Depois da Greve geral a luta vai continuar
Jerónimo de Sousa na Baixa da Banheira
É a luta do povo que determina o futuro

«Ninguém se ponha de lado, porque a ofensiva é contra todos, tirando o capital financeiro, os banqueiros, os grandes grupos económicos que continuam a ir de vento em popa», afirmou Jerónimo de Sousa, no sábado, no final de um desfile na Baixa da Banheira.

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O Secretário-geral do PCP aludia à mobilização para a greve geral de amanhã, 24, para a qual, salientou, além dos trabalhadores, devem convergir os reformados, os pequenos e médios empresários, os comerciantes, todos aqueles que são atingidos por esta «ofensiva brutal de consequências imprevisíveis», os quais, acredita, podem fazer desta a «maior greve geral de sempre no nosso País».

A greve geral foi de resto um dos temas fortes na intervenção do dirigente comunista proferida após um desfile que mobilizou largas centenas de pessoas numa das mais movimentadas artérias da Baixa da Banheira, no decurso do qual se fez ouvir bem alto a voz da indignação popular contra uma política e um pacto de agressão que está a dar cabo da vida das pessoas e do País.  

Não aceitando que se diga que «Portugal está condenado, que vai à falência», Jerónimo de Sousa reafirmou que será sempre a «luta do povo a determinar o futuro, a travar e bloquear cada uma e todas as medidas contidas no pacto de agressão». «Se eles puderem, se não reagirmos, se não lutarmos, tudo aquilo que foi conquista e transformação de Abril, direito democrático, direito dos trabalhadores, será paulatinamente destruído», advertiu, concluindo, por isso, que «esse é o desafio que está colocado hoje aos trabalhadores e ao povo».

 

Não estamos sozinhos

 

«Com um PS comprometido até ao pescoço, com o PSD e o CDS executores desta política, o que resta é este partido que não baixa os braços, que em conformidade com a sua história e a sua luta aqui está na primeira linha de combate», afiançou, ciente de que «é indispensável a luta» do PCP, embora não suficiente: «tem de haver a luta dos trabalhadores, dos reformados, dos pequenos e médios empresários, das novas gerações, que têm de ser protagonistas do seu próprio futuro, na defesa do interesse nacional, da sua própria vida». Daí o veemente apelo: «contem com este Partido, que estará sempre na primeira linha de combate, mas não podemos estar sozinhos; temos de estar com o povo, com os trabalhadores, com os que mais sofrem, que são ofendidos com esta política».

Realçando a luta travada pelos trabalhadores da Administração Pública, dos transportes e em muitas empresas e locais de trabalho, Jerónimo de Sousa realçou que essas são «as lutas que os preocupam», a «luta organizada, essa força imensa». Se os trabalhadores e o povo perceberem a força que têm quando estão juntos, «esta gente será derrotada, será afastada do poder».

A greve geral «não será o fim da linha, não vai ser a última luta», realçou o Secretário-geral do Partido. Há que «trazer a luta para um patamar superior, uma luta que vai ter de continuar de forma muito diversificada».

 

Há alternativa

 

Jerónimo de Sousa, que encabeçara o desfile, ladeado por dirigentes locais do Partido e autarcas, entre os quais o presidente da Câmara da Moita, João Lobo, combateu ainda a ideia da inevitabilidade deste caminho, bem como os apelos ao conformismo e à resignação: «Não venham dizer que o caminho para o suicídio é o único que os portugueses têm pela frente», enfatizou.

Referindo-se à destruição do aparelho produtivo, recordou: «Nós alertámos e dissemos quanto terrível isto seria para o nosso futuro.»


Fome e miséria

 

«Comida para todos», foi o voto para 2013 mais escolhido por crianças de escolas da Baixa da Banheira nos desenhos que ilustrarão postais de Boas Festas da Junta de Freguesia.

O facto foi relatado pelo presidente daquela autarquia, Nuno Cavaco, que presidiu ao comício, e diz bem da dramática realidade que hoje atinge um cada vez maior número de famílias por todo o País.

Um quadro sentido com particular dureza por crianças onde o quotidiano assume o carácter de uma luta permanente pela sobrevivência, crianças, muitas delas, que têm na escola a sua única refeição por dia.

A traduzir, afinal, uma situação social em contínuo agravamento que é o resultado de anos a fio das políticas de direita, como salientou Armando Morais, membro do CC e responsável pela organização concelhia do PCP da Moita.

À destruição do aparelho produtivo na região atribuiu a principal causa para o desemprego, a estagnação económica e o retrocesso social.

Elevado e crescente desemprego que, denunciou, «atira famílias inteiras para a marginalidade e a miséria», «faz com que a fome, desde há muito, tenha invadido muitos lares». De tal maneira que o número de alunos cujas famílias vivem em situação de carência atinge hoje em termos concelhios os 48 por cento, a mesma percentagem que se verifica na freguesia da Baixa da Banheira, mas que no caso da freguesia de Vale da Amoreira chega aos 89 por cento.

Outro indicador da grave situação social naquele concelho ribeirinho da Margem Sul, segundo Armando Morais, é o aumento número de pessoas que diariamente recorrem à Misericórdia de Alhos Vedros a pedir apoios, elevando-se a mais de mil as refeições servidas por aquela instituição a famílias em situação de desespero.

É por todas estas razões que a luta dos trabalhadores está em crescendo, como sublinhou aquele dirigente comunista, com o descontentamento e a indignação popular a adquirir a sua expressão mais forte já na greve geral de amanhã, 24.

 



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