A jornada foi apoiada por organizações de defesa dos serviços públicos
Docentes e alunos espanhóis juntos no protesto
Greve total na educação

Os principais sindicatos da Educação de Espanha (CC OO, ANPE, CSIF, STES e UGT), com o apoio das associações de pais e alunos e outras organizações, paralisaram, anteontem, 22, os estabelecimentos de ensino em quase todo o país.

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A greve abrangeu o pessoal da educação nos diferentes graus de ensino, levando à paralisação generalizada dos estabelecimentos, do Pré-escolar ao ensino Superior, que servem cerca de 7,5 milhões de alunos.

Na base desta inédita mobilização está o objectivo aprovado pelo governo de reduzir drasticamente a despesa no ensino público, que emprega actualmente cerca de um milhão de pessoas, devendo o seu peso passar de 4,9 por cento para 3,9 por cento do PIB, ou seja, um corte de mais de 10 mil milhões de euros.

O sector recorda que desde 2010 que o orçamento da Educação tem sofrido sucessivos cortes, que incluíram reduções salariais, supressão de postos de trabalho, eliminação de programas de apoio escolar, encerramento de escolas nos meios rurais, diminuição das bolsas de estudo, aumentos brutais das propinas, etc.

Os sindicatos calculam que as restrições orçamentais combinadas do Estado central e das comunidades autónomas se traduzirão este ano numa diminuição do financiamento das escolas entre 25 a 30 por cento.

Este estrangulamento financeiro é acompanhado de medidas que degradam a qualidade do ensino, como o aumento do número de alunos por turma, que pode atingir 30 no ensino Pré-escolar e Primário, 36 no Secundário e 46 no Superior.

De modo a compensar o congelamento das admissões, o governo impôs ainda o aumento dos horários lectivos aos professores, suspendeu as reformas antecipadas e diminuiu substancialmente as remunerações em caso de baixa por doença.

O ministro da Educação, José Ignacio Wert, alega que os cortes são «medidas excepcionais para uma situação excepcional». Mas para os professores, pais e alunos os novos cortes orçamentais traduzem o claro intuito de desmantelar o actual sistema público de ensino.

A jornada de greve, que foi precedida por semanas de protestos em toda a Espanha, ficou marcada por numerosas concentrações, manifestações, cortes de estrada e outras acções.



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