Editorial

«Fazer do dia 14 de Novembro uma muito poderosa jornada de luta»

TEMPO DE LUTA

A cada dia que passa acentua-se o isolamento do Governo Passos/Portas. Junto dos trabalhadores e do povo o seu descrédito é total, quer em relação ao que tem feito, expresso na dramática situação em que se encontra o País, quer no que respeita ao que se propõe fazer, que, a concretizar-se conduzirá ao total afundamento de Portugal.

Como incisivamente acentuou o Secretário-geral do PCP no comício da Voz do Operário, «este é um governo sem futuro, isolado do povo e com uma política que está em conflito com o País».

Com efeito, já não há quem acredite que este Governo e a política que pratica sejam solução para nenhum dos grandes problemas que afligem a imensa maioria dos portugueses – e toda a gente sabe, ou pressente, que tal Governo e tal política, a prosseguirem, agravarão drasticamente todos os problemas existentes; espalharão mais e mais desemprego e precariedade; roubarão mais e mais os trabalhadores, os reformados e os pensionistas; arremeterão com mais e mais força contra tudo o que são direitos dos trabalhadores e do povo; atirarão para a pobreza e para a miséria mais e mais portugueses, a juntar aos milhões que já hoje vivem nessa situação.

Basta olhar para esse brutal atentado contra os trabalhadores, o povo e o País que é a proposta de Orçamento do Estado para 2013, para concluir que o que este Governo se propõe fazer é muito pior do que aquilo que já fez – a confirmar que desta gente e desta política nada de bom há a esperar excepto para os mesmos de sempre: os grandes grupos económicos e financeiros, pelos interesses dos quais os governantes zelam fielmente. E, olhando mais de perto, que dizer da «refundação do memorando» há dias disparada pelo primeiro-ministro, senão que se trata de uma espécie de assalto final ao que resta do regime democrático de Abril?

Assim, romper com este Governo, com a sua política antipatriótica e de direita e com o pacto de agressão, e impor uma política alternativa – necessariamente patriótica e de esquerda – apresentam-se como exigências incontornáveis e com carácter de urgência: chega de governo PSD/CDS, chega de política de direita e de pacto das troikas.

Para alcançar esse objectivo há, na situação actual, um único caminho a seguir: o desenvolvimento, a intensificação e o alargamento da luta de massas. É na luta organizada dos trabalhadores e das populações que reside a chave para abrir as portas a um futuro de desenvolvimento e justiça social, inspirado nos ideais e nos valores de Abril.

O tempo que vivemos é, por isso, um tempo de luta, de luta intensa que se quer, e é indispensável que seja, cada vez mais forte e mais participada.

Às múltiplas lutas travadas no interior de centenas de empresas e locais de trabalho; às diversificadas acções de protesto realizadas em diversas localidades, de Norte a Sul do País; às grandes manifestações levadas a cabo nas últimas semanas e que trouxeram às ruas centenas de milhares de trabalhadores; a todas essas amplas e fortes movimentações de massas – expressão inequívoca da rejeição do Governo e da política das troikas e de exigência de uma política ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País – há que dar a continuidade necessária.

Assim, deve ser objectivo dos trabalhadores e das populações fazer da concentração convocada pela CGTP-IN para o dia 12 de Novembro, quando da vinda a Portugal de Ângela Merkel, uma expressiva acção em defesa da soberania e da independência do nosso País, contra o pacto de agressão, pelo respeito e cumprimento da Constituição da República Portuguesa, por um Portugal com futuro.

E constitui um imperativo incontornável fazer do dia 14 de Novembro uma muito poderosa jornada de luta, construindo uma greve geral que expresse o amplo sentimento de revolta e de exigência das massas trabalhadoras e que confirme o papel decisivo da luta dos trabalhadores no caminho da mudança rumo ao futuro. Para que assim seja, há que levar por diante as muitas e exigentes tarefas indispensáveis ao êxito da greve geral – tarefas que vão desde o intenso esclarecimento mobilizador e o combate aos medos decorrentes das pressões, intimidações e chantagens ilegais exercidas pelo grande patronato, até à organização dos piquetes de greve, de importância fundamental para assegurar o sucesso da jornada de luta.

Para a concretização plena dessas tarefas, o contributo dos militantes comunistas é indispensável. E os trabalhadores podem, hoje como sempre, contar com esse contributo, não obstante a intensa actividade partidária actualmente desenvolvida pelo colectivo comunista. Com efeito são muitas e grandes as exigências decorrentes da preparação do XIX Congresso. Vale sempre a pena recordar esta questão essencial: as conclusões, orientações e linhas de trabalho que o Congresso vier a definir, serão tanto mais correctas e ajustadas à situação – e contribuirão tanto mais para o reforço do Partido – quanto mais intensa e participada for a intervenção dos militantes em todo o processo preparatório do Congresso. É através do debate; da troca de opiniões; da análise aprofundada e rigorosa à situação nacional, internacional e partidária; da procura colectiva de soluções para os muitos problemas que se nos deparam; da definição dos melhores caminhos visando o desenvolvimento e a intensificação da luta de massas; da reafirmação colectiva da identidade do Partido e do seu objectivo supremo de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, a sociedade socialista e comunista: é através desta prática que o Partido se fortalece e fica em melhores condições para cumprir o seu papel de partido da classe operária e de todos os trabalhadores.


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