O PCP intervém na sociedade com uma confiança inabalável
Encontro de Jerónimo de Sousa com novos militantes
Opção corajosa e decisiva

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Aderir ao PCP numa situação tão dura e difícil com aquela em que vivemos é uma opção com profundo significado e que requer muita coragem, valorizou Jerónimo de Sousa num encontro com mais de uma centena de novos militantes do Partido do distrito de Lisboa, realizado no dia 5. Não ocultando as dificuldades e as exigências que se colocam actualmente aos comunistas e à sua luta, o Secretário-geral não teve, porém, quaisquer dúvidas em afirmar que «o PCP é o partido a que vale a pena pertencer.»

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Entre os novos militantes que encheram por completo o salão do Centro de Trabalho Vitória naquele final de tarde, alguns participavam pela primeira vez numa iniciativa do Partido. Outros estão já inseridos em organismos de empresa ou de freguesia ou, quanto muito, têm tarefas atribuídas. Mas todos terão dado o tempo por bem empregue, pois tiveram a oportunidade de partilhar as suas expectativas relativamente à militância comunista com outros que, como eles, tomaram há pouco essa opção.

A própria dimensão da iniciativa impressionou os novos militantes e vários dos que optaram por falar realçaram isso mesmo: «Congratulo-me por ver aqui tanta gente que, como eu, está a entrar agora. Isto tem muito futuro», disse uma das participantes, professora, enquanto que uma estudante, de 22 anos, confessou estar «muito contente por aqui estar e ver que estamos unidos e que cada vez somos mais».

Outro jovem, já integrado na estrutura partidária, salientou: «é muito bom ser deste Partido.» A mesma opinião tem um «novo militante de há 35 anos», como se apresentou, que usurpou o microfone por alguns segundos para transmitir aos que agora entraram que «estou muito feliz por pertencer a este Partido e só espero que daqui a 35, 40 ou 50 anos estejam tão felizes como eu».

Antes, já Jerónimo de Sousa tinha recebido das mãos de um membro da JCP cinco inscrições no Partido e uma outra nova militante tinha já salientado que, como ela, algumas das suas amigas tinham aderido ao PCP, embora não tivessem podido participar no encontro. Também o filho se inscreveu na JCP, contou, ressalvando que «a mãe não teve nada a ver com isso, pelo menos directamente. Mas fiquei muito contente».

Na sua segunda intervenção, após ouvir os testemunhos dos novos comunistas, Jerónimo de Sousa realçou estar em curso uma campanha para o recrutamento de dois mil militantes até Março de 2013, garantindo que «de Norte a Sul do País, o Partido está a crescer».

 

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Acto de coragem

 

Já antes, na abertura do debate, Jerónimo de Sousa valorizara a «tomada de posição muito forte» que representa, num tempo hostil como o que estamos a viver, a adesão ao Partido. Trata-se de uma opção que requer «muita força e muita coragem». Quando o «vento corre a favor» ou quando o socialismo «parece estar ali à saída da porta», esta seria uma opção mais simples de tomar. Mas no momento presente a coisa fia mais fino: «não temos boas notícias, a situação vai agudizar-se a ofensiva vai agravar-se», confessou o Secretário-geral do Partido.

Como sucedeu noutros momentos da história, particularmente durante os 48 anos de ditadura fascista, também hoje, perante a violência desta ofensiva, muitos se questionarão se vale a pena lutar, salientou Jerónimo de Sousa. A resposta, essa, é a mesma que o PCP (e só ele) deu também nessa altura: «continuamos a pensar que sim, que vale a pena continuar a defender o nosso projecto de transformação social, mesmo que resistindo, pois a resistência é a primeira pedra da construção». A concretização do projecto do Partido só será possível, acrescentou, se o «desenvolvimento da luta se verificar, se as lutas se multiplicarem, se o Partido for mais forte».

Mas a adesão ao Partido tem ainda uma outra vertente, igualmente significativa – a da «participação, da militância, da acção sem qualquer interesse pessoal, ao serviço exclusivo dos trabalhadores, da juventude, do povo e do País». É que no PCP, salientou, ninguém recebe louvores e prémios. Antes pelo contrário, muitas vezes é pedido aos militantes que façam mais do que a parte que lhes compete. Mas o que é ser comunista senão isto?

 

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O Partido a que vale a pena pertencer

 

Na sua primeira intervenção, o Secretário-geral do PCP adiantou algumas das características do Partido ao qual mais de uma centena de pessoas presentes no salão do Vitória aderiram há pouco. Características que, realçou, «não há deturpações, calúnias ou silenciamentos» que possam apagar.

O PCP, adiantou Jerónimo de Sousa, tem uma história ímpar – é o Partido da resistência antifascista, da liberdade e da democracia; é o Partido da revolução de Abril e das suas conquistas; o Partido «sempre presente nos momentos de resistência, de transformação e de avanço». O PCP é, também, um partido coerente, o Partido «da verdade, que não cede a pressões e chantagens, que aprende com a vida e segue determinado com a afirmação da sua identidade comunista. Um Partido com importantes valores éticos e morais, cujos militantes deram e dão provas sem paralelo de abnegação, recusando e combatendo favores e benefícios, dando um exemplo de dedicação ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País, da causa da libertação dos trabalhadores e dos povos».

