Nos plenários os trabalhadores apoiaram greve geral
Resposta exemplar dos trabalhadores
Greve parou transportes

Demonstrando forte unidade e determinação, os trabalhadores dos transportes públicos repudiaram o Plano Estratégico para o sector e a política de empobrecimento do Governo, aderindo massivamente à jornada de anteontem.

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Ao fim da tarde do dia de luta, a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) confirmou o sucesso do dia de greves parciais e plenários no sector público de transportes, salientando que esta foi a resposta dos trabalhadores a um «Plano Estratégico» para o sector que prevê a supressão de serviços, cortes nos salários e nas remunerações, despedimentos e a destruição dos direitos consignados em sede de contratação colectiva.

A federação anunciou adesões de cem por cento no Metropolitano de Lisboa; de 95 por cento nas CP, CP Carga e Refer; de 90 por cento na STCP, no Porto, e de 70 por cento na Carris.

Para minimizar as consequências para os utentes, as greves foram cumpridas em períodos diversos, não em simultâneo e não apenas nas horas de ponta, explicou à Lusa o dirigente da Fectrans, Vítor Pereira. A forte adesão revelou que «há uma revolta enorme no seio dos trabalhadores devido a estas medidas que o Governo quer impor».

O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbano de Portugal, respondeu ao ministro da Economia que, «numa acção de desespero optou pela ameaça e chantagens a trabalhadores e utentes», acusou, garantindo que na greve geral de 24 de Novembro, «estes trabalhadores e muitos mais de outras empresas e sectores darão uma forte resposta ao conjunto de medidas que têm como objectivo a redução dos salários e o aumento dos tempos de trabalho».

 

Combater a destruição

 

Na CP, a luta começou na segunda-feira, na mudança de turnos, logo com forte adesão, como o SNTSF/CGTP-IN foi notificando no seu site. A administração admitiu à Lusa que a greve parcial tinha provocado a supressão de 64 comboios, até às 18 horas. Os ferroviários dizem-se ameaçados por uma brutal ofensiva do Governo, que se prepara para destruir o serviço regional e entregar ao sector privado os sectores potencialmente lucrativos da CP (e longo curso), despedir trabalhadores, liquidar acordos de empresa, diminuir os serviços e aumentar os tarifários, entregando a EMEF e a CP Carga às multinacionais e deixando à pública Refer as dívidas de todo o investimento nacional feito em infraestruturas ferroviárias nos últimos 20 anos.

Por todo o País encerraram estações e a circulação de comboios nas linhas de Sintra, Cascais, Azambuja, Sado, da região do Porto, do Minho e Douro foi suprimida. A luta teve dois períodos, entre as 5.30 e as 8.30 horas e a partir das 17 até às 20.30 horas. Os comboios regionais e de longo curso começaram a ser suprimidos ao início da noite. A adesão nos postos de comando e área da circulação, na Refer, foi quase total. A circulação de comboios de mercadorias também foi fortemente afectada.

 

Unidos numa luta justa

 

A jornada ficou marcada pela demonstração de grande unidade dos trabalhadores na luta contra as intenções do Governo para este sector. Em plenários foi aprovada a participação na greve geral de dia 24.

Nas Carris, Carrisbus e Carristur perante «um projecto que vai levar à destruição da empresa» e a destruição dos direitos constantes no Acordo de Empresa, os autocarros recolheram para realização de plenários, entre as 10 e as 16 horas, confirmou o dirigente do STRUP, Manuel Leal.

O Metropolitano de Lisboa esteve parado entre as 6 e as 10 horas da manhã, tendo as estações encerrado, «contra a decisão do Governo de reduzir postos de trabalho, independentemente das funções que desempenhem, explicou o STRUP na convocatória para esta acção, publicada no seu sítio na Internet, salientando que «ninguém está imune a este ataque».

Nas Transtejo e na Soflusa, ameaçadas por uma fusão que prevê despedimentos e supressão de carreiras, não houve barcos entre as 14 e as 18 horas. Num plenário muito participado, em Cacilhas, os trabalhadores decidiram aderir à greve geral de dia 24 e marcaram, para 6 de Dezembro, nova jornada de luta com greve de três horas por turno. Nessa altura analisarão concretamente o Plano Estratégico que seja apresentado pelo Governo na Assembleia da República. Também acordaram realizar um novo dia de luta, a 27 de Dezembro, caso se confirmem as intenções do Executivo PSD/CDS.

 

STCP deu força à greve geral

 

Não foi convocada greve no Metro do Porto, concessionado a uma empresa do sector privado. Na Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), a greve iniciou-se às 10 horas com um vigoroso plenário, na Avenida dos Aliados, e terminou às 16, tendo forçado à paragem de 90 por cento da frota, revelou a Comissão de Trabalhadores.

No plenário, a que assistiram muitos utentes, os trabalhadores decidiram unanimemente aderir à greve geral. Segundo a resolução aprovada, pretendem que seja a forma de projectar este protesto para um «patamar mais elevado para a continuação da luta pelo emprego, pelos salários, pelos direitos e pelo serviço público social e de qualidade». Repudiando a fusão pretendida pelo Governo entre a STCP e o Metro do Porto, e o que consideram ser uma «ofensiva sem igual» deslocaram-se, depois, em manifestação até à Câmara Municipal, onde entregaram a resolução ao presidente da edilidade e da Junta Metropolitana do Porto.

 

Ferroviários mantêm lutas

 

Prosseguem, entretanto, lutas sectoriais nas empresas do sector ferroviário.

Até dia 31, os operadores da CP Carga cumprem greve sempre que haja necessidade de realizar manobras em Irivo, D'Arque, Tadim, Lidador, Alfarelos, plataforma de Cacia e Porto de Aveiro, Martingança, Pataias e Siderurgia Nacional. Em causa está a suspensão pela administração de acordos relativos a manobras firmados na CP Carga.

Na CP, até dia 30, os operadores de venda e controlo, chefes e inspectores de equipa comercial entrarão em greve sempre que forem indicados para fazer serviço de acompanhamento de comboios. O motivo é um aumento de funções atribuídas a trabalhadores da área comercial e a ausência de resposta sobre as condições de trabalho.

Na EMEF, até 31 de Dezembro, será cumprida greve nos dias feriados.

O incumprimento do Acordo de Empresa é a causa desta luta mais prolongada.



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