Cabe à luta popular o retomar dos caminhos de Abril
PCP comemora 38 anos da Revolução dos Cravos
<font color=0093dd>Os valores de Abril estarão presentes<br>no futuro de Portugal </font>

Celebrar mais um aniversário do 25 de Abril – o 38.º – não é um acto de saudosismo. Muito pelo contrário: os valores e conquistas da Revolução dos Cravos são perenes e estarão presentes em qualquer avanço progressista que venha a ter lugar em Portugal. A garantia é do PCP, que confia na luta dos trabalhadores e do povo para fazer com que o País retome os caminhos que Abril iniciou.

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Hoje mais do que nunca é necessário celebrar Abril, evocar os seus valores, defender com quantas forças se tenha o que resta das suas conquistas e realizações. Depois de mais de 35 anos de política de direita, dirigida contra tudo o que Abril trouxe, a aplicação do pacto de agressão assinado entre FMI, UE e BCE e PS, PSD e CDS desfere um novo e mais profundo golpe no Portugal de Abril: em apenas um ano, os efeitos das medidas do pacto de agressão fazem-se já sentir com uma violência inaudita na degradação brutal das condições de vida dos trabalhadores e do povo e na própria ameaça à sobrevivência do País como Estado independente e soberano.

Num almoço que reuniu, no domingo, mais de 200 militantes e simpatizantes do PCP do concelho de Oeiras, Jerónimo de Sousa garantiu que «Abril nunca morrerá» e que os seus valores, conquistas e transformações «hão-de fazer parte do nosso devir colectivo». Para o Secretário-geral comunista, os valores de Abril, e aquilo que representam, «terão sempre que integrar qualquer processo progressista» que venha a ocorrer no País e estarão presentes no «Portugal que pretendemos de progresso e democrático e na nossa luta pelo socialismo».

Longe de se tratar de um discurso de circunstância, feito à medida das comemorações de mais um aniversário da Revolução, esta relevância dada aos valores de Abril deverá passar mesmo a figurar na própria denominação do Programa do PCP, já a partir do próximo Congresso, que se realiza no final do ano. A proposta do Comité Central é que o Programa se passe a chamar Uma Democracia Avançada – Os Valores de Abril no Futuro de Portugal.

Curiosamente ou não, foi quando se referiu ao passado, ao desenrolar da própria Revolução de Abril, que Jerónimo de Sousa mais terá realçado a actualidade destes valores e destas conquistas: «Abril foi liberdade, foi direito ao trabalho, à saúde, ao ensino e à Segurança Social; Abril foi a terra entregue a quem a trabalha e os sectores estratégicos fundamentais colocados ao serviço do povo e do País; Abril foi o fim da guerra e do isolamento internacional.»

 

Abril de novo

 

Hoje, trata-se de «retomar os caminhos desta revolução inacabada», sublinhou Jerónimo de Sousa, garantindo caber ao povo fazê-lo, com o desenvolvimento e multiplicação da sua luta – o que, aliás, está já a suceder. Este processo, alertou o Secretário-geral do Partido, «será longo e não será fácil, pois vai exigir muita persistência e muita resistência». Mas é o «mais certo e seguro para transformar e atingir a ruptura que defendemos para alcançar os caminhos que um dia Abril perspectivou».

Fundamental é também o reforço do Partido pois, como frisou Jerónimo de Sousa, é a «única força que com determinação e coragem não desiste de um Portugal com futuro e de uma vida melhor para os portugueses». Se o PCP sempre foi necessário aos trabalhadores e ao povo, «hoje é-o mais do que nunca».

Nos últimos anos, fazendo ruir os vaticínios que por inúmeras vezes lhe decretaram a certidão de óbito, o PCP cresceu e reforçou-se. Mas é preciso mais, garantiu Jerónimo de Sousa, destacando a necessidade de levar por diante a campanha de recrutamento de dois mil novos militantes até Março do ano que vem.

Dirigindo-se a todos os que olhando para a situação do País não vêem mais do que dificuldades e obstáculos, Jerónimo de Sousa apelou a que olhem para a história recente do País: durante 48 anos de ditadura fascista foram muitos os que, «sofrendo o que sofreram – o desemprego, a prisão, a tortura e também a morte – interrogaram-se se valia a pena lutar». Muitos desistiram, é certo, mas houve um Partido, «composto por homens, mulheres e jovens que não desistiram e acreditaram que era possível conquistar a liberdade e a democracia e conseguir uma via progressista para o País». No dia 25 de Abril, recordou, «tiveram a confirmação de que valeu e vale sempre a pena lutar».

Também hoje há muita gente esmagada ao ver o seu «futuro negado e a sua vida ameaçada», reconheceu o Secretário-geral do Partido. A estes pediu: «não desistam, não se conformem nem se resignem – isto não há-de ser sempre assim!»

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Comemorações populares

O 25 de Abril será comemoradodas mais variadas formas em centenas de iniciativas por todo o Pais. Destacamos as comemorações populares de Lisboa e Porto.

 

Lisboa, 15 horas

Desfile popular entre o Marquês de Pombal e o Rossio


Porto, 14 horas

Desfile popular do Largo Soares dos Reis para a Avenida dos Aliados

 

Uma questão de opção

 

No almoço de Oeiras, Jerónimo de Sousa lembrou o primeiro aniversário da assinatura do pacto de agressão – uma data que, realçou, «não celebramos». Recordando terem sido muitos os que, na altura, não compreenderam a recusa do PCP em «reconhecer legitimidade a uma intervenção estrangeira», o dirigente comunista lembrou que, passado um ano, a vida deu razão ao Partido.

Portugal está, hoje, «mais desigual, mais injusto, mais pobre, mais endividado, mais dependente e menos democrático». Este é, em síntese, o balanço do Secretário-geral do PCP a um ano de aplicação do pacto de agressão. Se é verdade que a situação do País tem causas fundas na política de direita que o tem governado há mais de 35 anos, não o é menos que hoje «estamos perante uma ofensiva imensa, em que resistimos e lutamos contra esta ou aquela medida e imediatamente vem outra».

Neste curto período, depois dos violentos ataques ao Serviço Nacional de Saúde, à Escola Pública, à legislação laboral veio agora o Governo, pela voz do ministro Mota Soares, lançar uma nova ofensiva, agora contra a Segurança Social pública. A intenção, velha, é incluir um plafonamento a partir dos quais os descontos poderão ir para as seguradoras privadas e o argumento, falso, é de que assim a Segurança Social não terá que pagar as reformas mais altas.

Mas a verdade é outra, alertou Jerónimo de Sousa: com esta medida o Governo pretende apenas e só desviar para os grupos financeiros privados os descontos mais elevados, pondo em causa a sustentabilidade da Segurança Social.

O dirigente do PCP guardou ainda umas palavras para lembrar que nesta ofensiva o Governo PSD/CDS não tem estado só, pois o PS tem apoiado as mais gravosas medidas como o Orçamento do Estado, a legislação laboral e o mais recente «tratado de ingerência da União Europeia». Acusando este partido de estar «livremente comprometido com a política de direita e o pacto de agressão», Jerónimo de Sousa questionou: «que poderíamos nós fazer senão condenar esta postura do PS?»



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