Editorial

«Com a luta é possível derrotar esta política e impor uma política de sentido oposto»

LUTAS CARREGADAS DE FUTURO

A situação nacional continua impressivamente marcada pela aplicação do pacto de agressão –troikas contra Portugal e os portugueses – e pela brutal vaga de medidas governamentais daí decorrentes, as quais, roubando direitos e aumentando a exploração dos trabalhadores e saqueando os recursos nacionais, esmagam os trabalhadores, o povo e o País.
É o capitalismo igual a si próprio, puro e duro, explorador e opressor, predador e insaciável, de olhos postos exclusivamente no lucro maior, sua razão de ser.
Os aumentos de bens essenciais sucedem-se a um ritmo de catástrofe social: géneros alimentares, gás, água, electricidade, saúde, enfim, tudo o que é indispensável para a vida das pessoas está cada vez mais longe do seu alcance, em milhões de casos somando pobreza à pobreza, miséria à miséria, fome à fome.
Há dias, os combustíveis subiram para o seu preço mais elevado de sempre; dentro de dias, será a vez de os transportes aumentarem e de serem submetidos a cortes e supressão de serviços.
Ao mesmo tempo, o desemprego aumenta e diminui o tempo de duração do subsídio de desemprego (não esquecendo que cerca de meio milhão de desempregados nem sequer têm direito a recebê-lo); o número de trabalhadores com salários e subsídios em atraso cresce todos os dias; as alterações na legislação laboral, roubando direitos históricos aos trabalhadores, perspectivam-se ameaçadoras – e o encerramento de pequenas e médias empresas é o pão nosso de cada dia…
E vem aí a Lei das Rendas, mais ajustadamente chamada Lei dos Despejos, na medida em que, visando estimular a especulação imobiliária, pretende impor o despejo, no imediato ou a curto prazo, a milhares e milhares de inquilinos – trabalhadores e pequenos e médios empresários.
Insistamos, pois, na enunciação desta verdade: nunca, desde os tempos do fascismo, os trabalhadores, o povo e o País viveram tão dramática situação. E nesta outra, que é indispensável que chegue, como sinal de esperança, a todos os que são vítimas da política de direita: com a luta é possível derrotar essa política de desastre nacional e impor uma política de sentido oposto, patriótica, de esquerda, ao serviço dos interesses da imensa maioria dos portugueses.


A luta contra o pacto de agressão – exigindo a sua rejeição, impedindo a concretização das medidas por ele decretadas, afirmando o direito a uma vida melhor – constitui, na situação actual, a maior e a mais importante de todas as tarefas que se colocam aos trabalhadores, às populações, aos pequenos e médios empresários, ao povo português.
Como já aqui sublinhámos, citando o Secretário-geral do PCP, o ano de 2012 terá que ser um tempo de vigorosas e poderosas lutas. E vai sê-lo, como o indiciam as múltiplas acções levadas a cabo nos primeiros dias do ano – sendo de destacar a acção promovida pela Confederação Nacional dos Agricultores que, no passado dia 7, reuniu no Porto, milhares de agricultores – e as que estão programadas para os dias que aí vêm: concentração de activistas sindicais, dia 18, em frente à Assembleia da República, contra as alterações à legislação laboral; manifestação dos trabalhadores do sector têxtil, no dia 21, em Guimarães; greves dos trabalhadores dos transportes, em 2 de Fevereiro, etc., etc. – para além de um vasto conjunto da acções promovidas por diversificadas comissões de utentes, a partir de questões bem concretas como as da saúde, da mobilidade das populações, do aumento do custo de vida, do encerramento de serviços públicos, etc., etc.
Lutas carregadas de futuro, que hão-de assumir expressão e dimensão nacional na manifestação convocada pela CGTP-IN para o dia 11 de Fevereiro, em Lisboa – cuja preparação, esclarecendo, mobilizando, organizando, constitui desde já tarefa grande para todos os dirigentes, delegados e activistas sindicais.


N
uma situação como a que vivemos actualmente – a nível nacional nas condições acima resumidas e, a nível internacional, sob a ameaça de graves e imensos perigos, designadamente os que decorrem do agravamento das tensões no Médio Oriente, particularmente na Síria e no Irão, alvos de sucessivas manobras de ingerência e provocação do imperialismo norte-americano e dos seus lacaios europeus – o PCP, partido da classe operária e de todos os trabalhadores, partido patriótico e internacionalista, é chamado a desempenhar um papel crucial.
Para o desempenhar de forma eficaz, é indispensável que o Partido seja mais e mais forte orgânica, interventiva, ideológica e financeiramente.
E é isso que vai acontecer, que está a acontecer: está em andamento, com sucesso mais do que previsível, a campanha de recrutamento de 2000 novos militantes; avançam as medidas de reforço da organização do Partido, designadamente nas empresas e locais de trabalho; prossegue o trabalho de preparação política e ideológica de quadros e outros militantes; avança a campanha de «Um dia de salário para o Partido», indispensável para as finanças partidárias – e o colectivo partidário intervém, enquanto tal, em muitas e diversificadas acções que são parte integrante da luta geral dos trabalhadores e das populações contra a política antipatriótica e de direita e por uma política patriótica e de esquerda.
Exemplo disso – e exemplo maior – foi o magnífico desfile-comício realizado no Porto, na passada sexta-feira, pontapé de saída da «campanha nacional de esclarecimento e mobilização dos trabalhadores contra a exploração e as alterações à legislação laboral», anunciada pelo camarada Jerónimo de Sousa, há uma semana, na Casa do Alentejo.


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