Um em cada quatro trabalhadores alemães aufere um salário baixo
Segunda vaga de greves na Alemanha
Contra a degradação salarial

Uma greve de 24 horas convocada, dia 22, em sete estados federados, por aumentos salariais de 6,5 por cento, afectou a generalidade dos serviços públicos, em particular os transportes, infantários e recolha do lixo.

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Esta segunda vaga de greves foi desencadeada pelo sindicato Ver.di, que representa dois milhões de trabalhadores, após o rompimento das negociações sobre as novas tabelas salariais.

Os representantes da administração central, dos governos regionais e das autarquias ofereceram uma actualização salarial de 3,3 por cento para um período de dois anos, proposta recusada pelo sindicato, uma vez que significaria um aumento de apenas 1,77 por cento ao ano, não cobrindo sequer a inflação prevista para 2012 e 2013.

As greves, que levaram no início da semana à anulação de centenas de voos em nove aeroportos, foram entretanto suspensas, na expectativa de um acordo na ronda negocial, marcada para ontem, dia 28, em Potsdam.

O presidente do Ver.di, Frank Bsirske, preveniu que, se não se chegar a acordo nesta reunião, será convocado um referendo entre os trabalhadores do sector público para decidir sobre uma greve ilimitada.

 

O flagelo

dos baixos salários

 

A luta por aumentos salariais nos serviços públicos coincide com a exigência de vários sindicatos no sentido de se instaurar um salário mínimo nacional, como forma de combater a degradação salarial que já atinge cerca de um em cada quatro trabalhadores na Alemanha.

De acordo com um estudo do Instituto de Investigação do Trabalho da Universidade de Duisbourg-Essen, publicado no dia 14, uma percentagem de 23,1 por cento dos assalariados, ou seja 7,84 milhões de pessoas, auferem uma remuneração considerada baixa, isto é, inferior a 9,15 euros brutos por hora, o que representa um terço do salário médio alemão. O estudo mostra ainda que 19,9 por cento dos trabalhadores ganham menos de 8,5 euros à hora e que 11,4 por cento são pagos a menos de seis euros à hora.

O aumento do número de «trabalhadores pobres» foi particularmente sensível a partir de 1995. Nessa altura variava entre os dois milhões e os 2,2 milhões. Porém, em 2002, a fasquia dos cinco milhões foi ultrapassada na parte ocidental do País, onde os salários são mais elevados que no Leste, e hoje são já 5,8 milhões os que figuram nesta categoria.

Significativo é ainda o facto de que 71 por cento destes trabalhadores possuem uma qualificação profissional e que dez por cento até são detentores de diplomas universitários. Só os restantes 18,4 por cento não têm qualificações.

Por género, a maioria são mulheres (63,7%), cerca de um quarto (24%) trabalham a tempo parcial e 28,4 por cento têm um mini-job, inovação germânica, da época dos governos sociais-democratas liderados por Gerhard Schroeder, que obriga os desempregados a trabalhar quase de borla, não podendo o seu salário exceder os 400 euros mensais – uma autêntica bênção para o patronato.



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