O Governo é um perigo para a sobrevivência do regime democrático
Grande comício em Beja
O futuro do País depende da luta do povo

Nem as fortes chuvadas que se faziam sentir na região desmobilizaram as centenas de pessoas que participaram, sábado, na Casa da Cultura de Beja, no comício do PCP inserido na campanha Pôr Fim ao Desastre. Com o PCP, uma política e um governo patrióticos e de esquerda.

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O rumo que o País segue assume «contornos crescentemente perigosos e sinistros». Foi assim que o Secretário-geral do PCP caracterizou, em Beja, a política que o Governo do PSD/CDS executa em estreita articulação com a troika estrangeira que se arroga em «dona do País e do destino dos portugueses». Para Jerónimo de Sousa, o problema não está só na gravidade das medidas contidas no Orçamento do Estado para o próximo ano, mas também no projecto em curso que visa a destruição do regime democrático saído do 25 de Abril.

«No debate desta semana do Orçamento», denunciou Jerónimo de Sousa, «ficou muito claro que Passos e Portas consideram que é hora de dar a estocada final no projecto de democracia constitucionalmente consagrado, concretizando uma velha aspiração da direita portuguesa». Trata-se, garantiu, de um «salto qualitativamente novo na ofensiva ideológica e na prática governativa, ao declararem sem disfarce a sua intenção de refundação do memorando/pacto de agressão, definindo esta operação como uma refundação do próprio Estado e das suas funções». Daí o PCP afirmar que a presença de Passos Coelho e Paulo Portas à frente do governo do País, bem como a maioria que os suporta, «são um perigo para a própria sobrevivência do regime democrático constitucional».

Em jeito de apelo, o dirigente comunista realçou que os «democratas, os patriotas, todos os portugueses que se revêem nos valores do 25 de Abril, não podem ficar indiferentes face à ofensiva que está em curso, porque esta é a hora de cerrar fileiras, para impedir a concretização de uma política que inevitavelmente conduzirá o País e a vida dos portugueses para o fundo». Para o Secretário-geral do Partido, «os trabalhadores, o povo, os portugueses têm nas suas mãos, com a sua coragem e a sua luta, com uma grande participação na greve geral de 14 de Novembro e com a luta de todos os dias nas empresas e nas ruas, a possibilidade de derrotar este Governo, de pôr fim a esta política, de rejeitar o pacto de agressão».

Travar a destruição

Antes de Jerónimo de Sousa, interveio Miguel Madeira, do Comité Central e responsável pela Direcção da Organização Regional de Beja do Partido, que denunciou a ausência de qualquer referência ao distrito de Beja no Orçamento do Estado. Se estão ocultas as intenções do Governo para o distrito, tal ausência «não augura nada de bom», garantiu o dirigente comunista. Para Miguel Madeira, o Instituto Politécnico de Beja tem uma redução de mais de um milhão e 400 mil euros nas transferências, relativamente a 2011, e a Administração Regional de Saúde do Alentejo vê as transferências reduzidas, de 2012 para 2013, em mais de 28 milhões euros.

Prosseguindo, Miguel Madeira lembrou que a ofensiva contra os trabalhadores e o povo, e também contra o Alentejo, não é de hoje e não se limita apenas a este orçamento. Pelo contrário, vem de trás, com resultados tão negativos que se traduzem no envelhecimento da população e no despovoamento e desertificação do território.

No distrito, acrescentou, há hoje mais de 13 mil desempregados e o Governo não só nada faz para resolver este problema como «atrasa ou abandona» projectos estruturantes, como Alqueva, o Aeroporto de Beja, o IP8 ou a exploração dos recursos minerais, projectos sempre defendidos pelo PCP e que esbarraram muitas vezes nas opções políticas de PS e PSD. Miguel Madeira saudou ainda as recentes lutas no distrito, em defesa das acessibilidades, e alertou ainda para os ataques em curso contra os serviços públicos e o próprio poder local democrático.

A primeira intervenção esteve a cargo de Catarina Dores, da Direcção Regional de Beja da JCP, que, na sua intervenção, se referiu às dificuldades que os estudantes atravessam, que vão da falta de dinheiro para fotocópias ao frio que muitos são obrigados a passar devido às más condições das escolas. No caso da sua escola, cujas obras foram assumidas pela Parque Escolar, o pavilhão desportivo não tem paredes e se chove ou faltar algum funcionário não há aulas. A cantina é privada e a refeição custa 4,5 euros.

No Ensino Superior, acrescentou, muitos estudantes estão a abandonar os estudos por dificuldades económicas, realidade que certamente se agravará para o ano, fruto dos cortes previstos no Orçamento do Estado. A jovem comunista alertou ainda para o aumento da emigração entre os jovens, muitos dos quais são forçados a aceitar miseráveis condições de trabalho.

A anteceder as intervenções políticas actuou Paulo Colaço que, com a sua viola campaniça, encantou a assistência com as suas melodias. 



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