Editorial

«De toda esta situação emerge inequívoca a natureza de classe da política do Governo»

É PELA LUTA QUE LÁ VAMOS

Nunca é demais insistir naquela que é uma questão central da actual situação: a necessidade imperiosa e urgente da ruptura com a política de direita e da construção de uma alternativa patriótica e de esquerda.

Estes objectivos passam, no imediato, pela rejeição do ilegítimo pacto de agressão concertado entre a troika nacional PS/PSD/CDS e a troika estrangeira FMI/BCE/UE, em frontal afronta dos interesses nacionais e da soberania de Portugal – um pacto ao qual o primeiro-ministro quer agora fazer uns «ajustamentos», isto é, ir ainda mais longe na canalização de mais e mais recursos para o capital financeiro e penalizar mais e mais os trabalhadores e o povo.

O Governo PSD/CDS, desde que tomou posse –

E, aos devastadores ataques aos rendimentos dos trabalhadores e dos reformados; aos sucessivos impostos penalizadores do trabalho e do consumo popular; à imposição de novas leis laborais visando a liquidação de direitos fundamentais dos trabalhadores; aos aumentos dos bens, dos serviços públicos e transportes, a tudo isto, sucede-se, agora, um novo e ainda mais violento pacote de medidas inseridas na proposta de Orçamento do Estado para 2012.

Como alertou o Secretário-geral do PCP, no comício de Ovar, este OE, com «o vasto programa de medidas de austeridade e de usurpação de direitos é uma infâmia e um roubo colossal, um autêntico assalto que atinge de forma brutal as condições de vida da maioria dos portugueses (…) e vai contribuir para novas machadadas nos serviços públicos essenciais às populações e à garantia dos seus direitos, nomeadamente à Saúde, à Educação e à protecção social».

Acresce que, como se tudo isto não fosse suficientemente dramático, eis que as recentes reuniões do Conselho Europeu e a Cimeira da Zona Euro anunciam novas a mais gravosas medidas de austeridade para Portugal, empurrando o nosso País mais e mais para o abismo onde a Grécia já se debate...

 

E de toda esta situação, de toda esta vaga de medidas catastróficas, emerge, inequívoca, a natureza de classe da política do Governo e do pacto de agressão: uma política que tem como objectivos essenciais servir os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros e atacar e destruir interesses e direitos dos trabalhadores; uma natureza de classe bem patente no agravamento da exploração que caracteriza a política levada à prática e de que são expressão destacada o ataque aos salários e as alterações à legislação laboral, nomeadamente com o anunciado propósito do aumento em meia-hora do horário de trabalho, agora apresentado sob a forma de banco de horas e tendo como objectivo impor o trabalho ao sábado e roubar aos trabalhadores um dia de descanso semanal.

Sublinhe-se uma outra ofensiva, esta oriunda do grande capital, através das forças políticas ao seu serviço e dos propagandistas mercenários que o servem: a poderosa campanha ideológica que tem como objectivos ocultar os verdadeiros responsáveis pela situação existente e as causas dessa situação e fechar os caminhos que conduzem à ruptura e à alternativa.

Fazem-no proclamando a «inevitabilidade» das medidas tomadas; «justificando» o roubo nos subsídios de férias e de Natal; «garantindo» que aos sacrifícios de hoje se sucederão as bem-aventuranças de amanhã; semeando a divisão entre os trabalhadores das empresas públicas e privadas, entre mais novos e mais velhos, entre precários e efectivos, com isso visando enfraquecer a luta organizada dos trabalhadores; espalhando bem urdidas consignas sobre a «inutilidade» da luta, o «não vale a pena» e difundindo a «resignação», o «conformismo», o «tem que ser» – e recorrendo, sempre, no interior das empresas e locais de trabalho, às ameaças, às chantagens, às represálias, à difusão do medo.

Trata-se de uma ofensiva ideológica à qual há que responder e que será vencida se a resposta for determinada, corajosa e confiante.

 

Outra questão fulcral hoje na ordem do dia é a da indispensabilidade da luta. Com efeito, para alterar a situação dramática em que a política de direita mergulhou o País; para a rejeição do pacto de agressão; para conquistar a política alternativa e a alternativa política necessárias; para pôr termo ao afundamento do País e iniciar a sua recuperação, o único caminho é a luta das massas trabalhadoras e populares.

Uma luta que, porque é decisiva, terá que ser cada vez mais forte e mais participada, dando a continuidade indispensável às muitas e importantes lutas travadas nos últimos tempos, reforçando-as, intensificando-as, ampliando-as, através da mobilização de novos segmentos das massas trabalhadoras.

Uma luta que terá que ser de todos os dias, porque, na situação que vivemos, todos os dias são de luta e as lutas de cada dia são sempre pontos de passagem para maiores e mais vastas acções de massas.

Nesse sentido, a importante semana de luta terminada há dias – com manifestações, acções de rua, concentrações, plenários, paralisações, greves, por todo o País – constituiu um excelente contributo para o êxito quer das múltiplas acções marcadas para os próximos dias quer para fazer da grande greve geral convocada para 24 de Novembro um momento marcante da luta organizada das massas trabalhadoras.

Erguer no dia 24 uma poderosa greve geral é a tarefa fundamental para os trabalhadores e para as suas estruturas representativas – e assim sendo, é igualmente tarefa prioritária para o nosso grande colectivo partidário comunista.


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