• José Casanova

Mais palavras para quê?

O caso dos Cinco lutadores antiterroristas cubanos condenados nos EUA tem sido fértil em matéria de exemplos de como funciona a justiça no país da liberdade, da democracia e dos direitos humanos...

Há dias, Martin Garbus, advogado de um dos Cinco, revelou, apresentando provas, mais um conjunto desses exemplos, desta vez relacionados com o relevante papel desempenhado, na altura do julgamento, por um vasto conjunto de jornalistas de Miami, os quais, pagos pelo governo, levaram por diante uma intensa campanha de propaganda, baseada em mentiras e invencionices, com o objectivo de influenciar o júri – tarefa que executaram com pleno êxito...

Garbus revela os nomes de vários desses mercenários e os media que divulgaram os seus escritos – jornais, rádios e televisões – sublinhando que, por exemplo, «em apenas 194 dias, o jornal El Nuevo Herald divulgou 806 artigos», enquanto The Miami Herald deu à estampa, no mesmo período, 305 peças propagandísticas...

Os salários desses mercenários foram definidos, certamente, de acordo com o trabalhinho encomendado a cada um e, também certamente, de acordo com a obra produzida. Sabe-se, no entanto, que as somas recebidas vão desde os 3000 até às dezenas de milhares de dólares. Quando se trata de pagar o crime, o Império é um mãos rotas, seja em sua própria casa, seja na América Latina, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na Síria ou em qualquer país de qualquer parte do mundo.

É claro que a selecção dos jornalistas pagos para gerar um ambiente hostil aos Cinco lutadores antiterroristas cubanos foi feita com os cuidados cirúrgicos que a situação exigia. Assim, descobriu e revelou Martin Garbus, vários desses jornalistas têm um vasto currículo de envolvimento noutros tipos de escritos, designadamente a sua participação em múltiplas acções violentas e terroristas contra Cuba, sob a direcção da CIA: um é veterano da agressão derrotada da Baía dos Porcos; outro organizou bandos armados para actuar em Cuba; outros fizeram parte de grupos terroristas.

Pronto, mais palavras para quê? Trata-se de um bando de criminosos agindo às ordens do governo dos EUA.



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