Editorial

«Tudo isto faz do PCP um partido necessário, indispensável e insubstituível»

O PARTIDO, A FESTA E A LUTA

Na intervenção proferida no sábado passado, por ocasião do encontro com os construtores da Festa do Avante!, o Secretário-geral do PCP lembrou a dada altura: «Dissemos na campanha eleitoral que, fosse qual fosse o resultado, o PCP lá estaria nos dias seguintes, nos meses seguintes, na primeira linha da luta do nosso povo. Estamos a cumprir essa promessa».

Estamos, de facto, e é importante lembrar isso, na medida em que, fazendo-o, sublinhamos um traço distintivo do PCP em relação à generalidade dos outros partidos: de um lado, os comunistas, dizendo a verdade e honrando a sua palavra; do outro lado, os que fazem das campanhas eleitorais despudoradas operações de caça ao voto através de muitas promessas feitas e esquecidas mal os votos são contados – e repetidas na campanha seguinte…

E nenhum local seria mais apropriado para o camarada Jerónimo de Sousa relembrar esse facto do que ali, onde milhares de militantes e amigos do Partido, através do trabalho voluntário e colectivo, erguem aquele que, durante o próximo fim-de-semana, será o ponto de encontro fraterno e solidário de milhares de homens, mulheres, jovens e crianças, que será durante três dias a mais acolhedora cidade de Portugal.

Olhando para o quadro partidário nacional, olhando para o que fazem o PSD e o CDS/PP no Governo; olhando para o PS que está, não «desaparecido em combate» mas «desaparecido sem combate»; e olhando para o BE, que, fértil em verbalismo, centra a sua actividade no parlamento – olhando para essa realidade, é fácil de ver que aumentam as responsabilidades do PCP no que toca às respostas a dar à situação àquela que é, neste contexto, a questão crucial: o desenvolvimento, o alargamento e o reforço da luta de massas. Responsabilidades que o PCP assume, hoje, com a mesma determinação com que o fez ao longo da sua longa história.

É dessas responsabilidades que falamos quando dizemos que o PCP é um Partido necessário, indispensável e insubstituível.

 

O PCP, o colectivo partidário comunista, está, de facto, na primeira linha da luta: da luta contra a política de direita causadora da dramática situação em que o País se encontra; da luta contra as medidas com as quais o Governo PSD/CDS está, e se prepara para continuar, a flagelar impiedosamente as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo; da luta contra o pacto de submissão e agressão imposto pela troika ocupante com o colaboracionismo anti-patriótico dos partidos da política de direita: PS, PSD e CDS/PP; da luta contra o congelamento de salários e reformas; da luta contra os aumentos dos preços, designadamente os inadmissíveis aumentos dos transportes; da luta contra o roubo do subsídio de Natal a milhões de portugueses; da luta contra as privatizações e a entrega do que é de todos aos mesmos de sempre; da luta contra a destruição de serviços públicos essenciais; da luta contra as alterações à legislação laboral e o roubo de direitos a quem trabalha e vive do seu trabalho; e, mais uma vez e sempre, da luta contra o famigerado pacto de submissão e agressão, pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, pela defesa da independência e da soberania nacionais – da luta visando pôr termo a esta política antipatriótica e de direita e pela conquista de uma política patriótica e de esquerda.

E porque tudo isso está presente em todo o processo de construção da Festa do Avante! – e tudo isso será motivo de diálogo e de debate durante os três dias que ela dura – a Festa é, ela própria, uma etapa dessa luta e uma poderosa jornada de luta.

As 6300 participações nas jornadas de trabalho – o número mais elevado dos últimos anos – são bem a demonstração da disponibilidade dos comunistas para a necessária luta que temos à nossa frente.

A confirmar que o Partido que constrói esta Festa que mais ninguém consegue construir é um partido necessário, indispensável e insubstituível.

 

Esta Festa feita à nossa maneira comunista, com esta participação militante, dedicada, em que cada um, porque participa na sua edificação, a sente como sua, como nossa – e transmite esse sentir aos milhares de visitantes que por lá passarão durante os três dias da sua duração – é bem a demonstração da sociedade que um dia construiremos.

Na realidade, numa situação como a que vivemos – em que as classes dominantes, através de uma poderosa ofensiva desenvolvem a ideologia das inevitabilidades, da resignação, da passividade, do conformismo, do não-vale-a-pena – a construção da Festa do Avante!, nos moldes em que se concretiza, constitui uma resposta frontal a essa ideologia, derrotando-a aqui e agora, numa batalha ganha com o empenhamento, a determinação, a convicção e a certeza, nascidas da consciência revolucionária.

Amanhã lá estaremos, nós, militantes comunistas; mais os que, não sendo filiados no Partido, estão connosco nas lutas de todos os dias; mais os muitos que, ainda que pertencentes a outras áreas políticas e ideológicas, ali se sentem como se em suas casas estivessem – e virão um dia a participar activamente na luta.

É por tudo isso que, durante três dias, faremos a mais bela de todas as festas realizadas no nosso País: uma Festa que é de todos, que é nossa e que é do futuro.

E dali sairemos mais fortes e em condições de dar mais força à luta que, mais cedo do que tarde, dará frutos, restituindo a Portugal e aos portugueses os direitos que 35 anos de política de direita lhes roubaram.

E é tudo isto que faz do PCP um Partido necessário, indispensável e insubstituível.


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