É preciso romper com os grandes interesses monopolistas
Comício em Évora
Confiança na luta

Num comício que encheu, no dia 9, o Palácio D. Manuel, em Évora, Jerónimo de Sousa afirmou que a rejeição do pacto de agressão é, actualmente, uma questão central da luta dos comunistas.

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Segundo o Secretário-geral, o PCP está empenhado no desenvolvimento e fortalecimento de um «amplo movimento unitário» que convoque todos os democratas e patriotas para a «convergência e a acção geral pela rejeição desse pacto de agressão das troikas da ingerência estrangeira e da submissão nacional». Um movimento que deverá ter como objectivos centrais, segundo os comunistas, «salvar o País, travar as injustiças, o desemprego e o empobrecimento dos portugueses».

Para que esta rejeição se concretize, o dirigente comunista fez um apelo aos trabalhadores e ao povo para que, «com a sua luta de resposta às tentativas de destruição do seu presente e do seu futuro se levante, erga barreiras de resistência e de luta que derrotem cada uma das medidas do Governo, da União Europeia e do grande capital, tomando nas suas mãos a tarefa que ao povo pertence de impedir que o País siga o caminho do abismo para onde o querem empurrar».

Mas nada disto é inevitável, garantiu o Secretário-geral do Partido. Com uma nova política, patriótica e de esquerda, é possível um Portugal «mais desenvolvido, justo e soberano». Uma política que, precisou, ponha em causa os «interesses instalados» e rompa com os «grandes interesses monopolistas» e que contraponha ao pacto de agressão a imediata renegociação da dívida pública, nos seus prazos, taxas de juro e montantes. Assumindo, assim, uma atitude que «combata a sujeição do País às imposições da especulação financeira e da rapina dos recursos nacionais e abra espaço ao relançamento do desenvolvimento do País».

Segundo Jerónimo de Sousa, isto é precisamente o oposto do que o Governo está a fazer. No que respeita ao processo de recapitalização da banca, em curso, serão colocados à disposição da banca nacional, em condições vantajosas, 12 mil milhões de euros do empréstimo da troika. Perante isto, o Governo não só decide que será um «parceiro silencioso», que não conta nem para garantir que os dinheiros públicos são bem utilizados, ao serviço da economia e não da especulação, como «admite ainda que a banca possa continuar a distribuir dividendos». Como o PCP há muito defende, a nacionalização de toda a banca comercial era uma solução mais vantajosa para o País.

Consciente das dificuldades colocadas perante o Partido, Jerónimo de Sousa manifestou uma vez mais a sua confiança «nas nossas próprias forças e nas possibilidades que se podem abrir com a luta dos trabalhadores e do nosso povo».

 

Não podemos ficar calados!

 

Vítor Carrasco, do Secretariado da Direcção da Organização Regional de Évora do PCP, interveio antes de Jerónimo de Sousa para garantir que «lutamos contra um inimigo poderoso que só recuará com a força da luta organizada dos trabalhadores e das populações». No distrito de Évora, valorizou este dirigente, a luta e a resistência contra o pacto de agressão tem-se «desenvolvido e ampliado». Durante a semana de luta promovida pela CGTP-IN entre 20 e 27 de Outubro realizaram-se muitas acções no distrito, envolvendo trabalhadores de vários sectores e utentes dos serviços de Saúde.

Vítor Carrasco mostrou-se ainda confiante no sucesso da greve geral que mostrará, em sua opinião, o descontentamento generalizado dos trabalhadores e do povo com o rumo que está a ser seguido. O dia 24 de Novembro, garantiu, ficará como «um dia em que os trabalhadores portugueses se uniram para para dizer basta! e fazer recuar o pacto de agressão». Mas até lá há muito caminho a percorrer, afirmou, apelando ao envolvimento dos comunistas no sucesso desta grande acção de luta.

«Não podemos ficar calados enquanto estamos a ser roubados», destacou Vítor Carrasco, acrescentando que «a luta é o caminho».



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