Editorial

«Conscientes dos seus direitos e das suas razões, sabiam o que queriam e por que estavam ali»

TERREIRO DO POVO EM LUTA

No último sábado, o Terreiro do Paço foi Terreiro do Povo em luta.

Eram milhares e milhares – homens, mulheres, jovens, crianças – e vieram de todo o País, numa poderosa demonstração de força, de vontade, de confiança no futuro, transformando o imenso Terreiro do Paço num amplo espaço de determinação e coragem.

Era uma multidão rejeitando inequivocamente a política de direita e o pacto das troikas, exigindo o respeito pelos direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País e erguendo a sua voz contra a vaga de terrorismo social em curso: a exploração desenfreada, o desemprego, os salários em atraso, os roubos nos salários, pensões e reformas, os roubos nos subsídios, o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, dos serviços sociais, o ataque ao Poder Local Democrático, o desprezo pela independência nacional e pela Constituição da República Portuguesa.

Era um uníssono e poderoso grito de protesto e de exigência, numa expressiva manifestação de coragem – a coragem de quem está firmemente determinado a não abdicar de nenhum dos seus direitos, de quem não aceita mais injustiças e mais roubos, de quem acha que é tempo de dizer «basta!» à política predadora das troikas, antipatriótica e de direita, e dizer «sim!» a uma política patriótica e de esquerda.

Eram centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras de todas as áreas de actividade, conscientes dos seus direitos e da sua razão, que sabiam o que queriam e por que estavam ali. E que, ali, elevando a luta de massas a um novo e mais avançado patamar, garantiram que a luta vai continuar, mais participada e, por isso, mais forte. – como foi visível na reacção da multidão ao anúncio da greve geral feito pelo Secretário-geral do CGTP-IN.

A gigantesca manifestação do dia 29, pela sua dimensão e pela força combativa que evidenciou, ficará na história da luta dos trabalhadores e do povo português como momento marcante e constituiu um poderoso impulso para o desenvolvimento das necessárias lutas no futuro imediato.

Na sequência dessa impressionante acção das massas trabalhadoras e populares – e dando-lhe a exigida continuidade – o PCP apresentou uma moção de censura ao Governo PSD/CDS e à política de direita – assim confirmando uma vez mais que também na Assembleia da República é possível e imprescindível dar combate à política de afundamento nacional e ao Governo que a executa.

É sabido que o Partido tomou idêntica iniciativa há cerca de três meses, apontando então a natureza de classe da política do Governo – ao serviço exclusivo dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros nacionais e internacionais – e acentuando incisivamente que, para além disso, essa política seria um fracasso mesmo nos objectivos que serviam de pretexto à sua aplicação: a contenção da dívida e do défice das contas públicas. A evolução das coisas de então para cá – com uma profunda e acentuada degradação da situação do País – mostrou exuberantemente que o PCP tinha razão e que a moção de censura foi oportuna e inteiramente justa.

O outro objectivo da moção então apresentada – dar força à luta das massas trabalhadoras e populares – foi, também ele, coroado de sucesso: nos últimos meses, a luta contra a política de direita, contra o pacto das troikas e o Governo cresceu significativamente, fazendo do Verão que passou um tempo de fortes e participadas acções de massas, quer nos sectores profissionais, nas empresas e nos locais de trabalho, quer nas localidades, criando condições para o desenvolvimento de um amplo movimento de contestação que nas últimas semanas assumiu expressões massivas.

Quer tudo isto dizer que, se há três meses a moção de censura apresentada pelo PCP se confirmou oportuna e inteiramente justa, a apresentação de nova moção de censura, hoje, apresenta-se não apenas como necessária, mas como indispensável.

Trata-se, afinal, de dar voz institucional ao imenso clamor de protesto e de exigência ouvido no Terreiro do Povo – e de, também por esta forma, trazer mais força à luta de massas.

A expressão «tarefa prioritária» é por demais conhecida dos militantes comunistas. Pode, mesmo, dizer-se que ela faz parte do dia-a-dia do colectivo partidário, muitas vezes surgindo no plural.

Cá estamos nós, então, com mais duas tarefas prioritárias: uma, a curtíssimo prazo, outra a curto prazo.

A primeira tem a ver com a indispensável intervenção dos comunistas no importante processo de preparação da greve geral convocada pela CGTP-IN. Uma intervenção que, como a experiência vem mostrando, constitui um contributo fundamental para assegurar o êxito dessa importante acção de luta dos trabalhadores portugueses.

A segunda prende-se com a construção do XIX Congresso do Partido. São muitas e grandes e complexas as exigências que a realização de um congresso comporta, desde o debate em torno dos dois documentos essenciais – Alterações ao Programa e Resolução Política – até à eleição dos delegados – debate e eleição que, como sabemos, serão tanto mais produtivos e conseguidos quanto maior e mais intensa for a participação dos militantes.

Nunca é demais sublinhar – e mais ainda em período congressual – a importância que tem, num partido como o PCP, a realização de um congresso e o papel determinante desempenhado pelos seus militantes nessa realização. Ou, dito doutra forma: no partido onde o colectivo é quem mais ordena, tem a palavra o colectivo partidário comunista. «O nosso grande e fraterno colectivo partidário».

 


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