• Gustavo Carneiro
    – texto
    Inês Seixas, Jorge Cabral, Jorge Caria e João Casanova
    – fotos


Manifestação do PCP levou 30 mil a Lisboa
O Partido da resistência e da alternativa

À chamada do PCP, 30 mil pessoas saíram às ruas de Lisboa, no sábado à tarde, numa impressionante manifestação de combate ao pacto de agressão e à política de direita e de afirmação inequívoca de que a luta por um Portugal com futuro não só vai continuar como se vai intensificar. Interpretando o sentimento de todos os que participaram na manifestação, que transbordaram e tingiram de vermelho a Praça dos Restauradores, Jerónimo de Sousa afirmou: «Daqui saímos convictos e confiantes de que é possível vencer».

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O PCP assinalou com uma grandiosa manifestação de massas, que levou às ruas de Lisboa 30 mil pessoas, o primeiro aniversário da assinatura do pacto de agressão, que tantas e tão graves consequências está a ter na vida dos trabalhadores e do povo e no próprio afundamento do País. Tal como sucedera duas semanas antes, no Porto, também no sábado os comunistas saíram à rua com as suas bandeiras, as suas propostas, o seu projecto.

Mas não estiveram sós. Entre os participantes estavam muitos – milhares! – que não sendo comunistas reconhecem no PCP uma força indispensável ao futuro do País e no seu projecto o mais sólido baluarte para a defesa e aprofundamento dos direitos políticos, económicos, sociais e culturais e para a sobreviência de Portugal como País soberano e independente. Em faixas e cartazes, em palavras de ordem entoadas a partir de carros e megafones, estiveram presentes os mais sérios problemas com que se defronta a generalidade dos portugueses: do desemprego e da exploração às limitações no acesso à saúde e à educação, passando pelos aumentos de preços de bens e serviços essenciais ou pela anunciada extinção de freguesias. Mostrando que nada do que afecta os trabalhadores e o povo é estranho aos comunistas e que estes estão todos os dias na frente das lutas que se travam por esse País fora.

Aos protestos somavam-se outras palavras, apontadas ao futuro: Vencer o capital com a força dos trabalhadores; Os valores de Abril são o futuro da Juventude; Rejeitar o pacto de agressão, por uma política patriótica e de esquerda; Abril de novo com a força do povo; ou Democracia e Socialismo. Ao longo do percurso da manifestação, que se iniciou no Cais do Sodré e passou pela Praça do Município, Rua do Ouro e Rossio, antes de desembocar nos Restauradores, ninguém ficou indiferente à sua passagem nem à combatividade e determinação que dela transbordou – não tendo sido poucos os que nela se incorporaram. Certo é que ela terminou ainda maior do que começara.

 

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Confiança na luta

 

Na Praça dos Restauradores, Jerónimo de Sousa valorizou «esta iniciativa que aqui nos trouxe e mobilizou», sublinhando tratar-se de «uma importante afirmação do PCP, das suas propostas, do seu projecto. Uma combativa afirmação da exigência de ver retomados os valores de Abril, respeitados os direitos dos trabalhadores, defendida a soberania nacional. Uma afirmação de um País de progresso e de justiça social, inseparável da democracia avançada pela qual lutamos. Uma afirmação de um projecto e de um ideal, o ideal comunista, que nos anima na luta por uma sociedade mais justa, liberta da exploração do homem pelo homem, a sociedade socialista pela qual gerações e gerações de comunistas lutaram e continuam a lutar».

Depois de passar em revista as medidas inscritas no pacto de agressão e as suas consequências, o Secretário-geral do PCP propôs uma nova palavra de ordem: «Rejeitemos o pacto de agressão enquanto é tempo. Ponhamos fim a esta política, antes que essa política dê cabo do resto do País e destrua a vida de milhões de portugueses.» Para tal, garantiu, há que «intensificar a multiplicar a luta dos trabalhadores e do povo, ampliar a convergência e intervenção de todos os democratas e patriotas que não se conformam com a liquidação da soberania do seu País, reforçar a iniciativa política do PCP e alargar a corrente dos que reconhecem no Partido o mais sólido espaço de resistência e alternativa».

Após reafirmar as propostas dos comunistas para uma política patriótica e de esquerda – renegociação da dívida nos prazos, juros e montantes; nacionalização da banca; apoio à produção nacional e defesa do aparelho produtivo; reposição dos direitos roubados; suspensão das privatizações; renúncia às obrigações das normas do tratado orçamental e respeito pela Constituição – Jerónimo de Sousa rejeitou as «hipócritas manobras de propaganda» com que se tenta «mudar o necessário para que tudo fique na mesma». Não é possível «falar de crescimento e emprego sem tocar no pacto orçamental, sem beliscar as medidas draconianas da governação económica, sem questionar o rumo seguido até agora».

Manifestando a solidariedade do PCP para com «todos aqueles que de Espanha ao Leste europeu, de Itália à França se têm envolvido em grandes acções de luta, manifestações e greves gerais (e, em particular, ao povo grego e ao Partido Comunista da Grécia), Jerónimo de Sousa terminou o seu discurso com a convicção de que «é possível vencer». A dar-lhe razão estava uma praça coberta de bandeiras vermelhas e corações ardentes e combativos.

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