Todos
os trabalhadores são precisos
na greve geral
CGTP-IN apela a todos os que são vítimas
da política de direita
A força do trabalho<br> mostra-se dia 14

«Nunca nos últimos tempos tivemos tanta companhia e tantos apoios, nunca tivemos tão pouca polémica em torno de uma greve geral», disse Arménio Carlos, perante os milhares de pessoas que, a 31 de Outubro, reprovaram o Orçamento que a maioria PSD/CDS fez passar à pressa no plenário parlamentar. Cá fora, foi visível o que o Secretário-geral da CGTP-IN quis dizer, ao dar nota de que o ambiente para a greve geral, no dia 14, «é muito bom» e que «vamos demonstrar que o trabalho tem força e pode mudar este País».

Image 11855

Na altura em que milhares de trabalhadores dos vários sectores da Administração Pública partiam do Marquês de Pombal, em direcção ao Largo do Rato, para descerem a Rua de São Bento – protesto nacional convocado pela Frente Comum de Sindicatos –, já muitas pessoas estavam nas proximidades da Assembleia da República. A CGTP-IN convocara uma concentração para as 17 horas, no sopé da escadaria, e outros apelos semelhantes foram feitos para mais cedo, com o objectivo comum de marcar com um forte protesto popular a primeira votação da proposta governamental de Orçamento do Estado para 2013.

No comício sindical iniciado depois dos manifestantes chegarem ao largo, Arménio Carlos, que interveio cerca das 18 horas, a seguir à coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, deixou claro que a forma como PSD e CDS impuseram a votação «é sinal de fraqueza» e asseverou que «a luta vai continuar, este não é um processo encerrado». Ou seja, «o OE vai baixar às comissões e nós vamos continuar a denunciar o que de pior este Orçamento tem, a reafirmar as nossas propostas e a demonstrar que temos alternativas» e, «a 27 de Novembro, dia da votação final, se porventura este Governo ainda estiver no poder, vamos estar aqui outra vez, a reafirmar que vamos continuar a luta, até que o Governo se vá embora e com ele leve a política de direita».

Até lá, a central e o movimento sindical vão «confrontar os deputados do PSD e do CDS, por todo o País, com as suas responsabilidades e com o que disseram e não disseram nas eleições, exigindo que votem contra este OE».

Unidade na acção

A duas semanas da greve geral, Arménio Carlos deu conta de que «o ambiente é muito bom, nos locais de trabalho, nas empresas do sector privado e do sector empresarial do Estado, na Administração Pública, é bom na rua», o que se conclui «dos muitos plenários, reuniões e outros contactos de milhares de dirigentes e delegados sindicais e de muitas centenas de membros de comissões de trabalhadores».

Alertando que «isso, só por si, não chega, é preciso fazermos mais», o dirigente da Intersindical saudou os sindicatos filiados, que «têm feito um esforço notável, neste trabalho de formiguinha, que todos os dias fazemos». E considerou ainda ser «justo, no âmbito da unidade na acção, que saudemos hoje aqui todos os outros sindicatos, mesmo os que não são filiados na CGTP-IN, que já entregaram pré-avisos de greve».

«Nunca nos últimos tempos tivemos tanta companhia e tantos apoios, nunca tivemos tão pouca polémica em torno de uma greve geral – dentro e fora de Portugal», comentou Arménio Carlos, numa resposta implícita aos que teimam em defender que a CGTP-IN estaria «sozinha» na mobilização para dia 14. Saudou, a propósito, as Comisiones Obreras, a UGT espanhola e as confederações regionais deste país, e também os trabalhadores gregos e as suas confederações (aqui trata-se as lutas convocadas noutros países europeus).

Dirigiu ainda uma saudação aos «homens, mulheres e jovens que integram os movimentos que, ao longo dos últimos meses, têm estado empenhadamente nesta luta, ao lado do movimento sindical».

Até ao dia da greve geral, apelou, «um dos maiores desafios que temos pela frente é falarmos com todos, sem excepção», que estão a ser vítimas desta política, tenham votado neste ou naquele partido ou não tenham votado em nenhum. Todos são necessários «para, a esta ofensiva global, darmos a resposta geral».

 

Funções sociais do Estado

Arménio Carlos suscitou um sonoro «não» dos manifestantes, dirigido ao ministro das Finanças, que perguntou se os portugueses querem pagar mais impostos para manter as funções sociais do Estado. O Secretário-geral da Inter notou que «nos últimos anos, aumentaram os impostos à generalidade dos portugueses e continuaram a ser reduzidas as funções sociais do Estado: reduziram na saúde, reduziram na educação e estão a atacar como nunca a Segurança Social».

Se o primeiro-ministro veio falar numa refundação e, depois, numa reavaliação das funções sociais do Estado; e se, na AR, Paulo Portas defendeu que podem mexer nas funções sociais do Estado sem rever a Constituição; isso significa que «eles já perceberam que não podem mexer na Constituição, mas não desistiram de destruir as funções sociais do Estado na saúde, na educação e na Segurança Social» e «vão tentar esvaziar e subverter a Constituição, através de legislação ordinária».

A CGTP-IN «tudo fará para combater qualquer revisão da Constituição, qualquer alteração que leve à degradação ou à redução das funções sociais do Estado», e «tudo fará para evitar que o capital privado entre em força na saúde, na educação e na Segurança Social para fazer negócio, à custa da exploração dos trabalhadores e dos nossos filhos».

Image 11857

Merkel vai ouvir

Para dia 12, segunda-feira, quando Angela Merkel visita Portugal, a CGTP-IN convocou uma concentração,às 15 horas, na Praça Luís de Camões, seguida de desfile para a residência oficial do primeiro-ministro. «Vamos estar na rua em força, para dizer à senhora Merkel que não aceitamos que ela faça em Portugal aquilo que ela não desejaria que outros fizessem ao povo alemão», apelou Arménio Carlos.

 



 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: