Editorial

«Uma muito poderosa jornada de luta das massas trabalhadoras»

GRANDE, GRANDE GREVE GERAL!

No plano partidário, a semana que passou ficou impressivamente marcada pela sessão de apresentação do programa de comemorações do centenário do camarada Álvaro Cunhal, realizada, não por acaso, no dia em que passava o 99.º aniversário do seu nascimento.

Do programa anunciado, a concretizar durante todo o ano de 2013 em todo o País, consta um vasto conjunto de iniciativas onde se sublinhará a relevante dimensão política, teórica, ideológica, revolucionária, intelectual, artística, militante, humana, daquele cuja vida e a obra são parte integrante do património de luta não apenas do colectivo partidário comunista mas também dos trabalhadores e do povo português.

Trata-se da indispensável homenagem à coerência e à coragem de quem fez da sua opção pelo ideal comunista uma opção de vida e a concretizou exemplarmente através de uma intervenção singular, quer no longo, complexo e difícil processo de construção colectiva do Partido Comunista Português, quer na acção revolucionária do Partido, decorrente do conteúdo desse processo, desenvolvida ao longo de décadas. Trata-se da indispensável homenagem a quem, durante toda uma vida de luta intensa, de uma militância total, teve como referência constante e principal a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, sempre tendo no horizonte a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, a sociedade socialista e comunista.

Por tudo isso, trata-se de um conjunto de iniciativas que, contando naturalmente com a participação activa do «nosso grande colectivo partidário», envolverá também muitos milhares de homens, mulheres e jovens que não sendo militantes comunistas, reconhecem Álvaro Cunhal como figura maior da nossa história colectiva.

Ainda no plano partidário, registe-se o excelente andamento do processo de preparação do XIX Congresso, traduzido na realização de muitas centenas de assembleias nas quais têm vindo a ser debatidos os documentos e eleitos os delegados correspondentes às múltiplas organizações – assembleias nas quais, como não podia deixar de ser, são igualmente discutidas as questões relacionadas com a situação do País e com a intervenção dos militantes comunistas visando o desenvolvimento, alargamento e intensificação da luta das massas trabalhadoras e populares contra a política das troikas e por um novo rumo para Portugal. Esta preocupação com a dinamização da luta é tanto mais importante quanto, como sabemos, é na luta que está o caminho para dar a volta à complexa, grave e difícil situação em que a política de direita mergulhou o nosso País. E, como também sabemos, os comunistas desempenham um papel determinante em tudo o que diz respeito à intervenção dos trabalhadores na defesa dos seus interesses e direitos, que é, afinal, a defesa do verdadeiro interesse nacional – objectivo pelo qual é necessário batermo-nos sempre, sempre, até que, com a persistência da luta, o alcancemos.

A propósito, e voltando à iniciativa alusiva ao centenário do camarada Álvaro Cunhal, registe-se as pertinentes palavras ali proferidas pelo camarada Jerónimo de Sousa: «Um ensinamento que Álvaro Cunhal nos legou é o de que, sejam quais forem as circunstâncias existentes em cada momento, a luta é sempre necessária – e vale sempre a pena».

Que assim é confirmam-no os trabalhadores portugueses, os quais, superando obstáculos e dificuldades imensas, não desistem de dar combate à política de afundamento nacional decidida pelas troikas do grande capital. Confirmam-no também outros sectores da sociedade portuguesa intervindo na defesa dos seus interesses e direitos e dando à luta de massas uma maior dimensão. Disso é exemplo a impressionante manifestação de militares que, no sábado passado desfilou na capital, convocada pelas Associações de Oficiais, Sargentos e Praças, e apoiada solidariamente por associações das forças de segurança.

É assim que, enquanto Ângela Merkel, qual colonizadora arrogante, pisava o território nacional acompanhada de representantes do grande capital alemão, seus patrões e mandantes, os trabalhadores portugueses, organizados na sua central sindical de classe, a CGTP-IN, dando sequência a um vasto conjunto de lutas envolvendo praticamente todas as áreas de actividade, ergueram a greve geral do dia 14 – uma grande, grande greve geral, uma muito poderosa jornada de luta das massas trabalhadoras, expressão perfeita da força da acção organizada dos trabalhadores e confirmação plena de que a luta vai continuar.

Como acentuou o Secretário-geral do PCP na tarde do dia 14, a greve geral constituiu um forte abanão no Governo e na sua política; afirmou a exigência da derrota do Orçamento do Estado para 2013; expressou a clara rejeição do pacto de agressão e urgência na ruptura com a política de direita – e, acima de tudo, garantiu que a luta vai continuar no futuro imediato, mais participada e, por isso, mais forte.

Não dar tréguas à política das troikas, combatê-la até a derrotar bem como ao Governo que actualmente cumpre o seu turno de serviço; lutar até à conquista da política alternativa e da alternativa política, indispensáveis para a resolução dos muitos e graves problemas existentes, para a defesa da independência e da soberania nacional, para a caminhada rumo ao futuro: eis o objectivo que, na hora actual, se coloca aos trabalhadores e ao povo. Um objectivo que, sem dúvida, não é fácil de alcançar, mas que, como a greve geral de quarta-feira demonstrou, está perfeitamente ao nosso alcance.


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