Editorial

«Que a alternativa é necessária e urgente prova-o a gravidade da situação existente»

LUTAR COM CONFIANÇA

A propaganda mistificadora foi sempre uma das mais relevantes imagens de marca dos governos da política de direita – desde o primeiro governo PS/Mário Soares, iniciador dessa política, até ao actual. Pode dizer-se, dizendo a verdade, que a mistificação, a mentira, o logro, constituem peças fulcrais no encobrimento da realidade e na difusão das mais diversas patranhas sobre os objectivos e a prática dos sucessivos governos de política de direita. Esses governos que têm vindo a afundar o País nestes quase trinta e sete anos de política ao serviço exclusivo dos interesses do grande capital e tendo como alvo primordial a Revolução de Abril e as suas conquistas económicas, sociais, políticas e culturais – em assumido desrespeito e brutal violação da Constituição da República Portuguesa.

É o que está a passar-se com o chamado «regresso aos mercados» que tem marcado a agenda «informativa» dos últimos dias na comunicação social dominante – «regresso» apresentado como um êxito espectacular da política do governo Passos Coelho/Paulo Portas e, com isso, pretendendo espalhar ilusões sobre a credibilidade de tal política.

Na realidade trata-se de uma gigantesca operação mediática com a qual o Governo e os propagandistas da política de direita pretendem esconder as políticas recessivas que têm conduzido Portugal à ruína e os portugueses a condições de trabalho e de vida que só encontram paralelo nos tempos do fascismo. Trata-se, afinal, de procurar vender como coisa nova e positiva o mais-do-mesmo que é a política definida pela troika ocupante e fielmente aplicada pela troika colaboracionista.

 

Também o PS tem sido tema em destaque nos media dominantes. Neste caso, a partir de uma abordagem centrada essencialmente em torno de nomes, de figuras, de corridas à liderança com palavras duras ou com palavras moles... – e sempre tendo em vista aquilo a que os comentadores e analistas de serviço chamam «alternativa», com isso querendo dizer, como muito bem sabem, alternância; com isso querendo dizer, como muito bem sabem, continuação da política de direita e do seu sinistro pacto de agressão.

Sobre as responsabilidades do PS nessa política e na situação a que o País chegou, os ditos comentadores & analistas funcionam como branqueadores. É claro que há os que, tacticamente, situam no último governo do PS – no último e só nele – as causas da situação actualmente existente. Mas com isso o que pretendem é fugir à questão fulcral, omitindo que o drama que hoje assola Portugal e o povo português é o resultado de décadas de política de direita praticada por sucessivos governos do PS e do PSD, sozinhos e de braço dado, e quando necessário acolitados pelo CDS. E que, nas atitudes e posições actuais dos dirigentes do PS, nada indica uma mudança, nada indica, bem pelo contrário, que o PS esteja disposto a fazer o que o interesse nacional impõe: romper com a política de direita, rejeitar o pacto de agressão e defender uma política alternativa e uma alternativa política, ao serviço dos interesses de Portugal e dos portugueses – afinal, a alternativa patriótica e de esquerda que o PCP defende e pela qual se bate com todas as suas forças.

 

Que a concretização dessa alternativa é necessária e urgente prova-o, todos os dias, a gravidade da situação existente, marcada pela degradação acelerada e constante das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo – uma situação só superável com uma política de sentido oposto à que tem vindo a ser aplicada; uma política só possível de conquistar através da intensificação e do alargamento da luta organizada das massas trabalhadoras e populares.

Daí a importância dada pelo PCP à luta e a intensa intervenção dos militantes comunistas visando o seu reforço, quer através da acção específica do Partido, quer através do contributo do colectivo partidário comunista para o desenvolvimento da luta no plano unitário.

Daí o apoio e o estímulo dados pelo PCP a todas as lutas levadas a cabo, desde as lutas reivindicativas em sectores, empresas e locais de trabalho, até às grandes acções de massas, como foi a impressionante e combativa manifestação dos professores que, no sábado passado, trouxe a Lisboa dezenas de milhares de homens, mulheres e jovens, unidos na vontade de dar a volta a isto.

Daí a intervenção empenhada dos militantes comunistas na preparação da manifestação nacional convocada pela CGTP-IN, para o dia 16 de Fevereiro, em Lisboa. Uma manifestação que se quer que expresse o descontentamento que atinge a grande massa de portugueses e que exija a mudança necessária: o fim da política de desastre e afundamento nacional e a sua substituição por uma política que sirva, inequivocamente, os interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Daí a acção organizada do Partido Comunista Português enquanto tal, fazendo chegar aos trabalhadores e ao povo a sua opinião e as suas propostas; mostrando que sim, é possível dar a volta à situação e impor um novo rumo para Portugal; demonstrando o carácter determinante da força da luta; espalhando ânimo e semeando a confiança. Disso é exemplo – um entre muitos e o mais recente – o desfile/comício realizado há uma semana no Porto, com o qual se deu início à campanha nacional do PCP por uma política alternativa, patriótica e de esquerda. Uma alternativa que – como sublinhou o camarada Jerónimo de Sousa na intervenção plena de confiança ali proferida – «é tão mais realizável quanto maior for a luta dos trabalhadores e quanto mais força tiver o PCP».


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: