Partidos burgueses precipitam país na bancarrota
Comunistas gregos apelam à determinação popular
Cortar as amarras

Milhares de pessoas frente ao parlamento grego acompanharam em protesto, na noite de dia 4, a votação da moção de confiança, durante a qual o primeiro-ministro abriu a porta à formação de um governo de coligação.

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Depois de ter desistido da desastrada proposta de referendo, Gueórguios Papandreou aceitou sair de cena para permitir a formação de um governo de coligação entre os partidos do centro-direita. A bancarrota iminente e a urgência de o país receber a sexta tranche de assistência financeira serviram de pretexto aos dois principais partidos para adiarem até Fevereiro a realização de eleições antecipadas.

Todavia, é pouco provável que esta manobra desesperada dos partidos burgueses proporcione a estabilidade política desejada pelas potências europeias. Pelo contrário, a aplicação das novas medidas de austeridade associadas ao chamado «perdão» de parte da dívida (ver caixa) ameaça provocar um novo surto de agitação social e acentuar o descrédito dos dois partidos do centro.

As mais recentes sondagens apontam para o descalabro eleitoral do PASOK, que apenas obtém entre 13,5 a 15 por cento das intenções de voto, muito longe dos 44 por cento alcançados nas eleições de Outubro de 2009, quando logrou uma maioria absoluta de 160 dos 300 deputados.

Por seu lado, os conservadores da Nova Democracia, apesar da oposição demagógica ao governo de Papandreou, também não vão além de 21,5 a 22,5 por cento das intenções de voto, tudo indicando que não terão condições para formar governo.

 

Políticas anti-sociais
enterram burguesia

 

Discursando perante milhares de manifestantes, na noite de dia 4, a secretária-geral do Partido Comunista da Grécia (KKE), Aleka Papariga, frisou que «nenhuma proposta política burguesa, liberal, social-democrata, de “esquerda” ou “renovada”, poderá constituir uma saída política em benefício do povo se não visar como questão de princípio a ruptura com os monopólios (na indústria, banca, transporte marítimo, comércio), designadamente a ruptura com a propriedade capitalista, com as suas instituições do Estado, as suas alianças internacionais».

«Nós acreditamos na soberania popular», afirmou a dirigente comunista. No entanto, explicou, «para o povo poder decidir segundo os seus interesses, tem de ter nas suas mãos a riqueza que existe e é produzida no país (…) os meios de produção; de outra forma não terá soberania ou poder, não poderá planificar ou assegurar emprego para todos».

Neste sentido, Papariga apelou à luta pela propriedade social dos «meios de produção concentrados na indústria, pela socialização da terra, dos grandes negócios na agricultura e do sector concentrado da distribuição». «Só uma economia popular pode assegurar a soberania do povo e a desvinculação das alianças imperialistas como a UE e a NATO». Para o KKE a solução passa pela «saída da UE e a anulação da dívida pelo poder popular».


«Perdão» ou condenação?

 

O chamado «perdão» de parte da dívida ou haircut, anunciado em 27 de Outubro pelos líderes da eurozona, é na realidade uma pesada sentença condenatória para a economia e povo gregos.

Em primeiro lugar, uma grande parte da dívida (65 mil milhões de euros emprestados pela troika e 55 mil milhões de euros em títulos adquiridos pelo BCE) ficou isenta do haircut.

Acresce que as condições acordadas, para além de imporem uma soberania reduzida, que é quase uma ocupação, implicam um corte de 11,5 mil milhões de euros nos fundos de pensões, com as decorrentes consequências sobre as prestações sociais. O haircut será assim acompanhado por novos pacotes de austeridade, redução de salários e despedimentos em massa no sector público.

Por fim, e dado que estão na calha novos empréstimos (para já no valor de 130 mil milhões de euros), só em 2020 a dívida grega poderia ser reduzida para 120 por cento do PIB, ou seja, um nível que continuaria insustentável e impagável, isto depois de o povo ter sido lançado na mais indigente miséria.



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