É o PCP e só ele que «promove a participação e a luta», que «esclarece, que mobiliza, que une, mostrando a força imensa da luta para resistir aos ataques e retrocessos sociais e civilizacionais e para transformar a sociedade». E é, ainda, o Partido que organiza e que «dá oportunidade de juntar a opinião e a reflexão individuais à discussão e decisão colectiva e as transforma em poderosa alavanca de intervenção e transformação».

Valorizando os valores da paz, da solidariedade e da cooperação que o PCP promove, Jerónimo de Sousa salientou que o Partido é portador de um projecto de futuro, alternativo ao capitalismo – a democracia avançada, o socialismo e o comunismo, esse «sonho milenário de que nenhum homem possa ser explorado por outro homem».

Realçando que o PCP intervém com uma «confiança inabalável assente na sua história, no seu projecto e na sua força, Jerónimo de Sousa realçou: é o Partido «a que vale a pena pertencer, um partido que não desanima com as derrotas e não descansa com as vitórias».

 

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Novos militantes na primeira pessoa
Vozes convictas

 

Os participantes no encontro do passado dia 5 tiveram diferentes percursos e motivações que os levaram a aderir ao Partido Comunista Português: uns fizeram-no durante a juventude; outros após terem passado boa parte da vida a trabalhar. Uns conheciam há muito o Partido, que fazia parte do seu dia-a-dia desde a infância; outros pouco tinham ouvido falar dele. Todos estão empenhados em dar o seu melhor.

As suas palavras, proferidas na sessão perante os seus novos camaradas, são reveladoras do carácter dos comunistas, mesmo dos recém-chegados. Vejamos as suas razões, pelas suas próprias palavras, pois não há outras melhores que as substituam.

 

Do coração à acção

 

Uma das novas militantes explicou as suas motivações: «Juntei-me ao PCP porque de há uns anos para cá tenho vindo a verificar – e agora mais do que nunca estou convencida disso – que corremos o risco de perder muitos direitos, se não mesmo a nossa liberdade. (…) Na minha família havia outras pessoas comunistas, e claro que isso me influenciou, mas os meus ideais sempre foram comunistas – não declaradamente, pois só agora me fui inscrever, mas sempre votei no PCP e sempre achei que o PCP tinha razão. E agora tomei esta decisão: por mim, pelos outros e pelo meu filho, que tem 12 anos». Pensando desta forma, entendeu que «devia fazer mais alguma coisa do que ter ideias de “esquerda” e dizer que era comunista do coração».

Maria, de Cascais, é comunista desde pequenina. «Sou filha de um militante e ia com o meu pai aos comícios e à Festa do Avante!, mas nunca senti necessidade de me inscrever no Partido. A minha actividade era votar de quatro em quatro anos e defender o PCP. Toda a gente conhecia as minhas ideias, mas nunca pensei em me inscrever, a minha vida não passava por aí.» Até um dia.

Particularmente sensível à legislação do trabalho, por ser jurista, percebeu que «é preciso fazer alguma coisa e urgentemente. Estamos a criar um exército de escravos e não é só votando de quatro em quatro anos (mesmo votando no sítio certo) que vamos lá. Temos que ser mais activos e fazer mais coisas». Na greve geral de 24 de Novembro de 2011 participou num piquete de greve e no Centro de Trabalho do Partido «abriram-me as portas e fui muito bem recebida». Hoje é membro da Comissão de Freguesia de Cascais e garante que irá construir a Festa do Avante!.

No percurso de Ana, educadora de infância, a memória do pai têm um importante papel: «O meu pai era comunista e chegou a estar escondido antes do 25 de Abril. Depois, passei a acompanhá-lo nos comícios, a colar cartazes, em tudo. Era muito pequena. Na escola era a única que me assumia como comunista.» Mas os filhos também contaram, e muito. Agora que são maiores de idade, «dizem que não precisam mais de mim em casa. Há muito que queria fazer o que o meu pai fez e tornar-me militante e agora tenho tempo. Os meus filhos não vão ter emprego e achei que esta era a melhor forma de os ajudar. Estou à disposição do Partido para fazer alguma coisa por eles.»

Um jovem natural de Avis e organizado na Comissão de Freguesia dos Olivais, lembra que foi «criado entre comunistas, num ambiente em que o comunismo, mais do que uma política, é uma forma de ver a vida e de unir as populações. Eu presenciei o que o Partido fez e ainda faz pelas populações. O Partido cresceu dentro de mim, não foi algo imposto, foi algo de que aprendi a gostar. Hoje sinto-me em casa. Quando estou numa reunião do Partido sinto-me bem, sinto-me motivado e com vontade de regressar». A adesão deu-se em Lisboa, para onde veio estudar: «entrar para o PCP foi sobretudo um acto de consciência política, que levou tempo a amadurecer.»

