Editorial

AS GRANDES TAREFAS DO MOMENTO

As comemorações do 91.º aniversário do PCP, realizadas e a realizar em todo o País e nas emigrações, ocorrem num momento em que a luta organizada dos trabalhadores e das populações, a sua combatividade, determinação e confiança assumem dimensão e proporções notáveis. Num caso como no outro, sublinhe-se, com a intervenção decisiva do colectivo partidário comunista. O que não admira, sabendo-se que, para o partido da classe operária e de todos os trabalhadores, a batalha de todos os dias pelo seu reforço segue a par e passo com a sua intervenção na primeira fila da luta das massas trabalhadoras e populares.

Na verdade, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa no grande comício do Porto, «comemoramos o aniversário do nosso Partido com os olhos postos nas tarefas do desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo, particularmente nas tarefas que conduzam ao êxito dessa que desejamos seja uma grande greve geral dos trabalhadores portugueses e de todos os que estão a sofrer as consequências desta política». Dito por outras palavras: comemorar este 91.º aniversário, neste ano do XIX Congresso e de intensa actividade visando o reforço orgânico, interventivo e ideológico do Partido, é, para os militantes comunistas, uma tarefa complementar da que desempenham com o objectivo de dar mais força à luta dos trabalhadores e do povo – uma luta que, na situação concreta actual, tem como objectivo primordial fazer da greve geral convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 22 uma poderosa e expressiva jornada de luta que dê um forte contributo para o isolamento social e político do Governo e que vibre mais uma machadada na política de direita e no pacto de agressão assinado pela troika ocupante e pela troika colaboracionista.

 

Construir uma greve geral é sempre uma tarefa complexa e difícil, conhecidos que são os muitos e fortes obstáculos com os quais o inimigo de classe procura impedir o êxito da acção dos trabalhadores.

Nas circunstâncias actuais, esses obstáculos assumem dimensões ainda maiores, desde logo porque decorrentes, por um lado, da poderosa ofensiva da política de direita e do pacto de agressão contra os direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País e, por outro lado, das consequências de tudo isso na vida e na situação dos trabalhadores e das populações.

Exemplos disso são, entre muitos outros, as alterações ao Código do Trabalho, que constituem um novo e brutal passo em frente no ataque aos direitos dos trabalhadores; o desemprego, que aumenta todos os dias ao mesmo tempo que cresce o número de trabalhadores aos quais é recusado o respectivo subsídio; os cortes nos salários, nas reformas e nas pensões e o aumento dos impostos e dos preços de todos os bens essenciais, que espalham a pobreza, a miséria e a fome pelos lares de milhões de portugueses; a ofensiva contra o Serviço Nacional de Saúde, que semeia, à sua passagem, a doença, o sofrimento, a morte – em muitos casos antecipando cruelmente a morte de idosos.

E se é verdade que esta injustiça generalizada suscita o justo protesto e a crescente indignação e estimula à luta contra as causas desta situação, também é verdade que a instabilidade, a insegurança, os medos que tudo isto provoca – a que há que acrescentar os efeitos da intensa ofensiva ideológica levada a cabo pelos propagandistas da política das troikas – podem condicionar a intervenção de muitos na luta, levando-os a não ver que, mais do que necessária, a luta é indispensável, pois só com ela é possível travar e derrotar a ofensiva das troikas e criar condições para pôr termo a esta política e iniciar a resolução dos muitos e graves problemas que afectam os trabalhadores e o povo.

Fazer greve e perder um dia de salário constitui, sem dúvida, um sacrifício para a generalidade dos trabalhadores. Todavia, não aderir à greve para evitar esse sacrifício, e não dar o seu contributo para travar e derrotar a ofensiva anti-social e anti-laboral das troikas, constituiria uma opção de muito mais graves consequências. O caminho está na luta e é dando-lhe força e fazendo da greve geral do dia 22 uma poderosa jornada de luta que melhor se defendem os interesses e direitos de todos os trabalhadores.

Há, pois, um amplo e intenso de trabalho a levar por diante no esclarecimento e na mobilização das massas para que a greve geral cumpra os objectivos que se propõe.

 

É então neste quadro de intenso trabalho de construção da greve geral que os militantes comunistas iniciam a sua intervenção no processo de preparação do XIX Congresso – uma intervenção exigente e que não pode ser subestimada, bem pelo contrário deve merecer a máxima atenção de todas as organizações e militantes.

Sabemos que a reunião do órgão supremo do PCP é um momento maior da vida partidária, não apenas nos três dias da sua duração mas em todas as fases da sua preparação, no decorrer das quais o colectivo partidário, com a sua intervenção criativa, dá um contributo decisivo para a justeza das orientações que o Congresso vier a aprovar.

Trata-se, afinal, de debater e decidir colectivamente as decisões que colectivamente serão levadas à prática, num processo de reflexão que tem sempre presente, como objectivo prioritário, o reforço do Partido, da sua organização, da sua intervenção, da sua ligação às massas, da sua influência social, política e ideológica e as direcções de trabalho e tarefas essenciais para a concretização desse objectivo.

Assim, construir uma grande greve geral e, em simultâneo, dar os primeiros passos na construção de um grande Congresso, são as grandes tarefas do momento para o nosso colectivo partidário. Tarefas para cumprir. E que cumpriremos.


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