PCP solidário com as lutas dos utentes
Populações rejeitam ataque ao Serviço Nacional de Saúde
Resistir e lutar

Ultrapassando o exigido pela troika, o Governo, com o apoio do PS, está a preparar um ajuste de contas com os direitos conquistados com a Revolução de Abril. Por todo o País, as populações resistem, lutando contra este rumo de destruição.

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No Seixal, muitas centenas de pessoas manifestaram-se, sexta-feira, contra a redução do horário de atendimento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) de Amora. Recorde-se que a Administração Regional de Saúde reduziu em 30 horas por semana o horário de atendimento daquele serviço, essencial para a população do concelho, que, assim, vê com mais dificuldade o acesso a cuidados primários de Saúde, sendo empurrada para o já esgotado serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta. A construção do hospital no concelho do Seixal foi outra das reivindicações expressas no protesto.

A acção – promovida pela Câmara do Seixal, juntas de freguesia e comissões de utentes do concelho – contou com a presença e solidariedade de Paula Santos, deputada do PCP na Assembleia da República.

No mesmo dia, em Grândola, centenas de pessoas concentraram-se junto ao Centro de Saúde para exigirem a aplicação de uma recomendação, aprovada pelo PSD e CDS, para a reabertura daquela unidade de Saúde 24 horas por dia. «Queremos uma explicação destes dois partidos sobre a não aplicação da recomendação que ambos aprovaram na Assembleia da República quando ainda estavam na oposição», salientou, em declarações à Lusa, Annik Paixão, da comissão de utentes. De acordo com a presidente da Junta de Freguesia de Grândola, Fátima Luzia, que se juntou ao protesto dos grandolenses, a recomendação aprovada previa também a reabertura do Centro de Saúde de Canal Caveira.

Em Ourém, milhares de pessoas participaram numa vigília em frente à Câmara Municipal contra o encerramento das extensões de Saúde e a falta de médicos.

 

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Utentes sem condições

 

No sábado, com a deputada comunista Paula Santos, mais de 200 utentes da Saúde participaram num plenário junto ao Centro de Saúde da Baixa da Banheira, na Moita. O debate centrou-se na falta de condições daquela unidade e de profissionais de Saúde, que se expressa em mais de 50 por cento dos utentes sem médico de família. Ali exigiu-se ainda a construção de um Centro de Saúde, mais médicos e enfermeiros, o fim das taxas moderadoras e o pagamento de transportes aos doentes que deles carecem.

Promovido pela Comissão de Utentes do Centro de Saúde de Alvalade, também as populações daquela Freguesia lisboeta reclamaram a reposição do horário anterior a Outubro, com a manutenção do atendimento diário entre as 8 e as 20 horas, e a reposição do funcionamento aos sábados, entre as 9 e as 14 horas. Por outro lado, defenderam a atribuição de médico de família a todos os utentes e a reabertura do concurso para contratação de enfermeiros, assistentes técnicos e operacionais.

  

Denunciar a política do Governo

 

Amanhã, sexta-feira, às 18 horas, os utentes do Montijo vão manifestar-se, junto ao seu Centro de Saúde, para exigir mais médicos e dizer «Não» ao aumento dos custos com a Saúde (medicamentos e taxas moderadoras). Com esta acção de luta, as populações querem ainda dizer ao Governo que não aceitam o encerramento do Serviço de Observação da Urgência do Hospital do Montijo e a transferência total das urgências médico-cirúrgicas para o Hospital do Barreiro.

No mesmo dia, às 20.30 horas, no Centro de Saúde de Corroios, no Seixal, as populações vão reclamar a construção de um novo Centro de Saúde e lembrar que ali existem mais de 20 mil utentes sem médicos de família.

  

Alcochete

Ataque aos cuidados de Saúde

 

Os comunistas de Alcochete manifestaram o seu mais firme repúdio pelo recente encerramento dos serviços médicos no Centro de Saúde daquele concelho aos domingos e feriados a partir das 14 horas.

Esta informação, afixada num mero papel e sem conter qualquer tipo de explicação, é demonstrativa da falta de respeito e de zelo da parte de quem dirige a Saúde em Portugal, tratando pessoas como números e a Saúde com um negócio. Face a esta situação, a Comissão Concelhia de Alcochete do PCP, em nota de imprensa, apela à população para que «rejeite as políticas seguidas pelos sucessivos governos», que «constam no programa de agressão por estes três partidos assinado com a troika, que apenas visam a privatização do Serviço Nacional de Saúde».

 

Litoral Alentejano

Mais encerramentos

 

No dia 10 de Outubro, numa reunião entre as comissões de utentes e os autarcas do Litoral Alentejano, foi aprovada uma moção que condena o fecho de vários postos e extensões de Saúde, nomeadamente em Alcácer do Sal (Barracão e Montevil), em Grândola (Canal Caveira), em Santiago do Cacém (S. Bartolomeu, S. Francisco e Deixa o Resto) e, num futuro próximo, o encerramento de todas as extensões de Saúde com menos de 1500 utentes inscritos, o que vai afectar as populações de Casebres, Palma, Santa Susana, Carvalhal, Lousal, Azinheira de Barros, Abela e S. Domingos.

Estas medidas «meramente economicistas», segundo o documento, aprovado por unanimidade, «descuram de forma irresponsável as características geográficas e sócio-económicas da região».

«Numa região com cerca de 109 500 utentes, dos quais 20 mil não têm médico de família e em que os médicos de família e enfermeiros que se reformam não são substituídos, em que o número de enfermeiros nos serviços de urgência básica foi diminuído à margem da legislação em vigor, em que a urgência de referência – HLA – apresenta dificuldades, não tendo condições para responder ao acréscimo de procura, consideramos que o eventual encerramento de todas estas extensões, por retirar cuidados essenciais às populações, constitui um acto de gestão irresponsável, alheio às reais necessidades dos utentes, chegando a ser imoral e desumano, uma vez que consubstancia um feroz ataque à população do Litoral Alentejano», criticam as comissões de utentes e os autarcas daquela região do País.

 

Concentração no dia 24

 

Na próxima segunda-feira, dia 24, às 19 horas, terá lugar uma concentração de utentes, no Largo da Junta de Freguesia de São Francisco da Serra, para lutar e impedir o encerramento de todas as extensões de Saúde e postos médicos com menos de 1500 utentes. Estes encerramentos que o Governo PSD/CDS pretende impor são especialmente gravosos nesta região onde as distâncias a percorrer, o envelhecimento populacional e a ausência de sistema de transportes condiciona em grande medida o acesso à prestação de cuidados de Saúde.





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