A greve geral é de todos os trabalhadores
Todos os motivos de luta convergem para 22 de Março
<font color=0093dd>Contagem crescente</font>

A cada dia que passa, o Governo e o patronato dão mais razões para uma forte participação dos trabalhadores na greve geral. Também por isso, nas empresas e serviços cresce o sentimento de indignação e aumenta a disponibilidade para dar expressão pública e colectiva ao justo protesto de quem não pode aceitar mais sacrifícios e não quer ser mais explorado. Até 22 de Março, esta é uma contagem crescente.

 

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O pré-aviso da CGTP-IN para a greve geral foi entregue no Ministério da Economia e do Emprego há uma semana, ficando assim coberta a possibilidade legal de todos os trabalhadores de todos os sectores de actividade, filiados ou não em sindicatos, não comparecerem dia 22 no seu local de trabalho.

As acções realizadas nos vários distritos e nas regiões autónomas, no dia 29 de Fevereiro, sublinharam de véspera a força da mensagem que a delegação da central, liderada por Arménio Carlos, deixou a 1 de Março na Rua da Horta Seca. Inseridas numa jornada de luta dos sindicatos europeus, as manifestações em Lisboa, no Porto e noutras localidades, as inúmeras iniciativas de informação e esclarecimento, e os plenários em empresas afirmaram, a milhares de vozes, que «a hora é de mobilização dos trabalhadores e de todos aqueles que estão a sofrer e a pagar a factura de uma crise que não provocaram» – como se lê na resolução aprovada na jornada e divulgada pela CGTP-IN.

 

Travar e mudar

 

A Intersindical assinala que «Portugal vive hoje um dos momentos mais difíceis da sua História recente». «A crescente subordinação do poder político aos ditames dos grandes grupos económicos e financeiros tem implicado a intensificação da exploração e está a conduzir o País para uma profunda recessão económica, com consequências gravíssimas no plano económico e social», refere-se na resolução, realçando que a situação «está a agravar-se dramaticamente, com a aplicação das medidas de austeridade impostas pelo Governo do PSD/CDS-PP, que resultam do memorando de entendimento assinado com a troika estrangeira (UE, BCE e FMI) e que têm provocado ainda mais recessão, maior exploração dos trabalhadores e aumento dos níveis de empobrecimento das famílias».

O crescimento do desemprego e da precariedade, tal como o aumento brutal dos preços na saúde, alimentação, habitação, transportes e energia, são apontados como consequências bem visíveis desta política, a par dos bloqueios à negociação dos salários, no sector privado, do roubo dos subsídios de férias e de Natal (que o Governo quer manter, pelo menos, até 2013), e dos cortes salariais na Administração Pública e no sector empresarial do Estado.

«Um autêntico pacote de exploração e empobrecimento dos trabalhadores» – é assim que a CGTP-IN classifica a proposta de lei para nova revisão do Código do Trabalho, que o Governo quer também alargar aos trabalhadores da Administração Pública. A central avisa que «este pacote é uma peça-chave desta política de terrorismo social, que é necessário desmontar, combater e derrotar».

Da jornada de 29 de Fevereiro sai também uma mensagem de confiança na alternativa e de determinação em lutar por ela, afirmando-se na resolução que «só a ruptura com esta política pode permitir um novo caminho para o desenvolvimento, o crescimento económico e o combate às desigualdades» e que «a saída da crise passa por uma política de desenvolvimento, que contemple a dinamização do sector produtivo, pela dinamização do mercado interno; pelo crescimento e criação de emprego; pela valorização do trabalho e pela dignificação dos trabalhadores».

Por persistentes e justificados apelos à participação na greve geral ficou marcada igualmente a semana de luta dos trabalhadores da Administração Pública, iniciada no dia 27. Na sexta-feira, 2 de Março, centenas de participantes no plenário nacional, que a Frente Comum de Sindicatos realizou ao início da tarde na Casa do Alentejo, deslocaram-se no final da reunião até ao Ministério das Finanças, para exigirem ao ministro «Gaspar, deixa de roubar» salários, subsídios de férias e de Natal, carreiras, estabilidade de emprego, direito à negociação colectiva.

Quando uma delegação de dirigentes ia entregar a moção aprovada no plenário, a porta do Ministério fechou-se e foi montado um cordão policial. Sob protestos dos demais representantes dos trabalhadores, que interromperam por alguns minutos o trânsito na Avenida Infante D. Henrique, as portas entreabriram-se e o recado seguiu para o ministro.

Com as portas abertas, mas sem a presença da Presidente da AR, uma delegação da Frente Comum entregou, segunda-feira no Parlamento, mais de 250 moções, aprovadas em plenários durante a semana de luta, contestando a proposta do Governo para incluir no Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas as alterações que quer impor no Código do Trabalho. Assunção Esteves foi criticada por falta de sensibilidade, uma vez que deveria ter recebido «uma Frente que representa mais de 36 sindicatos da Administração Pública, cinco dos quais têm mais de 200 mil sócios e representam mais de 450 mil trabalhadores», como explicou à agência Lusa a dirigente sindical Ana Avoila.

 

Unidade em marcha

Foram anteontem entregues pré-avisos de greve para dia 22 de Março, subscritos pela Fectrans/CGTP-IN e os seus sindicatos, juntamente com sindicatos da UGT ou sem filiação em centrais, abrangendo todas as empresas de transportes rodoviários e urbanos. Para a federação, fica assim dada «uma forte expressão de unidade na acção dos trabalhadores em cada local de trabalho e empresa».

Estes pré-avisos ganham mais força com o apoio à greve geral demonstrado pelos trabalhadores em várias empresas, como sucedeu no dia 29 de Fevereiro, na Transtejo, e como iria anteontem ser decidido num plenário na Soflusa, com a participação do Secretário-geral da CGTP-IN.

A disposição de luta dos trabalhadores determinou a concentração nacional de trabalhadores da EMEF, que o Sindicato dos Ferroviários convocou para ontem, em Lisboa.

Na empresa Horários do Funchal, a luta contra a privatização estendeu-se por toda a semana passada e terminou com uma concentração, no sábado, frente à secretaria regional dos Transportes. Um abaixo-assinado de trabalhadores e utentes foi subscrito por mais de 90 por cento do pessoal da empresa, informou a Fectrans, assegurando que a luta em defesa do serviço público vai continuar e terá uma etapa no dia 22 de Março.

A federação lembrou que, em diversas transportadoras, desenvolve-se lutas pela melhoria das condições de vida e trabalho, pela defesa dos acordos de empresa e contra a redução dos salários, designadamente no Metropolitano de Lisboa (greve ao trabalho extraordinário até 31 de Março), na Carris (greve na primeira e última hora do período de trabalho, entre 12 e 16 de Março), na Transtejo e Soflusa (greve ao trabalho extraordinário em ambas), na CP Carga (greve a manobras em estações guarnecidas por trabalhadores da Refer e em estações com falta de condições de trabalho, até 30 de Abril) e na EMEF (greve ao trabalho em dia feriado).



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