O sol brilha na Atalaia

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O tempo tem tempos que o relógio não abarca: há eternidades que cabem num segundo, há segundos que duram eternidades. A medida é a dos sentidos e a unidade padrão o sentimento, justamente o que não se mede nem se pesa, o que apenas se sente… antes ou depois da razão ter feito o seu percurso.

Tome-se por exemplo a Festa do Avante!.

Há quem pense que a Festa são três dias e ache demais, porque para alguns tudo o que respeita a comunistas será sempre excessivo. São os que só sabem do tempo dos relógios parados no tempo sem perspectiva histórica, os mercadores de tempo sem tempo para sonhar, os que olham ser ver e ouvem sem escutar.

Há os que acreditam que ao cruzar os portões da Atalaia se entra noutra dimensão onde o tempo é o que dele se quiser fazer e que cada momento tem a justa medida da vontade de viver e aprender. São os que, mesmo sem ainda o saber, caminham no seu tempo para o tempo que há-de vir a ser seu.

Há ainda os que sabem que a Festa, cada Festa – sempre nova, sempre única –, é uma parte do todo que a todo o tempo se constrói, feita de passado, presente e futuro, e por isso mesmo cheia de tantos tempos que o seu próprio tempo não tem medida. São os que têm pressa mas têm tempo para lançar à terra a semente que a seu tempo dará fruto.

Com todos – até com os que lá vão para a silenciar e escarnecer e levam para casa muito que pensar – se faz a Festa. Não uma festa qualquer mas esta, a do Avante!, que tendo nome de jornal informa, forma, distrai e alimenta o espírito, mas não cabe num arquivo nem amarelece com o tempo, antes se renova e passa o testemunho de geração em geração, sem perder o mistério, sem perder a magia, sem perder a força que vem do fundo do tempo, a força dos que sempre terão tempo para construir essa outra festa de uma sociedade justa e solidária – o socialismo.

É por isso que seja qual for o «tempo» o sol brilha sempre na Atalaia – e em todas as atalaias que têm como construtores os comunistas. Os que não se rendem. Os que não baixam os braços. Os que não desanimam. Os que nunca desistem. Os que lutam. Os que quando forçados a dar um passo atrás não abandonam o caminho, antes preparam a resistência e reúnem forças para avançar. Tal como o Eléctrico com bandeira de destino Socialismo que este ano «estacionou» na Praça da Paz da Atalaia: não anda, disseram uns; e no entanto move-se, como ensinou Galileu.

 

AF



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