• Miguel Maurício

Comentário
Interesses de classe

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Os monopólios e os seus serventuários na UE erigiram os «direitos humanos» e a «democracia» numa das peças centrais do ataque aos direitos e conquistas sociais dos trabalhadores e dos povos, da soberania, dos direitos democráticos e do direito dos povos ao desenvolvimento. Serão poucos ou nenhuns os discursos, propostas, declarações, programas, organismos criados ou acções de propaganda da UE que não convirjam neste objectivo, nomeadamente no domínio da chamada política externa. Quem de forma honesta se queira debruçar sobre o que está para além do que é dito e escrito, analisando a realidade de forma objectiva, encontrará políticas centrais na ingerência, pressão, agressão e guerra desenvolvida pelas grandes potências da UE e da NATO. Encontrará uma visão mistificadora dos direitos humanos e da democracia, com o objectivo central de impor a regressão no carácter universal e indivisível dos direitos humanos, a destruição dos direitos democráticos pela via da sua transformação numa mera formalidade totalmente inócua relativamente aos interesses dos monopólios capitalistas, ou seja a hegemonização do poder político pelo poder económico.

A maioria do Parlamento Europeu (com os grupos que PSD, CDS e PS integram à cabeça) alimentam este monstro com recorrentes debates, relatórios e resoluções que de forma organizada apontam o dedo aos países que não cedem na defesa da sua soberania e não se vergam à ingerência e aos interesses da UE e dos seus aliados. Processos que vão produzindo e reproduzindo a agenda das ONG e das grandes agências internacionais de comunicação social. Que o digam os povos da Líbia, da Síria, do Iraque, do Afeganistão e outros que foram e continuam a ser vítimas de sistemáticas campanhas de mentira, manipulação e escamoteamento de responsabilidades próprias da UE, dos seus aliados, da NATO e do imperialismo. Processos que conduziram à ocupação, destruição, violação da soberania dos povos e do seu direito à autodeterminação, degradando ou destruindo a partir de agressões militares que hipocritamente invocam os DH, a defesa da democracia ou a «responsabilidade de proteger». Processos que visam o assalto aos recursos naturais, mercados e força de trabalho que os monopólios necessitam, através da imposição de um domínio neocolonial, negando o direito dos povos à sua autodeterminação.

Mas bastaria olhar para as medidas que vêm sendo impostas ao povo português para constatar o quão hipócrita e falsa é esta política de suposta defesa dos direitos humanos e da democracia. Bastaria olhar para o roubo nos salários e pensões, para o retrocesso imposto no direito à saúde e à educação, na destruição dos direitos laborais, o desemprego crescente, a pobreza e a fome que aumentam a cada dia... Roubo inseparável de um outro talvez mais complexo mas nem por isso menos importante de ferramentas democráticas que no plano político, económico e social dificultarão ainda mais a prossecução de políticas que nos permitam sair do buraco sem fundo em que a política da UE, do PSD, CDS/PP e PS nos quer colocar. Vejam-se as decisões do último Conselho Europeu relativamente ao dito «reforço da União Económica e Monetária (UEM)» que implicam - se forem implementadas - a perda de poder soberano sobre ferramentas fundamentais no plano económico, nomeadamente sobre os bancos e sobre os orçamentos nacionais, que estarão subordinados às prioridades das grandes potências da UE para a imposição de políticas que visam eternizar e aprofundar ainda mais o pacto de agressão. Medidas que se vêm juntar a muitas outras que, quer no plano da UE, quer no plano nacional, com a política de direita, vêm sendo desenvolvidas ao longo de mais de 30 anos, conduzindo o País à profunda crise em que se encontra. Medidas que visam impor mais exploração e negar o direito dos trabalhadores e dos povos de decidir sobre o seu futuro de acordo com os seus interesses e aspirações: visam negar o seu direito ao desenvolvimento.

A UE é um monstro que cresce e engorda fétido e cujo rebentamento terá que ser preparado para evitar o mau cheiro e as suas consequências... No terreno da luta de classes, como dizia Lénine, por detrás de todas as frases, declarações, e promessas morais, religiosas, políticas e sociais estão sempre os interesses de uma ou outra classe.

A classe dominante domina as riquezas e ao povo trabalhador passa as dívidas. Fala em direitos mas dela mesma, para os que trabalham e vivem dos rendimentos do seu trabalho sobram obrigações e direitos nem vê-los. Podem despir o povo de poder formal mas não podem despi-lo de vontade, de consciência e sonho.



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