Editorial

«Mobilizar para a grande jornada de luta de 1 de Outubro»

UMA CERTA MANEIRA DE LUTAR

Foi o que se previa e - deixando as previsões a ver navios... - muito, muito mais do que se previa. Foi uma multidão de homens, mulheres, jovens, crianças, passeando, confraternizando, convivendo num ambiente de fraternidade que, em tal escala só ali é possível encontrar. Foi a cultura, a arte, o debate político aberto, o desporto, a gastronomia. Era um mar de gente, uma maré-cheia de alegria e de festa. Foi um tempo outro, a mostrar-nos o tempo futuro, pelo qual, como ali se comprovou, vale a pena lutar.

Eram milhares e milhares, de toda as idades, muitos assistindo aos múltiplos debates sobre as mais relevantes questões da actualidade política nacional e internacional e sobre a história e a vida do PCP – e dando a sua opinião sobre cada uma delas; muitos, acorrendo a ouvir falar sobre literatura e novos livros – e dizendo o que pensavam sobre a matéria; muitos, enchendo os espaços do cinema e do teatro – e opinando sobre o que viam; muitos, percorrendo e observando, lenta e atentamente, a exposição de artes plásticas: obras de dezenas de jovens artistas, tendo como pano de fundo o Mestre, e camarada, Cipriano Dourado – e talvez pensando que «coisas destas» só aqui é possível vê-las; muitos fazendo a Corrida da Festa – uns, cumprindo os 11,6 quilómetros da prova, outros… nem tanto… mas todos fazendo o mais importante e todos ganhando o melhor de todos os prémios: o da participação; muitos, aproveitando a oportunidade para, naquele apetecível festival de gastronomia nacional (internacional…), escolher o prato mais apetecido, o vinho a condizer, o queijo, o doce - estava ali o País gastronómico, do Minho ao Algarve e às regiões autónomas: dos Rojões à Mariscada, do Choco Frito ao Ensopado de Borrego, à Espetada madeirense e à Morcela com Ananás; do verde Alvarinho aos maduros do Douro, da Bairrada, do Alentejo; do queijo da Serra aos de Serpa e Moura; das Cristas de Galo aos Dom Rodrigo, aos Ovos Moles, às Clarinhas de Fão, aos Viriatos de Viseu... – e mais os enchidos, vindos de tudo quanto é sítio bom.

 

Mas muitos mais homens, mulheres, jovens e crianças havia no imenso e belo espaço da Atalaia: uns - andando, parando, vendo, lendo - percorriam as exposições sobre o 90.º aniversário do PCP, e sobre os 35 anos da Constituição da República Portuguesa, e sobre os 140 anos da Comuna de Paris, e sobre o centenário de Alves Redol e de Manuel da Fonseca, e sobre as lutas dos trabalhadores no País e em cada região, e sobre a situação actual e a alternativa necessária – sobre tudo isso reflectindo e comentando; outros, visitando o Espaço da Ciência, ali constatavam que, parafraseando Lavoisier, «com a luta tudo se transforma» - e ficavam para o debate sobre A Química no Universo…; outros, ainda, visitavam o espaço internacional, representado, este ano, pelo maior número de delegações estrangeiras dos últimos anos, com camaradas e companheiros de partidos comunistas e outras organizações progressistas, vindos de dezenas de países da Europa, África, Ásia e América – e ali confirmando que, em todo o mundo, isto vai, meus amigos, isto vai, porque a solidariedade e a luta continuam.

E muitos mais havia no imenso e belo espaço da Atalaia, uns, observando as decorações dos espaços das organizações regionais – aquela fuga de Peniche moldada em vidro pelos operários da Marinha Grande; aquele eléctrico carregado de futuro, ou não fosse ele o eléctrico n.º 25 (de Abril), tendo como destino certo o Socialismo-; outros, observando a Cidade da Juventude - a alegria e a força juvenis a garantir-nos que a paz e a justiça social – e o futuro - são possíveis com a luta; outros ainda, concentrando-se em frente aos vários palcos, ou enchendo o Auditório, fruindo uma oferta musical diversificada e de superior qualidade – e milhares e milhares assistindo à Grande Gala da Ópera, coisa nunca antes vista em Portugal.

E foram muitos, foram milhares e milhares, os que assistiram e participaram activamente no grande comício de abertura da Festa e no ainda muito maior comício de domingo à tarde.

Uma multidão de gente feliz com lágrimas de alegria e emoção, multidão de gente serena e tranquila – uma serenidade e uma tranquilidade atestadas inequivocamente pelos muitos carrinhos de bebé que, empurrados por pais ou avós, como que zelavam pela Festa e garantiam o seu futuro...

 

«Festa soberana e independente» - assim lhe chamou o camarada Jerónimo de Sousa, na importante intervenção proferida no comício de domingo à tarde – e explicou: «porque depende única e exclusivamente das vontades, dos sonhos, do esforço, do trabalho, da imaginação e da paixão de todos e de cada um que a fazem como ela é». Ou seja: a Festa é, e será, o que nós quisermos que seja, porque na sua construção o colectivo é quem mais ordena.

E é nesse querer colectivo, na intervenção decisiva do grande e fraterno colectivo partidário comunista, que reside o segredo do êxito da Festa e que faz dela um espaço e um momento de luta, parte integrante da luta das massas trabalhadoras e populares.

Por isso, e como não podia deixar de ser, nesta imensa e forte jornada de luta que foi a Festa do Avante!, nesta maneira nossa de lutar, esteve presente, sempre, a luta futura, e a necessidade de mobilizar para a grande jornada convocada pela CGTP-IN para o dia 1 de Outubro.

«Lá estaremos», disse, a propósito, o Secretário-geral do PCP, depois de saudar todos os trabalhadores em luta. E a imensa multidão, que acompanhou o discurso palavra a palavra, confirmou que lá estaremos, no dia 1 de Outubro, lá estaremos nos dias e meses seguintes, porque a luta continua.


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