• Rui Fernandes
    Membro da Comissão Política

A questão decisiva e central é que a elevação da consciência corresponda o passo de reforçar o PCP
Tempos de luta e confiança

A fonte da crise que atinge o nosso País, e de um modo mais geral o mundo, não está nos problemas que hoje se põem à humanidade. Está nas respostas que lhes dá o capital.

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Vivemos um momento marcado por uma forte ofensiva no plano dos direitos sociais, políticos, económicos e ideológicos, em que se agudiza a luta de classes e em que está cada vez mais visível a falência das teses e profecias dos seguidores do neoliberalismo, de que era possível civilizar e humanizar o capitalismo, ou as teorias do mal menor e de que já não eram necessários partidos de classe. A vida aí está para provar exactamente o contrário.

As exigências dos tempos que vivemos, com a intensificação das medidas de aumento da exploração dos trabalhadores, de novos cortes em direitos no contexto em que se alarga a pobreza e a exclusão (cerca de dois milhões encontram-se no limiar da pobreza), de avanço para uma nova fase do processo de privatizações, como seja o criminoso caso da TAP, conduzem à necessidade de um maior envolvimento e participação partidária na exaltante tarefa que constitui a luta por uma sociedade sem exploradores nem explorados. A ideia de que se mudam os governos mas se mantêm as políticas, as benesses para os do costume e os sacrifícios para os mesmos, vai conquistando novas consciências. Bastará ter presente que só os lucros de quatro grupos económicos – EDP, Jerónimo Martins, GALP e PT – nos primeiros seis meses deste ano, ascenderam a quase cinco milhões de euros/dia.

Mas a questão decisiva e central é que a essa elevação da consciência corresponda o passo de reforçar o PCP, a consciência de que é no PCP que os trabalhadores e os lesados por esta política encontram a mais firme e coerente resposta para romper com esta política e encetar o caminho que conduza a uma outra política para o nosso País, patriótica e de esquerda.

Ao mesmo tempo que se vinca nos trabalhadores e no povo a consciência da postura arrogante que marca a acção do Governo, este fará crescer o recurso a medidas que, nada resolvendo, servem para a propaganda e para tentar mascarar a natureza de classe da sua política, como é o caso do programa Impulso Jovem, que promove a precariedade, o aumento da exploração e a crescente descapitalização da Segurança Social. Mas também surgirão novas teorias e conceitos oriundos da máquina ideológica do capitalismo, através dos que acriticamente vazam o que é debitado em milhentos centros e observatórios de estudo, como seja o caso do conceito de «salário emocional», ou seja, outros aspectos ligados com o bem-estar do trabalhador para além das componentes materiais, para já não falar em operações mediático-provocatórias.

Alarga-se a consciência de que esta política tudo agrava e nada resolve, é uma política socialmente incendiária e arrasadora do aparelho produtivo nacional, que submete crescentemente aspectos centrais da soberania e independência nacionais a interesses estrangeiros serventuários do grande capital; uma política cuja natureza transporta em si mesmo a corrupção e o compadrio. Uma política que tem tido no PS um suporte, assente no tradicional malabarismo político de quem quer fingir estar contra, mas apoia; de quem quer dizer-se oposição, mas passa a vida em negócios de bastidores com o PSD, como parece ser o caso – mais um – das alterações à lei eleitoral autárquica.

A luta desenvolve-se

Por isso, a luta não teve nem terá interrupções. Ela aí tem estado de Norte a Sul, em grandes e pequenas acções, de natureza mais específica e sectorial ou mais global; contra o fecho de hospitais e centros de saúde; em defesa de postos de trabalho contra tentativas de encerramentos feitos à sorrelfa dos trabalhadores; pelo direito ao trabalho; em defesa da escola e ensino públicos, da dignidade dos professores e pelo direito dos jovens ao ensino num quadro de crescente impossibilidade de a ele acederem; contra os projectos em desenvolvimento de novos ataques aos trabalhadores da Administração Pública, contra a extinção de freguesias e pela salvaguarda constitucional da autonomia do Poder Local; contra o fecho de tribunais; por apoios a sectores da agricultura flagelados por acontecimentos climáticos; pela dignidade e dignificação dos militares; contra a tentativa de imposição abusiva do Código do Trabalho por parte de um patronato que pretende deitar ilegalmente às urtigas a contratação colectiva e impor um Código de exploração que violenta a Constituição da República; contra uma Lei das Rendas que vai não só significar o despejo de muitas famílias e gerar agravados problemas sociais, como constitui um novo elemento de chantagem sobre milhares de pessoas.

Sim, a luta não foi de férias, até porque a dignidade humana o não foi.

Luta dos trabalhadores que se desenvolve, ao mesmo tempo que por todo o País se desenrola a acção das organizações do Partido de contacto com os trabalhadores e as populações, com a distribuição do folheto É Tempo de Dizer Basta e a divulgação, mobilização e preparação da 36.ª edição da Festa do Avante!, festa de Abril, da solidariedade e da esperança. Festa dos encontros e reencontros. Festa da liberdade e da luta que continua!

No quadro das exigentes e complexas tarefas que temos diante de nós, mas assentes no nosso projecto e valores, na vitalidade dos nossos ideais, este é um reforçado momento de ir junto de milhares de trabalhadores, amigos, vizinhos e com verdade dizer-lhes como somos, o que pensamos, como actuamos, como lutamos, o que propomos. Dizer-lhes que há alternativa. Enfim, dizer-lhes que o PCP é o seu Partido e que estes são tempos esperança, luta e confiança!



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