 

Em defesa da humanidade

 

Hugo não aderiu ao Partido «por grandes razões ideológicas. Inscrevi-me na Festa, num domingo, quando a Festa já tinha acabado e os camaradas tiveram paciência para ficarem comigo mais uns minutos. E quando me inscrevi fiquei na dúvida: o que é isto de pertencer a uma juventude partidária? O que é isto de ser militante de um partido?» Depois de começar a participar nas reuniões e nas iniciativas compreendeu que «o que fazemos é mudar a sociedade para melhor. E percebi que estava no sítio certo».

Trabalhador da PT, Hugo destaca o reconhecimento dos colegas. «No meu local de trabalho não há delegado sindical e acaba por ser a mim que os meus colegas recorrem quando surge um problema ou quando têm alguma dúvida. É uma sensação indescritível este reconhecimento.» Hugo acredita que embora não se traduza ainda em votos, há uma «grande valorização daquilo que nós fazemos nos locais de trabalho ou à porta das empresas».

No caso de Isilda, professora a residir na Cruz Quebrada, foi a actividade sindical que desenvolve há quatro anos e os problemas com que aí se defrontou que a fizeram «ter uma consciência maior para fazer o que tinha que fazer: aderir ao PCP. E foi o que fiz este ano». Se dos problemas do País sempre teve alguma consciência, «quando se está numa actividade em que se liga muito directamente com os problemas do trabalho, a consciência cresce e somos levados a tomar uma posição: ou nos colocamos de um lado ou de outro». Além disso, realça ainda Isilda, os comunistas estão ligados, em Portugal e no mundo, às grandes lutas pela justiça, pela paz e pelos direitos das mulheres. Para além de defender «aquilo que nós estamos a perder: a humanidade. Com o que se passa no mundo do trabalho estamos a perder a humanidade e temos que dar força aos que defendem a humanização da sociedade, como o PCP».

«Era agora ou nunca», afirmou Rita, de Alfornelos, procurando explicar as razões da sua adesão ao PCP. Actualmente desempregada, realça a necessidade de «sermos mais e mais poderosos». Durante muitos anos considerou-se anarquista: «Eu vivi muitos anos na Suíça e lá como noutros países nem sequer há um partido comunista. E eu dizia que era anarquista. Os meus pais voltaram, fiquei lá sozinha, num país tão desumano e rigoroso. Tudo funciona bem, mas as pessoas não são felizes, não há solidariedade, diálogo, debate. É cada um por si».

 

Um ideal de futuro

 

Rogério, da Parede, está «há muito pouco tempo no Partido» e conhece mal a organização. Contudo, «devem ter depositado muita confiança em mim porque tenho feito muitas coisas: distribuir folhetos, vender o Avante! e tenho ido para a Atalaia». Trata-se, para si, de algo «extremamente gratificante. É uma forma de luta, de divulgar a mensagem do PCP e é uma forma de eu participar».

Ana ainda não tem um ano de militante e já está integrada na organização do PCP na Amadora. Apesar de sempre ter tido ideias comunistas, achou também que «entrar no Partido era um compromisso que é preciso honrar. Então esperei, deixei amadurecer a ideia e quando estava prestes a fazer 21 anos entrei».

Armando, de Rio de Mouro, entrou para o Partido na empresa em que trabalhava, a Unicer. «Na distribuição, dos 335 trabalhadores, 310 eram filiados na CGTP e, com a entrada na administração daqueles senhores da direita, o Pires de Lima e o Paulo Rangel, levámos a guia de marcha. Mas nunca devemos deixar de lutar. O nosso Partido é um partido de luta». Na mesma linha, outro dos participantes realçou a importância do sindicato, o STEFFAS, para a defesa do seu local de trabalho, realçando ter aprendido muito com vários dos seus (agora) camaradas.

Fábio, de Torres Vedras, garantiu que se inscreveu para «ser mais um a ajudar a lutar contra o capitalismo e as políticas de direita» e Duarte recorda que tomou contacto com a JCP na escola secundária: «vi sempre os comunistas da linha da frente da luta. Estavam na escola, tinham intervenção e não se fechavam sobre si próprios, tentavam chegar a todos os estudantes e criar aquilo que eu hoje sei que é a unidade». A adesão deu-se já no Ensino Superior, onde também viu a JCP a defender os estudantes e o ensino público. «Faz todo o sentido que nós, jovens, entremos para a JCP e para o PCP».

«Na política há dois lados: o socialismo e o capitalismo», afirmou uma antiga professora ucraniana, há 10 anos em Portugal e a trabalhar num lar de idosos. «O socialismo é o futuro dos nossos filhos», realçou, garantindo que «não temos que nos esconder, é preciso falar». Desde que a URSS desapareceu, recorda, «há mais guerras e não há equilíbrio». Nem no mundo nem na sua Ucrânia natal, que «está muito mal».



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