O recuo da Kemet vale mais ainda por vir em contra-corrente
Multinacional adiou despedimento
Vitória anima luta na Kemet

O adiamento da deslocalização da produção de condensadores de tântalo da Kemet, em Évora, é uma importante vitória, que dá ânimo para a luta por garantias de futuro.

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Reindustrializar significa não deixar que saiam as indústrias que estão no País, observou um dirigente do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, ao abrir o segundo plenário de trabalhadores realizado na fábrica, no final da semana em que foi conhecida a decisão da Kemet Electronics de adiar o despedimento colectivo de quase metade do pessoal em Évora.

A comunicação da administração chegou ao sindicato no dia 14, segunda-feira. Estavam marcados mais dois dias de greve, para quinta e sexta-feira. Sem hesitarem em classificar o desfecho deste processo como uma vitória, os trabalhadores e o SIESI decidiram reduzir o período de greve para uma hora por dia, de modo a permitir a realização de plenários e a participação do pessoal dos turnos, nos dias 17 e 18, a partir das 8 horas.

O plenário de sexta-feira, para além da celebração serena e vigilante da vitória alcançada com a unidade e com a luta – que teve expressão visível nas greves e na deslocação ao Ministério da Economia e à Assembleia da República, em Dezembro –, constituiu também um sentido momento de solidariedade. Intervieram: o coordenador da União dos Sindicatos do Distrito de Évora, Valter Lóios, dirigentes do STAL e dos sindicatos da Função Pública e dos Professores do Sul, e um dirigente do SIESI, em nome dos trabalhadores da Delphi (Seixal).

O deputado do PCP por Évora, João Oliveira, recordado por ter recebido e apoiado a delegação de trabalhadores que foi ao Parlamento, declarou-se «muito mais satisfeito, por estar aqui hoje», do que quando a ameaça de despedimento foi abordada na AR, há um mês. E salientou que, «se vocês não tivessem assumido a luta, com coragem e determinação, as nossas iniciativas parlamentares não serviriam de nada». «Valorizem a vossa própria conquista», apelou.

Paulo Ribeiro, dirigente do SIESI e da Fiequimetal/CGTP-IN, recordou o combate travado nas reuniões de negociação, convocadas após ter sido desencadeado o despedimento colectivo, a 26 de Novembro, e nas quais os representantes sindicais destroçaram os fundamentos económicos apresentados pela direcção da filial portuguesa da Kemet. Destacou que, embora a empresa fale em adiamento e tenha divulgado um comunicado a desvalorizar o resultado da luta dos trabalhadores, o facto é que este despedimento colectivo foi anulado e qualquer nova ameaça de liquidação de emprego exigirá que a Kemet inicie novo processo.

Hugo Fernandes, delegado sindical e dirigente da USDE/CGTP-IN, com emoção e indisfarçada satisfação, porque a resposta à tentativa de despedimento «foi extraordinária» e «voltou a aproximar-nos muito», referiu alguns passos que a comissão sindical já deu, procurando esclarecer os planos da empresa e obter garantias quanto ao futuro da empresa e dos postos de trabalho, adiantando que em breve serão convocados novos plenários. «Aí veremos até onde estamos dispostos a ir, e neste momento a nossa disponibilidade é total», adiantou, com fortes aplausos a sublinhar a afirmação.

A vitória dos trabalhadores da Kemet e o seu significado serão tratados de forma mais desenvolvida numa reportagem que publicaremos no próximo número.




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