O reconhecimento é um contributo para a paz
Na ressaca da agressão a Gaza e sem esquecer Arafat
Palestina na ONU por justiça

A Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) apresenta hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas o pedido de reconhecimento do país como membro observador da organização, proposta votada uma semana depois do fim da agressão militar israelita na Faixa de Gaza, e quando peritos forenses procuram apurar as causas da morte do líder histórico da resistência, Yasser Arafat.

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A resolução destaca a urgente necessidade de retomar as negociações de paz, sublinhou o presidente da ANP, Mahmud Abbas, para quem o actual processo é um contributo para alcançar um acordo justo sobre matérias fundamentais que fazem perdurar o conflito, tais como o estabelecimento das fronteiras e a saída de Israel dos territórios ocupados a partir de 1967, o estatuto de Jerusalém, os refugiados, os colonatos judeus, a segurança ou o acesso à água.

Ainda que o estatuto de observador seja inferior ao de Estado membro, a sua aprovação é um passo adiante, permitindo à Palestina o acesso a agências da ONU e a instâncias judiciais internacionais.

EUA e Israel são contra a pretensão palestiniana, mas contrariamente à atribuição do estatuto de membro de pleno direito, que depende do Conselho de Segurança, os norte-americanos não podem impedir o reconhecimento da Palestina como Estado observador.

A petição é levada às Nações Unidas uma semana depois do fim da agressão militar israelita contra a Faixa de Gaza, que entre 14 e 21 de Novembro provocou mais de 160 mortos, na sua maioria mulheres, crianças e idosos; deixou centenas de civis feridos e danos calculados em mais de 1,2 mil milhões de dólares.

A campanha militar foi interrompida após o estabelecimento de um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, mas só a contenção dos palestinianos tem permitido que a trégua permaneça. Já depois do fim das hostilidades, as autoridades sionistas mataram um agricultor e feriram outros 25 durante num protesto pacífico junto à fronteira, e detiveram quase 100 dirigentes, representantes populares e activistas políticos na Cisjordânia.

As provocações não são alheias à avaliação de que a última guerra na Faixa de Gaza saldou-se numa derrota para Israel, que não conseguiu provar a sua invulnerabilidade aos ataques aéreos nem logrou quebrar a resistência dos palestinianos.

Uma sondagem do Chanel 2 afirma que 46 por cento dos israelitas pensa que nem Hamas nem Israel ganharam, mas o número dos que consideram que o Hamas triunfou supera os que entendem que foi Israel a vencer: 29 contra 20 por cento.

Paralelamente, peritos forenses da França, Rússia e Suíça deslocaram-se a Ramallah e recolheram amostras dos restos mortais de Yasser Arafat. O objectivo é determinar a causa da morte do histórico líder, desaparecido em 2004.

Uma investigação recente divulgada pela Al Jazeera reforçou as suspeitas de que Arafat teria sido envenenado. A viúva, Suha Arafat, interpôs uma queixa na justiça francesa, e as autoridades palestinianas admitem levar o caso à justiça internacional, tarefa francamente facilitada se, como se prevê, o país for hoje reconhecido como Estado observador da ONU.



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