Sindicatos anunciam greve geral para 30 de Janeiro
Greve no sector público seguida no privado
Belgas levantam-se pelos direitos

A greve de dia 22, convocada pelas duas principais centrais sindicais belgas no sector público, teve também reflexos em várias grandes empresas privadas, prenunciando uma forte mobilização para a greve geral de 30 de Janeiro.

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Os trabalhadores belgas deixaram claro que estão determinados a lutar contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo de Elio di Rupo, que tomou posse dia 6, após uma prolongada crise política de 18 meses.

Respondendo à convocatória de greve nos serviços públicos, cerca de 800 mil trabalhadores paralisaram por completo sectores nevrálgicos da vida do país, designadamente os transportes urbanos.

Em Bruxelas, na Flandres e na Valónia as ligações de Metro, eléctricos e autocarros foram interrompidas. Também os caminhos-de-ferro paralisaram, incluindo os serviços internacionais de TGV Thalys e Eurostar, que ligam a capital belga ao Reino Unido, França, Holanda e Alemanha.

As filas de trânsito estenderam-se por mais de 140 quilómetros nas duas entradas de Bruxelas, onde os sindicatos montaram piquetes de greve.

Perto de 90 por cento das escolas primárias não funcionaram, verificando-se também forte adesão noutros graus de ensino, bem como entre os guardas prisionais, tribunais, repartições públicas ou serviços municipais como a recolha de lixo.

Além dos piquetes de greve, presentes por toda a parte, realizaram-se manifestações e concentrações de protesto nos principais centros do país.

No sector privado, os trabalhadores de várias grandes empresas tomaram a iniciativa de também fazer greve. Foi o caso da fábrica de maquinaria agrícola, Case New Holland, com unidades na Antuérpia e em Zedelgem, do fabricante de material circulante Bombardier, em Bruges, do fabricante de máquinas industriais Picanol, na região de Courtrai, da fábrica de armamento de Herstal, bem como de várias empresas metalúrgicas da região de Liège.

 

Parar o país

 

Obrigar o governo a desistir da reforma do regime de pensões é o objectivo que se coloca tanto a trabalhadores do sector público como do privado. A lei indigna todos por igual, defraudando expectativas de quem trabalhou longos anos, contando com o direito à reforma.

Depois do êxito da greve, sindicatos e estruturas nos locais de trabalho preparam já a próxima, anunciada para 30 de Janeiro em todos os sectores, público e privado. Até lá, uma vaga de greves será desencadeada nos diferentes ramos de actividade. Os trabalhadores belgas sabem que é o momento de agir e não se deixam intimidar pela arrogância do governo que, no dia seguinte à greve, fez aprovar no parlamento o odioso projecto de reforma do regime de pensões.

Obedecendo às directivas da Comissão Europeia, porta-voz do grande capital, o governo de Di Rupo pretende reduzir a despesa pública em 11 300 milhões de euros, de modo a alcançar um défice público de três por cento em 2012. Parte daquele montante, cerca de 1500 milhões, Di Rupo quer obtê-lo mediante a redução dos direitos de aposentação.

Os sindicatos lembram que a Bélgica tem uma das taxas de produtividade mais elevadas do mundo, e que se o Estado tem hoje uma dívida que equivale praticamente a 100 por cento do PIB, tal não é culpa dos trabalhadores.



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