Siderúrgicos gregos enfrentam a ofensiva exploradora do capital
CGTP solidária com operários da Halivourgia
Resistência e solidariedade

O Secretário-geral da CGTP-IN enviou uma carta ao primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, expressando solidariedade com a prolongada greve na siderurgia grega Helleniki Halivourgia, em Aspropyrgos, arredores de Atenas.

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Na missiva, enviada dia 14, Arménio Carlos recorda que os cerca de 400 trabalhadores se encontram em greve há cerca de quatro meses e meio e apela ao governo grego para que tome medidas para se encontrar uma solução, suspendendo os despedimentos e cortes salariais na empresa e garantindo o emprego permanente e com direitos aos seus trabalhadores.

«Esta corajosa acção dos trabalhadores siderúrgicos tem lugar num momento em que se desenvolve uma ofensiva contra as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores da Grécia, de Portugal, mas também de outros países europeus, nomeadamente através de pacotes de austeridade impostos pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela União Europeia. O exemplo de luta e resistência dos trabalhadores da Halivourgia está a inspirar as lutas dos trabalhadores na Europa e em todo o mundo. Tal como nós em Portugal, estão em luta para defender o trabalho com direitos, condições de trabalho dignas, contra o empobrecimento e as medidas recessivas e por uma mudança de política com crescimento económico e justiça social.»

Manifestando «plena solidariedade aos trabalhadores da Halivourgia e à luta mais geral dos trabalhadores gregos contra a ingerência externa e as medidas anti-sociais», o dirigente da maior central sindical portuguesa apelou ao governo grego para que «intervenha rapidamente para que seja imediatamente reposto o respeito pelos direitos» dos trabalhadores em luta.

 

Uma luta de classe

 

O conflito laboral teve início em 31 de Outubro, quando a direcção da empresa, evocando dificuldades económicas, colocou os operários perante o dilema: ou aceitavam a supressão de 180 postos de trabalho ou todos passariam a trabalhar a tempo parcial, com redução de pelo menos 40 por cento do salário. A resposta foi a greve, já que os operários não estavam dispostos nem a ceder o emprego nem cerca de metade do salário.

A sua determinação foi reforçada com base nos resultados positivos da unidade industrial, que só em 2010 obteve lucros na ordem dos 200 milhões de euros. Além disso, a produtividade aumentou 30 por cento nos últimos anos e o volume da produção de aço cresceu em 70 mil toneladas. Tudo isto sem a admissão de novos efectivos e em boa parte à custa da intensificação dos ritmos de laboração, que provocou inúmeros acidentes de trabalho. De resto, o incumprimento das normas de segurança levou a empresa a ser condenada pelo tribunal, em 2010, com uma pesada sanção pecuniária.

Já no seu quinto mês de greve, mantendo as instalações ocupadas e vigiadas em permanência, os operários estão rodeados por um anel de solidariedade que continua a alargar-se. A ajuda moral dos trabalhadores e da população das redondezas é complementada com auxílio financeiro, que permite aos grevistas sobreviver e garantir o mínimo às suas famílias.

Importante é igualmente a solidariedade internacional. A Federação Sindical Mundial e a União Internacional da Metalurgia e Minas declararam recentemente uma semana de solidariedade com os operários da Helleniki Halivourgia, de 9 a 14 de Abril.

Situada numa cintura industrial de Atenas, onde estão concentradas numerosas indústrias pesadas, designadamente a maior refinaria do país e um importante porto de mercadorias, a greve na Helleniki Halivourgia levou à suspensão de processos semelhantes noutras unidades da região. Os patrões, receando o alastramento das greves, decidiram esperar pelo desenlace da luta na Halivourgia. Não fosse a determinação destes operários, seguramente que novas vagas de despedimentos e a redução de salários já teria afectado muitos milhares de trabalhadores.



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