inteira confiança no ideal e no projecto comunista.

«É oportuno realçar a derrota política e ideológica daqueles que então apregoaram a “morte do comunismo”, o “declínio irreversível” do PCP, o “fim da luta de classes”, o “fim da História”, em suma, a derrota da apologética de um capitalismo triunfante e revanchista pretendendo rescrever a História à medida do seu interesse.

«A realidade da profunda crise em que o sistema capitalista se encontra mergulhado fala por si. O capitalismo não só se revela incapaz de resolver os problemas dos trabalhadores e dos povos como tende a agravá-los profundamente, pondo em risco, com a corrida ao máximo lucro, a agressão ambiental e a guerra, a própria existência da Humanidade. Como assinalou o XVIII Congresso do PCP, a alternativa ao capitalismo, o socialismo, é mais actual e necessária do que nunca».