«Governo e troikas arruínam a agricultura»
PCP solidário com os agricultores
Protesto em Aveiro

Centenas de agricultores desfilaram, sexta-feira, desde a Estação Ferroviária de Aveiro até à Feira Agrícola AGROVOUGA, em protesto contra as políticas agrícolas do actual e anteriores governos e em defesa do consumo dos produtos nacionais.

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«Governo e troikas arruínam a agricultura», «Agricultores reclamam outras e melhores políticas para a região» e «Contra as importações, consuma produtos regionais», foram algumas das mensagens que se podia ler nas muitas faixas ostentadas pelos agricultores.

Esta iniciativa, promovida pela Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA), contou com a presença de Inês Zuber, deputada do PCP ao Parlamento Europeu, que ali alertou para o facto de as medidas impostas pelo pacto de agressão agravarem a situação, já difícil, dos pequenos e médios agricultores portugueses, nomeadamente da agricultura familiar. A deputada, ladeada por uma delegação da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP, criticou, de igual forma, o anunciado aumento dos valores da contribuição para a Segurança Social, acompanhado da redução do consumo interno de bens alimentares, que contribuirá para um maior empobrecimento dos agricultores.

Neste sentido, Inês Zuber lembrou que as propostas que o PCP apresentou no Parlamento Europeu, no quadro da Revisão da Política Agrícola Comum (PAC) em curso, dariam resposta a muitos dos anseios dos agricultores portugueses, nomeadamente a manutenção dos regimes de quotas de produção de leite e açúcar, a manutenção dos direitos de plantação da vinha, a instauração de um regime de «margens máximas de intermediação» e de um regime de sistema de quotas de comercialização nacional.

«Não somos um País pobre, temos potencial para aumentar a nossa capacidade alimentar muito mais do que existe hoje, que é apenas de cerca de 20 por cento das nossas necessidades», afirmou a deputada.

O desfile terminou à porta da AGROVOUGA, onde os agricultores expressaram, com chocalhos e palavras de ordem, o seu descontentamento à ministra Assunção Cristas, convidada especial na inauguração da Feira. Os agricultores, que exigiram a demissão da ministra da Agricultura, ainda tentaram entrar na sala onde decorreu um colóquio sobre o estado da Agricultura, mas foram barrados pela PSP.

«O Douro é nosso»

No sábado, teve lugar um outro protesto, promovido pela Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO), frente ao Solar do Vinho do Porto, local onde estava previsto um almoço oficial com a ministra da Agricultura. «O Douro é nosso» e «Queremos apoios para poder continuar a produzir», foram algumas das palavras de ordem proferidas pelos agricultores.

O insólito daquele dia foi mesmo o facto de a ministra se ter «refugiado» num hotel na Régua, onde concordou receber os vitivinicultores, protelando a sua chegada ao Solar do Vinho do Porto. Nesse local, o membro do Governo foi questionado acerca das medidas – que tardam – para apoiar os vitivinicultores severamente afectados pelas quedas de granizo, assim como da necessidade de se aumentar o «benefício» para a próxima campanha. Entre muitos outros assuntos, os agricultores alertaram ainda para o escoamento e os preços à produção do vinho, para os altos custos dos factores de produção, para a produção e o comércio de aguardente, para a falta de fiscalização à rega ilegal da vinha do Douro por parte de grandes empresas e para a falta de fiscalização eficaz ao cumprimento da «lei do terço» (stocks obrigatórios, no comércio, de vinho do Porto).



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