Boicote salva Basescu

A maioria esmagadora dos eleitores romenos pronunciou-se no domingo, 30, pela destituição do actual presidente Traian Basescu. Paradoxalmente, Basesco reclamou vitória, parecendo ignorar o claro veto popular.

Tendo-se queixado de ser vítima de um golpe de Estado antidemocrático, Basesco aproveitou o requisito de um quórum mínimo de 50 por cento mais um para validar o resultado, imposto pelo Tribunal Constitucional semanas antes da consulta, para, por sua vez, antidemocraticamente, apelar ao boicote do referendo.

Fê-lo porque sabia que tinha contra si a maioria dos romenos, sufocados por anos de políticas de austeridade, que, nos primeiros meses do ano, derrubaram na rua o seu governo e abriram caminho à formação de uma nova maioria no parlamento.

Mas apesar do boicote, 46,5 por cento dos eleitores romenos deslocaram-se às urnas e 87,55 por cento votaram contra a sua permanência na chefia do Estado, contra apenas 11,12% que o apoiaram.

Em número de votos expressos, a rejeição de Basesco é ainda mais clamorosa: quase 7,3 milhões votaram pela destituição e apenas 923 mil pela sua manutenção no cargo.

Isto significa que os romenos que pedem hoje a sua saída são mais dois milhões do que aqueles que o elegeram em 2009, quando recolheu 5,3 milhões de votos.

As elementares regras da democracia aconselhariam Basesco a não cantar vitória, mas a respeitar o veredicto popular, demitindo-se. Porém, como já declarou, a sua intenção é manter-se no cargo, aproveitando a invalidação formal do referendo, mesmo sabendo que perdeu a legitimidade democrática.



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