«Um bombardeamento da NATO vitimou oito afegãs»
Afeganistão
Fim-de-semana negro

A morte de civis durante um bombardeamento da NATO e as perdas humanas e materiais das forças ocupantes fizeram deste fim-de-semana um dos mais negros dos últimos anos no Afeganistão.

Na Oriental província de Laghman, sábado, um ataque aéreo da Aliança Atlântica matou oito mulheres e feriu pelo menos outras cinco. Entre os sobreviventes estarão crianças, informou a Associated Press.

Num primeiro momento, a NATO qualificou o raide aéreo como «cirúrgico» e alegou que os alvos atingidos seriam cerca de 50 taliban, mas face às provas apresentadas pelas autoridades locais e aos testemunhos populares, o bloco político-militar imperialista admitiu, posteriormente, que o bombardeamento também vitimou oito mulheres que se encontravam num vale a recolher lenha.

A morte dos civis ocorreu justamente quando as forças ocupantes faziam propaganda do decréscimo das vítimas populares resultantes dos seus ataque na ordem dos 53 por cento. Em 2011, pelo menos 400 civis foram mortos pela NATO em operações militares, calculam as Nações Unidas.

O episódio em Laghman sucedeu, ainda, no contexto do recrudescimento dos ataques de grupos taliban tendo como objectivos bases da NATO, e dos incidentes violentos entre membros das forças ocupantes e das forças de segurança afegãs. Entre sexta-feira e domingo, pelo menos oito soldados britânicos e norte-americanos perderam a vida em combates com polícias e militares afegãos.

No mesmo período, um ataque contra a maior base militar da NATO na província de Helmand, Camp Bastion (onde está destacado o príncipe Harry, terceiro na linha de sucessão da Coroa Britânica), fez soar o alarme no Pentágono. A investida, levada a cabo por um grupo de quase duas dezenas de homens vestidos com uniformes dos EUA, provocou as perdas materiais mais significativas num ataque do género em dez anos de ocupação. Seis aviões foram destruídos, outros dois ficaram fortemente danificados, bem como pontos de abastecimento e hangares.

Houve coordenação e precisão, à semelhança do que sucede em acções das forças especiais, garantiu um responsável militar ocupante, citado por agências noticiosas.

Anteontem, a NATO decidiu restringir a realização de patrulhas conjuntas entre soldados da ISAF e militares e polícias afegãos, cuja adesão à resistência à ocupação é cada vez mais relevante.



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