As autoridades palestinianas já autorizaram a exumação do cadáver
Investigação à morte de Arafat
Assassinato volta a ser hipótese

Quase oito anos passados sobre o desaparecimento de Yasser Arafat, a hipótese do envenenamento do emblemático líder da resistência palestiniana com polónio 210 ganha força. Na terça-feira, dia 3, a estação de televisão Al Jazeera emitiu uma reportagem na qual sustenta que a causa da morte de Arafat pode ter sido a contaminação com aquele agente radioactivo, detido por um número extremamente limitado de países.

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A cadeia com sede no Qatar baseia as informações divulgadas nas análises efectuadas pelo Instituto de Física de Radiação de Lausana. Durante nove meses, a entidade suíça estudou objectos pessoais de Arafat entregues pela viúva, Suha, e descobriu elevadas doses de polónio 210, advertindo, no entanto, que ulteriores conclusões têm de ser sustentadas com o escrutínio dos restos mortais do ex-líder da Organização de Libertação da Palestina.

Suha Arafat considera que depois de ver o resultado da investigação impõe-se avançar para a exumação do cadáver e pediu à Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) que a ajude. «Temos aqui a prova do crime. Falamos de um crime quando encontramos mais de 50 por cento de polónio nas suas roupas em análises elaboradas pelo mais importante laboratório do mundo. Quero que se saiba a verdade sobre o assassinato de Yasser Arafat», disse.

Israel, por seu lado, reiterou que nada tem a ver com a morte de Arafat. O envolvimento dos israelitas é uma tese que se mantém a par da do envenamento, defendida desde sempre, entre outros, pelo neurologista jordano responsável pelo acompanhamento médico de Arafat, nomeadamente ao longo do cerco de Israel a Ramalah, onde o líder palestiniano esteve confinado durante os últimos três anos de vida.

Arafat morreu a 11 de Novembro de 2004, aos 75anos, no hospital militar de Percy, em Paris. Apesar da viúva ter recusado a autópsia ao corpo, a unidade médica militar francesa elaborou uma série de relatórios sobre as duas semanas de internamento de Arafat, os quais foram mantidos secretos até à sua divulgação à revelia pelo New York Times, em 2005.

No passado dia 6, em Paris, o actual presidente da ANP, Mahmud Abbas, terá pedido ao presidente francês, François Hollande, a colaboração das autoridades gaulesas, mais concretamente a disponibilização de todas as informações confidenciais sobre a matéria.

Já esta segunda-feira, um porta-voz da ANP admitiu que a exumação dos restos mortais de Arafat vai mesmo avançar e que o apuramento técnico continuará a cargo do Instituto de Física de Radiação de Lausana.



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