Os altos-fornos de Florange estão desactivados desde Outubro
Operários franceses percorrem 350 km até Paris
Uma marcha pelo emprego

Partiram a 28 de Março de Florange, no departamento de Moselle, percorrendo a pé 350 quilómetros até à capital francesa, alcançada na última sexta-feira, 6, onde foram recebidos por milhares de pessoas junto à Torre Eiffel.

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A escolha do local, onde se realizou um concerto de solidariedade com a participação voluntária de numerosos artistas, visou chamar a atenção para a importância dos altos-fornos da região de Lorraine (Nordeste da França), de onde saiu o aço com que, em 1889, foi construída a emblemática torre, tornada num dos maiores símbolos do país.

Já em 15 de Março, centenas de operários se tinham deslocado a Paris para confrontar o presidente Nicolas Sarkozy com as suas persistente mas nunca cumpridas promessas de reactivação da siderurgia. Ausente em campanha, o presidente gaulês enviou as forças de intervenção para impedir a aproximação dos operários da sede da sua candidatura. Depois acusou-os de pretenderem destruir as instalações e de ingerência política na corrida presidencial para o prejudicar.

A tudo isto, os operários e os seus sindicatos responderam que apenas lutam pela salvaguarda dos cerca de 2500 postos de trabalho na região, dos quais várias centenas já foram remetidos para a categoria de «desemprego parcial».

 

Uma indústria ameaçada

 

A multinacional ArcelorMittal repete que a paragem da siderurgia de Florange é temporária e deve-se unicamente à quebra da procura de aço a nível mundial. O mesmo disse em 2008, também em plena campanha presidencial, a propósito da siderurgia vizinha de Gandrange, que veio a ser definitivamente encerrada em 2009.

Os operários estão conscientes de que não se trata apenas da procura mundial. A ArcelorMittal, criada em 2006 pela fusão da Mittal Steel Company e da Arcelor, é o maior grupo siderúrgico do mundo, com unidades espalhadas por vários países, onde consegue custos de produção inferiores e acesso directo a mercados em forte expansão.

Depois de ter absorvido o seu concorrente francês, o gigante siderúrgico, controlado empresário de origem indiana Lakshmi Mittal, maximiza lucros encerrando as unidades menos rentáveis, por muito necessárias que sejam aos respectivos países e regiões e aos milhares de operários que delas dependem para sobreviver.

Desde finais de Fevereiro que a luta dos operários de Florange vem granjeando uma simpatia crescente por todo o país. «Somos todos da ArcelorMittal»: a luta pelo emprego irá continuar.



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