Aconteu
50 personalidades subscrevem manifesto

Um «Manifesto em Defesa da Cultura» foi apresentado, dia 15, em Lisboa, por um grupo de 52 de personalidades. O documento divide-se em seis pontos e afirma que «as políticas de agressão à cultura seguidas pelos últimos governos criaram uma situação insustentável».

Entre os signatários figuram o filósofo José Barata-Moura, o historiador António Borges Coelho, a escritora Alice Vieira, o compositor João Madureira, o cineasta João Botelho, os arqueólogos Jacinta Bugalhão, Santiago Macias e João Zilhão, o escritor Manuel Gusmão, os catedráticos Helena Serôdio e Vítor Serrão, os músicos Manuel Rocha e Samuel Quedas.


Luiz Francisco Rebello<br> voz da cultura e da democracia

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Advogado, dramaturgo, crítico teatral e antigo deputado do PCP, Luiz Francisco Rebello faleceu, dia 12, em Lisboa, aos 87 anos.

Durante 30 anos, de 1973 a 2003, foi presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, e em 1992 foi co-fundador da Frente Nacional para a Defesa da Cultura, com José Saramago, Manuel da Fonseca, Natália Correia, Urbano Tavares Rodrigues, entre outras personalidades. Entre 1983 e 1985 integrou como independente o grupo parlamentar do PCP.

Lembrando a memória do combatente antifascista, a Assembleia da República aprovou, dia 16, por unanimidade, um voto de pesar, apresentado pela bancada comunista, no qual se realça o «papel relevante na democracia portuguesa» desempenhado por Luiz Francisco Rebello e o seu «empenho cívico e político em defesa da cultura e dos valores democráticos».


Manuela Câncio Reis <br>companheira de Soeiro Pereira Gomes

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Manuela Câncio Reis, viúva do escritor Soeiro Pereira Gomes, faleceu, dia 8, aos 101 anos. Compositora e escritora, nascida em 10 de Janeiro de 1910, em Alhandra, tinha 18 anos quando conheceu e se apaixonou pelo seu companheiro, com quem casa em 1931.

Autora de canções e co-autora da revista Sonho ao Luar, que foi apresentada no Éden Teatro em Lisboa, deixou dois livros publicados: Eles Vieram de Madrugada (1981) e A Passagem, uma biografia de Soeiro Pereira Gomes, editada pela Caminho em Maio de 2007, contava Manuela Câncio Reis na altura 97 anos.


<i>Geografia do Olhar</i><br>A poesia de Ilda Figueiredo

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Um novo livro de Ilda Figueiredo, em parceria com o pintor Agostinho Santos, foi lançado, dia 17, na Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto (UNICEPE). A edição, promovida pela Ancora Editora, reúne 25 poemas e igual número de aguarelas de belo efeito, constituindo a primeira incursão pública da eurodeputada do PCP no universo da poesia.

Na sua juventude chegou a publicar poesia no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa, e embora tenha continuado a escrever nunca se propôs editar os seus versos. Nem o presente livro é uma colectânea. É sim, como explicou ao Avante!, o resultado de um desafio lançado pelo jornalista e pintor Agostinho Santos, que lhe manifestou o desejo de trabalhar sobre poemas seus. Ilda Figueiredo lançou mãos à obra, oferecendo-nos um conjunto de textos, todos escritos ao longo do presente ano, onde sobressaem as suas preocupações de sempre: a luta pela igualdade, contra as discriminações, por uma sociedade mais justa e liberta da exploração.


Niemeyer aos 104 anos

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O arquitecto Oscar Niemeyer festejou o seu 104.º aniversário com o lançamento de mais um número da revista que edita, Nosso Caminho, no qual é dado destaque ao projecto da mesquita de Argel, datado de 1961, e actualmente em construção na cidade argelina de Orão.

Trabalhador incansável, continua a ir diariamente ao seu atelier em Copacabana, onde tem em mãos vários projectos. «Ainda disponho de boa saúde e de um entusiasmo quase juvenil pela criação arquitectural e isso anima-me muito», diz o arquitecto que nunca abandonou as suas convicções comunistas.

Nascido em 15 de Dezembro de 1907, o autor de mais de 600 obras de arquitectura espalhadas por 27 países afirma-se «um cidadão brasileiro bastante simples, sempre dedicado ao seu trabalho e à busca da beleza — da surpresa arquitectural —, mas, invariavelmente, atento a este mundo injusto que devemos transformar» (Correio Braziliense, 15.12).


A rainha da morna deixou-nos

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A cantora cabo-verdiana Cesária Évora faleceu, no sábado, 17, na ilha de São Vicente, que a viu nascer há 70 anos. Oriunda de uma família de músicos do Mindelo, cedo começou a cantar e se tornou conhecida como uma das melhores intérpretes da morna.

Todavia, só com o álbum «Diva dos Pés Descalços» (1988) e particularmente com «Miss Perfumado» (1992), ambos gravados em França, a rainha da morna, já com 47 anos, se torna numa estrela internacional, levando a todo o mundo os melodiosos sons nostálgicos da sua terra.

Nas suas incessantes digressões, Cesária Évora nunca esqueceu as suas raízes: «Preciso de quando em vez da minha da terra, do povo que sou e deste marulhar das ondas», confidenciou certa vez (Lusa, 17.12).



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