Editorial

«Roubando o que rouba, o Governo PSD/CDS rouba o Natal a milhões de portugueses»

O CONGRESSO APONTOU OS CAMINHOS

Com o Natal à porta, a luta continua, participada e forte.

Nunca, em anos anteriores, as lutas dos trabalhadores assumiram proporções semelhantes em tempo de quadra natalícia. Esse é um dado cujo significado nunca é demais sublinhar, na medida em que ele espelha a extrema gravidade da situação económica e social criada pela política das troikas – essa política que rouba emprego; rouba nos salários, pensões e reformas; rouba subsídios, espalha a pobreza, a miséria e a fome, e que faz com que, roubando o que rouba, o Governo PSD/CDS roube o Natal a milhões de portugueses.

A inusitada vaga de lutas nesta quadra, espelha igualmente a firme determinação dos trabalhadores de não baixarem os braços; de rejeitarem chantagens e ameaças; de dizerem «não» às «inevitabilidades», à resignação, à descrença e ao conformismo – para os quais a ofensiva ideológica do capital os quer empurrar – de combaterem e derrotarem essa política de desastre e afundamento nacional executada ao serviço dos interesses do grande capital, e de imporem uma política que respeite os interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Exemplos da intensa actividade das massas trabalhadoras são as múltiplas lutas levadas a cabo, nas últimas semanas, em sectores, empresas e locais de trabalho, abarcando as mais diversas áreas de actividade. E exemplo maior de tudo isso foi a manifestação do passado dia 15, em que muitos milhares de trabalhadores foram a Belém exigir ao Presidente da República que cumpra o dever constitucional de vetar o Orçamento do Estado para 2013 – esse instrumento sinistro, expressão evidente da natureza de classe da política com a qual o Governo PSD/CDS quer continuar a agravar as já gravíssimas condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses; esse brutal passo em frente na escalada contra os direitos dos trabalhadores e as condições de vida do povo.

Tudo isto a mostrar que, não sendo tarefa fácil pôr termo a esta política e ao governo que a pratica e impor um rumo de justiça social e de progresso para o nosso País, com a luta das massas trabalhadoras e populares esse é um objectivo possível de alcançar.

Mostra a experiência que é decisivo o contributo do PCP, dos militantes comunistas, para o desenvolvimento da luta de massas.

E os comunistas, tal como os trabalhadores em geral, sabem que quanto mais forte for o Partido, mais forte será a luta.

O reforço do PCP apresenta-se, assim, como questão de importância crucial para o colectivo partidário comunista, sendo muitas as razões que suportam a certeza de que esse reforço será uma realidade no ano novo que se aproxima.

Na realidade, acabamos de sair de um Congresso que, para além de mostrar a força do PCP, mostrou que são enormes as potencialidades de reforço do Partido. Pelo processo que presidiu à sua preparação; pela forma como decorreu; pelas orientações e linhas de trabalho que aprovou e pelo entusiasmo que provocou nos militantes comunistas e em milhares de simpatizantes, o XIX Congresso foi bem o exemplo do Partido que somos e do Partido que queremos ser: um Partido muito forte, mas que quer, e precisa de ser, ainda mais forte, todos os dias mais forte.

Daí a justa saudação do Comité Central, reunido no passado domingo, às organizações e militantes comunistas – os construtores, de facto, do Congresso – pelo esforço e o empenho que durante dez meses dedicaram à preparação da reunião do órgão supremo do Partido – um esforço e um empenho sempre complementados e complementando uma intensa intervenção política e social, organizando e participando, de forma decisiva, nas lutas de massas entretanto concretizadas.

O ano de 2013 vai ser, então, um ano de reforço do Partido:

reforço orgânico, juntando mais e mais militantes ao nosso grande colectivo partidário e integrando-os devidamente nas respectivas organizações – e, designadamente, dando mais força e criando novas células ali onde se situa a raiz essencial da força do Partido: as empresas e locais de trabalho; reforço interventivo, desenvolvendo a acção partidária, quer em iniciativas próprias, quer um iniciativas de carácter unitário – e tendo em conta que 2013 é ano de eleições autárquicas e de afirmação da CDU e do seu projecto, com as exigências que tal batalha comporta; reforço ideológico, criando melhores condições de resposta à intensa e sistemática ofensiva ideológica anticomunista – uma ofensiva que, na sequência do notável êxito do XIX Congresso, em alguns casos assumiu expressões e contornos provocatórios, a fazer lembrar tempos passados.

Reforçar o Partido – e de que maneira! – é também levar por diante o vasto e amplo programa de comemorações do centenário do camarada Álvaro Cunhal: «Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro».

E é um facto que em nenhuma situação, como nesta, é mais fácil integrar uma tarefa específica na actividade geral do Partido. Porque, como diz o lema das comemorações do Centenário, a vida, o pensamento, a luta – o exemplo – de Álvaro Cunhal, são parte integrante e indissociável do Partido Comunista Português e da acção todos os dias desenvolvida pelo seu grande colectivo partidário.

O reforço orgânico, interventivo e ideológico do Partido é condição indispensável para o reforço e alargamento da luta de massas.

O reforço e alargamento da luta de massas é condição indispensável para a derrota da política das troikas e do governo que a executa – e para a sua substituição por uma governo e uma política patrióticos e de esquerda.

E o XIX Congresso do PCP apontou os caminhos para alcançar estes objectivos.


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